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CríticaFilmes

Crítica: Spectral

Avatar de Rodrigo Chinchio
Rodrigo Chinchio
17 de dezembro de 2016 3 Mins Read

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O gênio Albert Einstein certa vez disse: “Não sei com que armas a III Guerra Mundial será lutada. Mas a IV Guerra Mundial será lutada com paus e pedras”.

O físico alemão passou boa parte de sua vida sendo corroído pela culpa, por, em 1939, ter escrito uma carta ao então presidente dos Estados Unidos, Frankin Delano Roosevelt, acerca da possibilidade da criação de uma bomba configurada a partir de uma cadeia de reações em uma grande massa de urânio (bomba atômica). A bomba em questão matou milhares de pessoas.

“Spectral”, apesar de ser um filme de ação blockbuster, discute o papel da ciência nos conflitos armados e também em toda a nossa sociedade desenvolvida.  No filme, misteriosos espectros passam a aparecer em zonas de batalha em uma terceira guerra mundial passada na Europa. Soldados norte americanos são constantemente atacados e mortos por esses espectros, fazendo com que o governo escale um brilhante engenheiro para tentar descobrir qual sua origem.

Após várias tentativas, o engenheiro vivido competentemente por James Badge Dale descobre que, assim como a bomba atômica, as criaturas são desenvolvidas seguindo outra teoria de Einstein, o condensado de Bose Einstein. No Zero absoluto os átomos passam a se comportar de maneiras não comum ao que estamos acostumados no nosso dia a dia, criando um quarto estado de matéria, além do liquido, sólido e gasoso; o tal condensado de Bose Einstein. De alguma forma, evidentemente não explicada pelo filme, pessoas tem seus corpos transformados nesse outro estado de matéria, para servirem como soldados.

2sIGAiY1y5cEuYMrlB0PRhhw9Z5Fazer um paralelo entre a criação da bomba atômica e essa nova arma é um ponto interessante no roteiro, já que há o embate entre a parte da ciência que é voltada para fins destrutivos e a que está preocupada em desenvolver meios de melhorar nossa vida no planeta. A parte boa da ciência é representada pelo engenheiro, que acredita no conhecimento como meio de defesa e não de ataque, no universo representado pelo filme. Corroborando com essa ideia há a cena de dialogo entre ele e uma agente da CIA, quando eles estão desligando as maquinas que fazem a tecnologia funcionar. Ela tenta persuadi-lo de que seria melhor manter o equipamento para uma eventual engenharia reversa, já ele se mostra convencido de que há ramos da ciência que nunca iremos entender, e que por isso, devem ficar longe de nosso alcance. Não acredito em limites para ciência e sim em quebra de paradigmas, mas, se ocorresse na vida real o que acontece no filme, eu seria o primeiro a puxar a tomada.

Além das questões filosóficas, o filme também se mostra uma excelente ficção cientifica de ação, trazendo cenários grandiosos e efeitos especiais de alto nível. As cenas de batalhas contra os espectros são ágeis e bem coreografadas. O design de produção também é bem desenvolvido ao mostrar soldados com seus equipamentos e veículos high-techs contrastando com as cidades de arquitetura antiga aos escombros.

Mais uma produção de qualidade da Netflix, que se mostra preocupada em desenvolver projetos que além de proporcionarem entretenimento, trazem pontos de reflexão. Spectral fala sobre algo que convivemos desde o passado remoto e que provavelmente conviveremos por muito tempo daqui até futuro: a guerra.

Reader Rating17 Votes
8.4
8

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AçãoCinemaFicção CientíficaTerror

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Rodrigo Chinchio

Rodrigo Chinchio é colaborador da Woo! Magazine, onde escreve sobre cinema com a autoridade de quem se formou cinéfilo garimpando pérolas nas videolocadoras. Especialista em encontrar filmes que o algoritmo jamais recomendaria, mantém em seu quarto uma coleção de Blu-rays e DVDs que rivaliza com qualquer acervo físico do país, e que ainda o impede de ver a própria cama.

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