“Fala Sério, Mãe” mistura humor, afeto e música em um espetáculo vibrante que conquista mães, filhos e apaixonados por teatro musical.
O espetáculo “Fala sério, mãe” chega ao palco com a mesma energia e afeto que consagraram o best-seller de Thalita Rebouças, transformando a relação entre mães e filhos em um espetáculo de humor generoso e emoção genuína. Leve e deliciosamente divertido, o musical aposta em situações cotidianas que atravessam gerações, criando identificação tanto no universo das mães quanto no dos adolescentes. Essa conexão imediata com o público se estabelece por meio de personagens carismáticos e bem construídos, defendidos por um elenco afiado e cheio de talento, que conduz a plateia por uma experiência acolhedora, risonha e surpreendentemente tocante
A adaptação do livro para os palcos é conduzida com sensibilidade e inteligência pela própria Thalita Rebouças, em parceria com Gustavo Reiz, com consultoria dramatúrgica de Leonardo Bruno, preservando a essência afetiva e bem-humorada da obra original. O texto teatral encontra um equilíbrio preciso entre comicidade e emoção, transformando episódios cotidianos em cenas ágeis, comunicativas e cheias de ritmo. Ao compreender profundamente o universo que retrata, a dramaturgia valoriza tanto os conflitos quanto as ternuras da relação entre mães e filhos, garantindo que a história funcione plenamente no palco sem perder espontaneidade, identificação imediata e o charme que conquistou leitores de diferentes gerações.

Sob a direção geral de Abel Gomes, com direção artística de Priscilla Mota e direção teatral de Tauã Delmiro, a montagem de ” Fala Sério, Mãe” encontra uma linguagem cênica inventiva e eficiente, em diálogo direto com o espírito da obra original. A encenação aposta em um universo lúdico, colorido e vibrante, no qual as cenas se encadeiam com ritmo e fluidez, como se páginas de uma revista em quadrinhos ganhassem vida diante do público. Essa escolha estética não apenas dinamiza a narrativa, como amplia o humor e a emoção, tornando a experiência visualmente envolvente e coerente com o tom leve e afetuoso do musical.
Esse conceito visual se expande e se aprofunda com a Direção de Cenografia Digital e Audiovisual de Igor Corrêa, que faz do telão de LED de 110 metros um elemento dramatúrgico fundamental, criando ambientes que evocam diretamente ilustrações de histórias em quadrinhos. As projeções dialogam de forma orgânica com a cenografia de Tuca Mariana, potencializando os espaços e garantindo dinamismo às transições, enquanto os figurinos de Cláudia Kopke e a caracterização de Beto Carramanhos reforçam o tom gráfico e expressivo dos personagens. Completando esse conjunto, a iluminação de Paulo Cesar Medeiros costura todos os elementos com precisão, realçando cores, volumes e atmosferas. O resultado é uma estética coesa, vibrante e cheia de vida, que transforma o palco em um universo visualmente encantador.
Em “Fala Sério, Mãe”, a direção musical de Tony Lucchesi é um dos grandes trunfos do espetáculo, destacando-se pela qualidade dos arranjos, cuidadosamente elaborados para sustentar a narrativa e valorizar o desempenho do elenco. Precisos e equilibrados, eles garantem unidade sonora à montagem, permitindo que diferentes gêneros convivam de forma orgânica e elegante. Soma-se a isso a criatividade ao costurar estilos musicais diversos em torno de um mesmo tema. Entre os pontos altos, destaca-se o número do beijo, que transita com fluidez entre pop, pagode, sertanejo e funk, arrancando risos e aplausos pela inventividade e precisão. Já a cena da Feira de São Cristóvão é um achado cênico e musical, reunindo clássicos do repertório do karaokê que despertam reconhecimento imediato na plateia e reforçam o caráter popular, afetivo e contagiante da montagem.

A direção de movimento de Rodrigo Negri contribui de forma decisiva para a energia e a fluidez do espetáculo, criando coreografias que dialogam diretamente com a narrativa e com o universo afetivo da montagem. Com inteligência cênica, a movimentação valoriza o trabalho coletivo do elenco, amplia o impacto dos números musicais e reforça o caráter vibrante e popular da encenação, fazendo do corpo em cena mais uma potente ferramenta de comunicação com o público.
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À frente do elenco de “Fala Sério, Mãe” está a própria Thalita Rebouças, que surpreende ao demonstrar sólido domínio cênico, carisma e um timing preciso para a comédia, revelando-se uma excelente atriz cômica. Ao seu lado, Cella Bartholo vive a filha com frescor e verdade, construindo com Thalita uma química afetuosa e convincente, responsável por sustentar grande parte da força emocional do espetáculo. Além da entrega cênica, Cella impressiona pela belíssima voz e segurança no canto, aliadas à dança, ao carisma e a uma presença de palco magnética. Reúne, assim, todos os atributos de uma artista completa, despontando como um nome promissor e uma verdadeira estrela em ascensão do teatro musical brasileiro.

Essa mesma química genuína entre mães e filhos se estende a todo o elenco de “Fala Sério, Mãe”, reforçando a identificação e a força afetiva da montagem. O núcleo das mães, formado por Cristiana Pompeo (Amelinha), Érika Affonso (Jussara), Ester Dias (Alair) e Ingrid Klug (Sabrina), imprime personalidade, humor e emoção a cada cena. Já o núcleo dos filhos — Alan Ribeiro (Carlos André), Caio Loureiro (Thadeu), Caio Nery (Ricardinho), Clara Novais (Malena), Duda Alves (Mamã), Eloá Ataíde (alternante) e Esther Samuel (alternante) como Bella, Maria Esff (Anna Júlia), Sara Chaves (Carol) e Yasmin Tozzi (Valentina) — traz frescor, energia e verdade às relações geracionais retratadas no palco.
Somam-se a eles os elencos de apoio nos números musicais, com o coro de mães composto por Aline Carrocino, Carol Futuro e Fernanda Sabot, e o coro dos filhos, formado por Bruna Negendank, Brunno Pastori, J.R. Moreno, Júlia Araújo, Lara Leão, Laura Trentin, Lyana Freitas, Mariana Barreto, Paulo Becken, Paula Tavares e Vinícius Pieri. Juntos, constroem um conjunto harmônico, vibrante e afinado, no qual o talento individual se soma ao trabalho coletivo para criar cenas envolventes, números musicais potentes e uma atmosfera de genuína empatia com o público.
Ao final, “Fala sério, mãe” se revela muito mais do que a adaptação de um best-seller voltado ao público adolescente. O espetáculo atravessa gerações com sensibilidade e humor, envolvendo espectadores de todas as idades em uma experiência afetuosa e universal. Entre risos, memórias e pequenas emoções compartilhadas, a plateia sai do teatro com a alma leve e, quase inevitavelmente, com o pensamento voltado para a própria mãe. Ao transformar situações cotidianas em celebração do afeto, a montagem cumpre com delicadeza e verdade sua maior missão: ser uma homenagem sincera, divertida e profundamente carinhosa às mães.
Imagem em destaque: Divulgação/Rafael Catarcione

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