Um dia estava eu parada em uma fila de supermercado quando dois caras atrás de mim comentavam animados sobre o filme O Contador, com Ben Affleck no papel principal. Um contava para o outro entusiasmado, e este ouvia atentamente fazendo comentários de quem estava interessado em ver o longa. O que narrava o estimulou, mas em certo momento ele disse: “Mas, se você quiser ir, vá sozinho, porque mulher não gosta desse tipo de filme”. Ai, eu não me aguentei: “Oi, dá licença? Já vi esse filme e adorei! Eu gosto de filmes assim”.

Gosto mesmo. Não são meus favoritos, nem acho que valem muita coisa, mas são divertidos, entretêm e, se dão certo, fazem uma multidão de fãs que são fiéis e acabam servindo de base para se fazer mais um.

Já que comecei falando, vamos aumentar o texto com O Contador. Batman sem máscara fazendo o que sabe fazer. Ok, pareceu meio malvado falar do filme assim. Ben Affleck não é um ator genial. Se bem dirigido pode fazer trabalhos bem decentes até. Não é o caso de O Contador, mas o filme se cumpre e faz isso bem! Ele sofre do mal dos filmes dessa década: tenta ser engraçadinho em alguns momentos. Funciona, mas acho que a graça tinha que vir sem plaquinha de que algo é engraçado.

Nesse momento, o caro leitor deve estar me perguntando: como assim plaquinha? Aqui é mais um personagem mesmo: a Dana, de Anna Kendrick, que funciona um pouco como alívio cômico. Sem necessidade nenhuma. Ela podia ter um pouco mais de profundidade como personagem e o filme seria muito melhor, deixando as partes divertidinhas só para o estranho contador do título, um personagem bem raro.

É bem sabido que a maioria dos filmes assim seguem um argumento bem precário: sempre há um objetivo. Não importa qual seja ele, proteger a mocinha, a família, vingar a morte de alguém, fugir da polícia, do FBI, da CIA, da Máfia de qualquer país, sempre há um motivo para toda aquela perseguição. E sempre, sempre, SEMPRE, o personagem em questão é o melhor de sua área.

O que eu estou falando pode ser ilustrado por John Wick (ou o que me recuso a chamar: De Volta Ao Jogo), com Keanu Reeves. Mas, eu acho a premissa do filme boa: ele sai matando geral porque mataram o cachorro que sua mulher que acabara de morrer deixara para ele. Bem, não é só isso, mas é o importante. Ele tem um foco, ele vai lá e faz. O que funciona aqui? Eu simplesmente não gostaria de estar do lado de Keanu Reeves se ele estiver em um dia meio Wick: ele pode sim bater em alguém (como me informaram algumas pessoas) e tem uma ótima pontaria (como pode ser visto nos treinamentos que faz em vídeos que estão no youtube).

A graça do filme está no respeito que o personagem causa nos coadjuvantes. O policial que vê um monte de corpos na casa de John e não faz nada, o vilão do filme chamando ele de Baba Yaga (ou BoogeyMan) ou o segurança da casa noturna que mede uns dois metros de altura e, claramente, tem medo dele. São cenas de humor involuntárias, elas são engraçadinhas ou não, só não tem o objetivo de serem, divertem por diversos fatores, como o absurdo que elas são.

Até agora falei de atores limitados, não deixam de ter algum talento e carisma, mas são um pouco restritos em suas habilidades. Vou quebrar esse paradigma com Matt Damon e seu excelente agente secreto desmemoriado Jason Bourne, do filme homônimo e da trilogia Bourne (só esqueçam O Legado Bourne, esse usurpador não deveria estar aqui). Damon é um ator excelente, faz quase todos os tipos de personagens com muito boas atuações. Não é diferente com seu assassino frio.

Bourne chegou em uma época pré-Snowden, envolveu espionagem e política e fez três filmes de ação de tirar o fôlego. Basicamente, ele inovou uma categoria que parecia fadada a repetição de gênero, não é 100% original, mas é um respiro e fez filmes de ação suar a camisa para melhorarem sua qualidade. E sem gracinhas. Seu agente é sério e compenetrado. A seriedade é tanta que nem mocinha tem (em boa parte deles, não vou contar muito porque alguém pode não ter visto). E o sucesso da trilogia que foi baseada em um livro foi tanto que anos depois do terceiro longa veio o quarto, como eu já disse.

Bem, bem, tudo isso foi só para falar que:

1º: eu acho bobinho (na verdade, é uma palavra pior, mas não pode aqui) dizer que um filme é para menininhos e outro para menininhas. Gente, gostem do filme que vocês quiserem, isso não prova nada.

2º: to esperando John Wick 2 e Assassin’s Creed ano que vem porque sou dessas!