Baseado em livro, novo sucesso do streaming tem traumas, vingança e um final impossível de adivinhar
E lá vem mais um suspense da Netflix baseado em um livro, desta vez de Alice Feeney na série “Dele e Dela” que chama atenção por ser mais um thriller psicológico adaptado da literatura, mas se diferencia de outras produções do gênero por ter um elenco encabeçado por atores que já passaram pelo Marvel Studios: Tessa Thompson, a Valquíria dos filmes do Thor, e Jon Bernthal, conhecido por interpretar o Justiceiro e que em breve estará no novo filme do Homem Aranha, lideram o elenco dessa nova aposta do streaming.
Com apenas seis episódios “Dele e Dela” é curta, passa voando e tenta ser mais do que apenas o suspense da semana e a produção é facilmente consumida em uma maratona rápida, seja comendo uma pizza ou qualquer outro petisco, assistindo na televisão ou mesmo na tela do celular. Talvez essa seja sua maior força e também sua principal fraqueza.
A série não dá muito tempo para o espectador respirar e o final do primeiro episódio já entrega uma reviravolta absurda, capaz de fazer quem não está habituado a tramas de suspense literalmente pular da cadeira. O final da minissérie é ainda melhor, porém a narrativa não se aprofunda em alguns aspectos que poderiam transformar a trama em algo mais duradouro na memória do público. Porém, talvez nem seja essa a intenção.
O produto final parece satisfatório para todas as partes envolvidas, desde os atores, que não precisam se esforçar muito além de suas personas já conhecidas, até a própria Netflix, que entrega um suspense acessível e direto, evitando algo complexo ou sombrio demais que poderia afastar parte dos espectadores. Dentro dessa proposta, “Dele Dela” cumpre exatamente o que promete.
Onde sobra dinamismo, falta química em “Dele e Dela”
Isso não significa que o elenco principal esteja desinteressado. Jon Bernthal e Tessa Thompson entregam exatamente o que o público já está acostumado a ver deles: ele interpreta o policial durão, mas sensível; ela vive a repórter empoderada, independente e ambiciosa, que eventualmente se permite demonstrar sentimentos.
Ao longo da encrenca que o policial se meteu e tenta se livrar, a personagem da repórter também tem algo a perder e se defender em um mundo masculino, ainda mais quando um crime monstruoso contra uma mulher acontece na cidade da qual ele é responsável pela investigação, cidade que ela decidiu abandonar após acontecimentos que ainda assombram o casal. Protagonizando marido e mulher separados por um trauma terrível, os dois infelizmente não apresentam muita química como casal.

Isso poderia até funcionar como um recurso narrativo interessante, despertando curiosidade sobre o que uniu duas pessoas tão diferentes, especialmente porque o próprio nome da série remete aos diferentes pontos de vista dos protagonistas. No entanto, temas sérios e potencialmente profundos acabam sendo resolvidos de forma simplista, embora não apressada.
Ainda assim, os protagonistas têm uma dinâmica interessante e carismática de gato e rato, funcionando bem nas interações com os personagens coadjuvantes. Alguns se destacam dentro de suas propostas, como a jovem personagem Priya, assistente do policial, que é sensível, inteligente e sabe identificar quando tentam enganá-la; a mãe da protagonista é interpretada com sensibilidade e altivez por Crystal R. Fox, enquanto Marin Ireland entrega a irmã desbocada e direta do protagonista.
Todos os coadjuvantes cumprem bem seus papéis, mas acabam caindo em certos estereótipos que impedem um maior destaque em relação aos astros principais. Ainda assim, nada disso compromete o andamento da trama, que apresenta assassinatos violentos se acumulando em uma pequena cidade, criando um mistério envolvente de quem é o responsável pelos crimes. É justamente nesse ponto que “Dele e Dela” se destaca, principalmente por sua reviravolta final, praticamente impossível de prever.
Quando a história chega ao fim, tudo faz sentido a partir dos segredos e revelações apresentados ao longo da trama, culminando em uma última cena enigmática que permanece com o espectador por alguns momentos após os créditos.
Como a própria protagonista resume em um de seus monólogos, existem versões para todas as situações, as minhas, as nossas, as dele e as dela, e em determinados momentos todos mentem. No fim das contas, “Dele e Dela” da Netflix é mais uma produção que se consolida como mais um acerto do catálogo de suspense da plataforma, restando agora acompanhar sua repercussão nas próximas semanas.
Imagem Destacada: Divulgação/Netflix

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