12 de dezembro de 2019

Conhecido não só pelo seu estilo irreverente, mas também por uma longa carreira de sucesso no mundo do samba, Ivo Meirelles se prepara para lançar um novo projeto com o Funk’n’Lata – grupo que estourou nos anos 1990, trazendo uma mistura entre samba, funk e rap com instrumentos utilizados nos desfiles. Previsto para chegar às lojas no segundo semestre de 2018, o disco marca a volta de Ivo ao grupo quase 20 anos após o lançamento de “O Coro Tá Comendo“. Num bate-papo super descontraído, o cantor falou um pouco do início de sua carreira, os anos à frente da Estação Primeira de Mangueira, a ida para São Paulo e, claro, o novo trabalho.

Giulia C. Oliveira: Você começou sua carreira na Mangueira, é pai do Funk’n’Lata, além de ter criado a Bateria Surdo Um. De onde veio essa veia artística?

Ivo Meirelles: Nasci e cresci no Morro da mangueira. A quadra da Escola era o quintal de casa. Ouvia aquele samba todos os dias… Essa veia artística veio dali.

G.C.O.: Em tantos carnavais presente na Estação Primeira, qual foi o desfile mais memorável para você e por quê?

I.M.: Sem dúvidas foi o desfile do carnaval de 2011. Tínhamos um carnaval sem patrocínio, a escola estava pendurada numa dívida de 7 milhões, o samba enredo que escolhi teve uma repercussão negativa absurda… E fomos lá e fizemos um desfile magnífico, na minha opinião, o melhor daquele ano. Ficamos apenas com o terceiro lugar, mas pra mim aquele desfile foi o campeão.

G.C.O.: A Bateria Surdo Um marcou a avenida com as “paradinhas”, principalmente as mais longas. Como surgiu a ideia de fazê-las? Você imaginava o impacto que isso causaria nos desfiles?

I.M.: Sim, imaginava! Eu tenho acompanhado desfiles desde a década de 1970. Muita coisa vem mudando, para pior, no meu entender. Estão valorizando coisas erradas. Só se olha para beleza plástica (alegorias e fantasias) e o quesito humano que mais evoluiu foi a comissão de frente. Eu gosto de bateria, eu entendo muito é de bateria… Então, a cada ano eu imaginava algo para que os caras se sentissem os donos do desfile, os protagonistas… Acho que consegui!

G.C.O.: Nesse ano, o Funk’n’Lata completa 23 anos de existência e em breve sairá um disco dedicado a esse projeto. Conta para a gente como foi a elaboração desse novo projeto e o que podemos esperar dele?

I.M.: O que podem esperar é um resultado percussivo que só essa galera lá da mangueira consegue. Vejo muitas bandas tocando com instrumentos de bateria de escola de samba, mas essas bandas fazem a mesma levada pra todas as musicas…O FnL não! Cada faixa tem uma levada diferente de caixas, de surdos, de tamborins… É um disco rico de levadas percussivos.

G.C.O.: Na semana passada, inclusive, rolou a gravação do clipe de “Frevo Mulher”, que se consagrou na voz do Zé Ramalho, na Feira de São Cristóvão, no Rio. Como foi essa experiência?

I.M.: Foi divertido! Fomos para feira para fazer algazarra, para brincar mesmo rsrsrs. Acho que o clipe vai ficar bacana, divertido.

G.C.O.: Há muitos artistas na cena atual do funk e do samba que se destacam, como a Anitta e o Melanina Carioca. Você acredita que hoje o espaço para novos talentos seja muito maior do que na época em que o Funk’n’Lata estourou?

I.M.: Os tempos são outros. Hoje, tá tudo voltado para internet. A dificuldade de se estourar uma música é enorme. Naquele tempo e hoje, as circunstâncias são parecidas, mas o diferencial é que hoje, se você não tem grana pra investir nas redes ou se você não tiver um amigo com 1M de seguidores para te ajudar na divulgação, você tá fadado a ficar no meio do caminho. 

G.C.O.: Já há alguns anos que você vive em São Paulo e possui diversos shows fixos por lá. Conta pra gente a diferença entre o público paulista e o carioca. Essa diferença é marcante ou ambos são ecléticos – considerando que, agora, o sertanejo e o funk também estão com tudo?

I.M.: Sertanejo e funk estão com tudo faz tempo! A minha ida para São Paulo se deu pelo fato de, no Rio de Janeiro, não ter mais casas que comportem meu tipo de som. São Paulo é enorme e recebe um turismo comercial do Brasil inteiro. E, por isso, pessoas que gostam de todos os ritmos musicais… Em São Paulo, todo músico consegue trabalhar. O Rio ficou segmentado. 

G.C.O.: E o que você espera para o futuro? Há algum projeto já à vista, paralelo ao novo disco? 

I.M.: Sim, mas vamos falar disso mais na frente, para não misturar as estações. 

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Giulia Cordeiro

Giulia Cordeiro é carioca, jornalista e professora por formação, artista por amor. Amante da música e dos gatinhos, não sai de casa sem um caderno e caneta, e adora boas histórias (geralmente bem longas).

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