Disponível no Disney+, a história do novo herói tem comédia e drama como pontos fortes
Eis que após 18 anos de existência, o universo compartilhado da Marvel finalmente entrega uma novidade genuína ao seu panteão de heróis, por isso, a recomendação é clara desde o início: esta não deve ser assistida com as expectativas tradicionais de um produto que carrega o rótulo de super-herói. “Magnum”, ou “Wonder Man” no original, integra o novo selo Spotlight, criado para apresentar histórias mais independentes, menos conectadas às grandes tramas vistas no cinema.
Ainda assim, a série dialoga diretamente com o universo já estabelecido ao resgatar um personagem conhecido do público: o ator Trevor Slattery. Interpretado por Sir Ben Kingsley, vencedor do Oscar por “Gandhi”, Trevor é o infame falso Mandarim apresentado em “Homem de Ferro 3”, criado como um terrorista fictício a serviço do vilão Aldrich Killian, que pretendia destruir Tony Stark. O personagem voltou a aparecer em “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”, dirigido por Destin Daniel Cretton, que também assina como diretor e produtor executivo da maior parte dos episódios de “Magnum”.

É justamente aí que a série encontra sua identidade, pois Trevor se torna o mentor de Simon Williams, que acabou de ser despedido de uma séria famosa de Tv que existe em nossa realidade (é uma surpresa bem legal a quem for familiarizado), por ser muito metódico e criterioso, mesmo que seu personagem tenha apenas a função de morrer como mais um coadjuvante.
Química entre os protagonistas é o grande trunfo de “Magnum”
O protagonista é vivido com sensibilidade por Yahya Abdul-Mateen II, conhecido por seus trabalhos como vilão nos dois filmes de “Aquaman”, da concorrente DC. Não há nada de heroico em sua rotina além da tentativa constante de sobreviver em um meio competitivo, cheio de pressão e emocionalmente desgastante como Hollywood.
A série retrata com precisão a ansiedade e a instabilidade que acompanham a carreira de atores que vivem de audições e oportunidades efêmeras. É nesse contexto que ele encontra, de forma aparentemente fortuita, o experiente Trevor, que, entre confusões e conselhos pouco ortodoxos, assume o papel de mentor.
A química entre Yahya e Ben Kingsley é um dos grandes trunfos da produção e a atuação dos dois elevam o nível da narrativa, que, assim como a elogiada “O Estúdio”, do streaming Apple, expõe os bastidores da indústria cinematográfica norte-americana com forte carga de autoparódia, referências a filmes clássicos, menções a figuras conhecidas do cinema e diretores tão icônicos quanto excêtricos. Essa abordagem cria uma familiaridade quase reverencial com Hollywood, algo muito caro ao imaginário cultural dos Estados Unidos.

O caminho trilhado por Magnum é bem menos glamouroso do que o da trupe liderada por Seth Rogen, mas ainda assim oferece um retrato divertido e levemente afetado de um universo que, para outras culturas, costuma ser apenas especulado à distância. No centro da história está esse herói relutante que possui o arco dramático mais bem definido.
A série resgata sua infância como filho de imigrantes, quando o pai o levou ao cinema para assistir a um filme do herói Magnum, uma aventura repleta de efeitos especiais rudimentares e charmosos, que marcaria para sempre seu destino.
Já adulto Simon esconde seus poderes (cuja origem ainda permanece um mistério), por uma cláusula contratual restritiva que limita a atuação de indivíduos superpoderosos, forçando-o a reprimir suas habilidades, num episódio ao mesmo tempo divertido, mas melancólico.
Embora algumas situações sérias que são resolvidas na galhofa fazem parte da proposta e destoam um pouco da qualidade das interpretações, é gratificante assistir a um produto que foge da linha de montagem na qual a Marvel se transformou nos últimos anos e vermos no final da temporada uma indicação de que Magnum provavelmente será absorvido pelo lugar comum das produções do estúdio, por enquanto a série funciona como um sopro bem-vindo de criatividade e humanidade e desde que o espectador se liberte de expectativas pré-concebidas, fica claro que, ao menos aqui, a Marvel está tentando algo diferente.
Os oito episódios da série já estão disponíveis no Disney+.
Imagem Destacada: Divulgação/Marvel Studios

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