Uma Visita ao Mundo maravilhoso de  J.K Rowling

No dia 17 de Fevereiro, ocorreu no Odeon o Pré- lançamento do primeiro episódio da websérie brasileira “Marotos: Uma História”.

A websérie é um projeto independente, sem fins lucrativos, que foi realizada pela diretora Nathalia Bottino e vários amigos. Nathalia escreveu o roteiro junto com Flora Martins e Luciana Carvalho. As três também foram as responsáveis pela produção, ao lado de Alain Catein, Laís Andrade, Nathan Leitão e Thainá Gomes.

Feita por fãs do mundo de “Harry Potter”, a trama retrata os últimos anos de Tiago Potter, Sirius Black, Remo Lupin e Pedro Pettigrew, enquanto enfrentam o período da primeira guerra bruxa.

O primeiro episódio já está disponível no Youtube.

A Woo! Magazine entrevistou a diretora da Websérie, que contou um pouco da experiência do projeto e a emoção em dirigir uma história do universo do bruxinho mais famoso do mundo.

Eduardo Chaves.: Quando e como surgiu a ideia de fazer Marotos?

Nathalia Bottino.: Eu e a Luciana, uma das roteiristas, nos conhecemos na faculdade e sempre compartilhamos de uma paixão pela saga “Harry Potter”. Um dia a gente fez uma brincadeira pensando quais personagens dos filmes os nossos amigos seriam. Aí, a Luciana sugeriu que seria legal fazermos um curta sobre os marotos, já que é uma história que sempre quisemos ver. Então, nós duas escrevemos o roteiro, e resolvemos fazer o curta, mas acabou dando errado. Chamamos poucas pessoas para a equipe, a maioria colegas de faculdade, o elenco era composto em sua maioria por não atores, tínhamos poucos equipamentos e pouco conhecimento em cinema, então acabou sendo mais um projeto experimental mesmo. Mas, devido ao curta, conhecemos profissionais maravilhosos que estão com a gente até hoje, inclusive a Flora, que ajudava na parte de arte e maquiagem, mas acabou entrando no roteiro junto com a gente. E no último dia de gravação, o Nathan, que é o nosso Frank Longbottom na série, sugeriu de fazermos uma websérie. Assim, a Flora se juntou a mim e a Luciana no roteiro e desde setembro de 2017 até março de 2018 escrevemos todas as 279 páginas de roteiro da primeira temporada.

E.C: Quais foram as fontes de pesquisa para escrever a história?

N.B.: Bom, como sabemos que o fandom de Harry Potter é muito exigente, inclusive nós também, não queríamos que tivessem furos ou erros no roteiro. Por isso, passamos tantos meses escrevendo e pesquisando todas as informações que estávamos colocando. Relemos os livros, revimos os filmes e usávamos especialmente o Pottermore, que é o site da própria JK Rowling, e também o Harry Potter wiki, para checar informações, datas, feitiços, tudo possível para termos uma história fiel à obra original. Todos os fatos sobre os personagens presentes na série que foram ditos pela JK Rowling estão presentes. O que não tinha de informação, nós tivemos liberdade criativa de inventar.

E.C.: Porque fazer uma série ao invés de um filme?

N.B.: Quem é fã sabe que a história dos marotos e da Primeira Guerra Bruxa envolve muitos personagens e muitos detalhes. Todos sabem o que aconteceu com eles no final, mas o que os levou a chegar ali, principalmente o personagem do Pedro que traiu os melhores amigos, é uma incógnita. Então achamos que a melhor forma de contar essa história seria nos aprofundar e não deixar lacunas não preenchidas, usando o formato de websérie, por ser possível fazer vários episódios e temporadas. Além disso, ser postado na internet, onde dá para ser compartilhado e expandido para mais pessoas, é muito melhor para divulgarmos o projeto.

E.C.: Quais foram as maiores dificuldades?

N.B.: A falta de dinheiro e recursos, sem dúvida! Tentamos fazer um financiamento coletivo, mas tivemos que abrir mão deles devido às regras da Warner que impedem que fanfilmes façam isso. Só podemos receber doações através do Paypal, Pagseguro ou direto na conta, mas foi uma quantidade muito pequena para a demanda que esse projeto tem. É uma série de Harry Potter, de magia, com efeitos especiais, que se passa na Inglaterra dos anos 1970… Ou seja, o orçamento principalmente na parte de arte e figurino é muito alto. E devido à falta de recursos, tivemos que adaptar várias cenas. Não temos um Grande Salão, por exemplo, porque sabíamos que os custos para recriar algo assim seriam muito altos. A nossa qualidade técnica em equipamentos também não é como gostaríamos. Eu sempre digo que nós não somos a Warner, nem a Netflix, nem a Globo, nem se quer uma produtora pequena. Somos um grupo de jovens cineastas apaixonados por esse universo de magia e bruxaria contando uma história que sempre quisemos ver na tela. E fizemos tudo isso com poucos recursos, então imagina o que não conseguiríamos fazer com ajuda, parcerias e coproduções #ficaadica.

E.C.: O que leva de aprendizado dessa série?

N.B.: O maior aprendizado para mim é que fazer cinema independente de guerrilha no Brasil é MUITO difícil, mas dá para ser feito. É desgastante, frustrante, sempre dá vontade de desistir, mas com perseverança e acreditando no potencial do seu projeto, tudo é possível. E tudo é adaptável também. Eu sou roteirista da série, mas também produzo e dirijo, e aprendi a ser desapegada com as coisas. Fazendo cinema independente a gente não pode se dar ao luxo de achar que vamos ter tudo da forma que imaginamos. Nem sempre uma cena vai ficar do jeito que a gente queria, e tudo bem. Estamos aqui pra aprender e melhorar com o tempo. Acho que todo cineasta deveria fazer um filme sem ter recursos, porque só assim a gente aprende na dureza, na dificuldade, sem dinheiro, o que é necessário e o que não é. O que é luxo e o que é necessidade. E todos fazem tudo o que tiver que fazer, além de suas funções. Então, o aprendizado é dobrado para todos, na minha opinião.

E.C.: Quais são seus projetos para o futuro?

N.B.: Primeiro, conseguir terminar essa série, porque já estamos há 2 anos fazendo e só conseguimos lançar um episódio. Então, agora queremos focar todas as nossas energias em conseguir condições melhores para terminar o projeto, de forma mais estruturada e com parcerias. E depois disso, sinceramente, eu não sei. Acho que eu só entro em projetos nos quais eu acredito que são bons e tem potencial. Projetos que contam histórias que eu me identifico, ou que acho que valem a pena ser contadas. Eu e a Luciana temos uma parceria muito produtiva e sempre pensamos em projetos juntas. Já temos algumas ideias para outras séries, mas nada definido ainda. A prioridade é eu me formar esse ano e tentar conseguir um emprego, o resto eu penso depois. rsrs.

E.C.: A quem você gostaria de agradecer?

N.B.: Em primeiro lugar, a toda a minha família que sempre me apoia em todos os projetos malucos que eu penso e me ajuda em tudo possível. Em segundo lugar, as minhas roteiristas marotas que estão comigo desde o início. Esse projeto só existe por nossa causa e porque uma apoia a outra sempre. E toda a minha equipe maravilhosa e meu elenco dos sonhos, que embarcaram conosco no trem para essa jornada marota e estão junto com a gente nos altos e baixos, mesmo com as condições difíceis que enfrentamos para fazer a série. Eu sempre digo que o meu nome está nos créditos como diretora, mas cinema não se faz sozinho, e nada disso seria possível sem as pessoas que trabalham comigo, então tenho muita gratidão por tê-las nesse projeto.


O primeiro episódio de “Marotos – Uma história” já está disponível no Youtube. Assista e nos diga o que achou da websérie.


Por Eduardo Chaves