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CríticaFilmes

Crítica: Travessia

Avatar de Luísa Lacombe
Luísa Lacombe
11 de março de 2017 2 Mins Read

17191018 1659789234315484 2004708144358376062 nÉ difícil salvar um filme com um roteiro frágil –  ou melhor dizendo, um roteiro que não cumpre o que propõe. Quando o roteiro em questão tem seu foco na interação de seus personagens, o resultado acaba decepcionante. “Travessia”, primeiro longa-metragem do diretor João Gabriel, sofre desse problema.

Na trama, Roberto  (Chico Diaz) e o filho Júlio  (Caio Castro) não se entendem. Embora não fique claro o motivo inicial de conflito, a situação fica impraticável quando a mãe de Júlio morre e apenas Roberto tem acesso ao dinheiro – que gasta em um apartamento.

O filho sai  de casa e processa o pai –  esse detalhe, assim como a compra do imóvel, não são muito discutidos. Isolados cada um em seu universo, lidam com os próprios problemas. Júlio vende drogas pra juntar dinheiro e deixar o país com a namorada. Roberto, numa noite de bebedeira, atropela um menino sem família.

Com um plot tão intenso, era de se esperar atuações e um desenvolvimento igualmente cativantes. Infelizmente, não é o que acontece. As possibilidades são interessantes – para o pai, o remorso se confunde com um possível novo romance; para o filho, surge uma oportunidade arriscada de aumentar a renda. Mas nenhuma delas é devidamente aprofundada, e tão pouco são os personagens. Chico Diaz ainda consegue trazer humanidade ao seu patriarca disfuncional,  mas Caio Castro se mantém no piloto automático de sempre (justiça seja feita, o roteiro também não lhe dá muita chance de ir além do óbvio).

17192238 1659789787648762 5858587315323410834 o

A fotografia tremida, a música tecno, o tempo estendido – em sequências como a balada na praia e a boate de strip-tease -, por mais que reforcem a isolação de seus protagonistas, não dá mais consistência a história, e acaba soando supérfluo. Mesmo a representação de uma Salvador sombria, pouco reconhecível, perde a força.

“Travessia” não é de todo ruim, mas poderia ter rendido muito mais. A falta de uma narrativa bem desenvolvida e estruturada, porém, prejudica o potencial do longa.

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Cinemajoão gabriel

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Luísa Lacombe

Sua formação é em cinema, e os interesses incluem televisão e quadrinhos. Nas horas vagas, faz tirinhas.

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One Comment

  1. Avatar de Patricia Alves Patricia Alves disse:
    11 de março de 2017 às 23:58

    Muito bom artigo!

    Responder

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