Em 1985, a primeira edição do Rock in Rio provou que um grande festival de música, de alto nível e com os principais nomes da musica do mundo, poderia ser realizado no Brasil. O êxito de proporções gigantescas tornou o evento conhecido mundialmente. Performances, como a do Queen são lembradas até hoje. Contudo, mesmo com tamanho sucesso, o Rock in Rio teve um intervalo um tanto quanto longo entre sua primeira e sua segunda edição – que só aconteceria em 1991. Devido a demolição da antiga Cidade do Rock, a mando do então governador Leonel Brizola, o maior templo do futebol nacional, o Maracanã, foi o local escolhido por Roberto Medina para que em janeiro daquele ano abrigasse por nove dias o Rock in Rio II. A escolha da data, ajudou ainda mais o evento por se tratar da época de férias escolares. Mais uma vez  o RiR misturou ritmos durante os nove dias, com astros nacionais e internacionais.

O tempo de transformação do Maracanã na Cidade do Rock foi 35 dias – Imagem: Divulgação/Rock In Rio (Créditos: Jornal O Globo (acervo)

Os dias em que o Maracanã virou a Cidade do Rock

A preparação do estádio Maracanã para se tornar a nova Cidade do Rock, se deu em 35 dias. A estrutura contava com dois palcos móveis, uma área de 5.600 metros quadrados, mais de 60 lojas e quatro shoppings. Além do gramado, os espectadores puderam conferir o show das arquibancadas do estádio por um valor de ingresso maior.

Durante o evento uma grande estrutura de transmissão foi montada, fazendo com que o festival chegasse a 55 países diferentes – um feito monstruoso para a época. A estrutura de transmissão contava com doze câmeras (em maioria controladas por controle remoto), uma delas ficava em um cabo de aço aéreo que corria de uma ponta a outra o estádio, e também havia um helicóptero que dava apoio as gravações com uma câmera. A empresa norte-americana Radio Vision foi a responsável pela distribuição das imagens.

O festival pagou cachês milionários para algumas atrações. Prince e George Michael receberam a quantia de US$ 1,5 milhão pelas duas apresentações que cada um fez, enquanto que o Guns N’ Roses, por exemplo, ganhou R$1 milhão, também em dois dias de shows.

Apesar disso tudo, o evento também teve inúmeros problemas: tanto estruturais, como de desistências em cima da hora e com o som do palco. Esse último quase fez Alceu Valença desistir do seu show, no sétimo dia do evento. Pausas no meio de outras apresentações também ocorreram, como na de Prince.

O primeiro final de semana do Rock in Rio II

O primeiro dia de shows, uma sexta feira, foi aberto pelo músico jamaicano Jimmy Cliff, trazendo a levada reggae para esquentar o público que, em seguida, curtiria o som do australiano Colin Hay. O cantor embalou o público com um pop rock de respeito. Já a terceira atração da noite, Joe Cocker, entrou no palco trazendo a mistura do blues com o rock e uma pegada mais romântica. Mas foi Prince, a atração principal da noite, que brilhou no palco – tendo tanto o primeiro quanto o segundo show, os mais elogiados do festival naquele ano. O cantor exaltou carisma e trouxe seus hits de sucesso. Além disso, como não poderia deixar de ser, fez diversos pedidos inusitados a produção, como 700 toalhas brancas (a produção do evento conseguiu apenas 300).

A banda Vid & Sangue Azul abriu o segundo dia de shows, no primeiro sábado do RiR II, com um público de 50 mil pessoas, trazendo músicas como “Criança Inconseqüente” e “Rio de Janeura”. Em seguida, subiria ao palco Supla que, como o mesmo afirmou, fez um show enérgico:

Se você pesquisar a imprensa da época, vai ver que o meu show foi o mais energético”.

A noite ainda teria sucessos dos Engenheiros do Hawaii, um show que gerou um tanto quanto de discordância em relação a crítica: enquanto a nacional teve o show como a pior apresentação da noite, o The New York Times era só elogios à banda brasileira. Billy Idol fez um show redondo, tocando seus sucessos e ainda teria mais uma apresentação no dia seguinte. Carlos Santana trouxe uma pegada do latin rock e blues rock, antecipando a atração principal da noite – o INXS, que fechou a segunda noite de shows. Era a primeira apresentação do grupo australiano no Brasil que, na época, estava alcançando o auge com os sucessos “Tear Us Apart” e “Beautiful Girl“.

E o primeiro dia mais rock do festival abriu com a Hanoi Hanoi no palco principal. A banda brasileira sacudiu o público com seus sucessos, seguida por outra velha conhecida: Titãs, que já abriu o show com uma guitarra frenética e um rock mais pesado, além de músicas sempre críticas. Faith No More viria em seguida. O grupo entrou no line up do festival como uma das exigências do Guns N’ Roses e não fez feio. Até hoje, o show é considerado como épico, tido como uma mistura de hard rock, hardcore e hip hop. Billy Idol, pegou o público anestesiado pelo último show e fez mais uma apresentação de tirar o chapéu, entregando o palco para o que era o maior nome musical do evento e da época, o Guns N’ Roses. O show deu reconhecimento do público brasileiro ao grupo, principalmente por ser transmitido para todo território nacional em um domingo, logo após o Fantástico. Uma curiosidade é que, pouco antes da apresentação, existia um grande mistério sobre o vocalista Axl Rose. Felizmente, o cantor chegou ao Rio de Janeiro pouco antes de entrar no palco, para se juntar a banda.

A primeira parte da matéria do Rock in Rio II termina aqui, mas amanhã teremos a segunda parte sobre esse evento que transformou o “Maraca” na Cidade do Rock, e estremeceu a zona norte do Rio de Janeiro.

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