Crítica: “Vingadores: Ultimato”

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É sempre difícil, avaliar os filmes dos grupais da Marvel. Sendo um crossover cinematográfico, a unidade narrativa tem que funcionar isoladamente, ao mesmo tempo que transita entre variados tons já estabelecidos pelas franquias. Enquanto as digressões, que seria defeito em outros longas, aqui se tornam um mérito para o filme. Seria o mais correto então ler Vingadores: Ultimatocomo uma espécie de “Season Finale”?

Após os acontecimentos de Vingadores: Guerra Infinitametade do universo se foi, e com eles alguns dos maiores heróis da terra, cabe agora aos sobreviventes viajar pelo espaço em busca do vilão Thanos para tentar reverter todo mal que foi feito.

Talvez o mais justo com esse filme seja realmente pensar nele com um fim de temporada, ainda mais se levarmos em conta que o próprio longa é ciente disso e revisita/cria ecos, de momentos anteriores de, quase, todas as aventuras dos protagonistas. É inclusive engraçado quando paramos para pensar que mesmo dez anos depois, os diretores, Anthony e Joe Russo, conseguem criar não só um grau de agência na trama, como também um arco de mudança para cada um dos Vingadores.

Diferente vários outros filmes do estúdio que acabavam servindo mais de palco para as próximas produções (vide a bagunça que foi “Vingadores: Era de Ultron” ), Ultimato acerta em se preocupar nas consequências dos últimos acontecimentos, e como elas afetam os heróis título. Já nos primeiros 30 minutos, vemos uma total inversão de alguns personagens enquanto outros passam por uma espécie de desconstrução de sua personalidade. Claro, a essa altura arriscar mexer em personagens já tão bem estabelecidos era um risco, porém -dada a escala dos acontecimentos – era necessário para que o fosse criada uma atmosfera mais tensa dentro da trama. 

Foto: Divulgação/Walt Disney Studios/Marvel


Atmosfera essa, que é diferente de qualquer outro filme da Marvel, mais densa, e quase fúnebre. E inclusive, bem representada por alguns elementos diegéticos, como uma névoa que paira pela cidade quase vazia. O próprio senso de morte ganha ainda mais peso quando vemos que agora as ruas são ocupadas por grandes memoriais de pedras aos que já se foram. Mérito de uma precisa direção de arte.

Ainda melhor que a direção de arte, é a montagem. Que ao transitar entre diferentes pontos da trama, concede a ela uma energia fluida que nunca se esgota e faz com que os 181 minutos da projeção passem despercebidos. Ao mesmo tempo, a montagem se beneficia da escolha do roteiro de manter alguns personagens separados, para evitar facilitações narrativas.

Só é uma pena que em dados momentos o texto acaba se rendendo a um ou outro agente facilitador (é só lembrar a situação que envolve o retorno do homem formiga). Justamente por ser em apenas um ou outro momento, o incômodo é maior, não chega a prejudicar o filme como um todo, mas também não ajuda.


Fotos e Vídeo: Divulgação/Marvel/Walt Disney Studios

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