Gilsons convidaram, mas pareceram coadjuvantes a partir da entrada de Daniela Mercury
O Palco Sunset do Rock in Rio 2026 virou uma verdadeira celebração soteropolitana no dia 12 de setembro. Em um espetáculo definido por Daniela Mercury como um “manifesto de soberania cultural, de beleza, de ancestralidade”, o trio Gilsons recebeu no palco a Rainha do Axé e a percussão inconfundível do Olodum. A apresentação, que começou um pouco morna, foi transformando a Cidade do Rock em um mar de energia, conectando diferentes gerações da música baiana.
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Ritmo, ancestralidade e protesto no Palco Sunset

O show começou com José, Francisco e João Gil apresentando canções autorais como “Pra gente acordar” e “Proposta”. O início da apresentação foi um pouco morno, num clima de resenha que só os fãs pareciam estar conectados. A temperatura só subiu mesmo quando os tambores do Olodum tomaram o espaço com clássicos do samba-reggae, incluindo “Nossa Gente (Avisa lá)“. Na sequência, a entrada triunfal de Daniela Mercury consagrou o grande momento da noite.
A cantora iniciou a transição para o agito com “Nobre Vagabundo”, interagindo com o trio de forma carinhosa. Mas não demorou muito para o clima de trio contagiar de vez o público com os grandes sucessos de sua carreira, “Swing da Cor”, “Devagarinho” e a “A Cor da Cidade”. Outro momento icônico foi quando os três artistas cantaram o clássico do samba-reggae baiano “Faraó”. Houve espaco também para uma intervencao critica, onde um cavalo negro (em alusão ao filme “Dark Horse”) entrou no palco distribuindo notas cenográficas em defesa da democracia.
A apresentação ainda contou com momentos de forte emoção e posicionamento político: uma homenagem a Preta Gil ao som de “Minha Flor“, fechando a noite com a interpretação do samba-enredo da Mangueira para o Carnaval 2027, dedicado a Iansã.
Tradição e renovação: o legado dos artistas

A potência desse encontro se explica pela bagagem marcante de cada uma das atrações. Daniela Mercury, que celebrou 25 anos de história com o festival desde sua estreia no Rock in Rio III em 2001, começou a cantar em trios elétricos aos 15 anos. A cantora projetou o axé music internacionalmente com o lendário disco “O Canto da Cidade” (1992). Vencedora do Grammy Latino e pioneira na fusão de ritmos afros com a música eletrônica no Carnaval, a artista acumula mais de três décadas de uma carreira focada na valorização da cultura brasileira.
Já o trio Gilsons — formado no Rio de Janeiro em 2018 por José Gil, Francisco Gil e João Gil (filho e netos de Gilberto Gil) — representa a constante renovação da MPB. O grupo ganhou projeção nacional com o EP “Várias Queixas” (2019), cuja faixa-título é justamente uma releitura do repertório do Olodum. Unindo samba, afoxé, pop e elementos eletrônicos, o trio consolidou sua trajetória com os discos “Pra Gente Acordar” (2022) e “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão” (2026). Completando esse encontro, o Olodum trouxe o peso histórico do samba-reggae criado por Neguinho do Samba, reafirmando sua relevância internacional como bloco afro e símbolo da percussão baiana.

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O show no Rock in Rio 2026 demonstrou que os artistas entenderam bem a proposta do Palco Sunset, ainda que o show tenha evoluído melhor quando Daniela Mercury começou a comandar a festa, se sobrepondo um pouco à sonoridade contemporânea dos Gilsons. Mas o que fica mesmo é a beleza dos encontros que exaltam a arte ancestral brasileira.
Imagem Destacada: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes, @Diegopadilha)


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