Com a chegada do Halloween a procura por obras de horror aumenta. Sejam filmes, séries, livros ou quadrinhos. E nesse último encontramos a oportunidade perfeita de recomendar obras que nem todos estão familiarizados. Portanto, temos aqui uma lista com três recomendações de quadrinhos de horror que vão fazer você pensar como seria viver em um mundo onde a cada canto pode ter um vampiro, demônio ou criatura extradimensional pronta para te atacar.

1 – Vampiro Americano

“Tudo aqui está relacionado ao fato de devolver os dentes afiados que essa mania atual do ‘vampiro fofinho’, de modo geral, roubou dos chupadores de sangue”. É assim que Stephen King descreve “Vampiro Americano” em seu prefácio. Sim, isso mesmo, Stephen King. Apesar de a obra ser escrita por Scott Snyder, Stephen King faz uma excelente participação.

As primeiras 5 edições são divididas em duas histórias. A primeira se passa em 1925 e nos apresenta a protagonista Pearl Jones, uma mulher nova e aspirante a atriz tentando ganhar a vida em Los Angeles Mas obviamente as coisas não dão tão certo assim para a personagem que, uma bela noite, é chamada para uma reunião com um diretor famoso apenas para descobrir que estava indo virar jantar de um grupo de vampiros. Porém, Pearl consegue fugir e é salva pelo segundo protagonista dessa história, o vampiro Skinner Sweet. E é ai que entra Stephen King, a segunda história conta a origem vampiresca de Skinner que costumava ser um bandido do velho oeste até ser caçado e morto, mas não sem antes ter sangue de vampiro espirrado sobre ele. Assim nasce uma nova espécie de vampiro, o vampiro americano. A história do quadrinho a partir de então segue a vida destes dois vampiros americanos e aborda o mito vampiresco de maneira incrível, explicando inclusive o porquê de os mitos variarem de acordo com a época e a região. Como se não bastasse o excelente roteiro, o quadrinho também conta com a arte do brasileiro Rafael Albuquerque, cuja arte suja e rascunhada combina com o clima tenso do quadrinho criando vampiros grotescos que seriam ainda mais assustadores de se encontrar.

2 – Providence

Há uma recomendação comum a quase todos os leitores e amantes de quadrinhos: se é escrito pelo Alan Moore, é bom. E não tem como discordar disto vendo o grande número de obras incríveis e clássicas do autor. Seja Watchmen, V de Vingança, A Piada Mortal ou Do Inferno, o autor sempre entrega uma obra sem igual. Com “Providence” não podia ser diferente. Aqui o autor busca inspiração nas histórias do mestre do horror H. P. Lovecraft para criar uma história de suspense digna de sua fonte de inspiração.

Nessa história acompanhamos Robert Black, um jornalista gay e judeu que trabalha para o New York Herald. Um dia, ao seguir uma matéria ele conhece o Dr. Alvarez com o qual conversa sobre literatura e ocultismo. Assim, Black resolve escrever um livro sobre o “país dissimulado e escondido abaixo da sociedade”, o que leva ele a uma viagem por todo o país investigando casos sobrenaturais e permanecendo são apenas pela capacidade humana de estender uma “capa” de normalidade por cima do sobrenatural.

Infelizmente não há muito mais que possa ser dito sobre a obra sem estragar parte da experiência, pois o desenrolar da história toma rumos inesperados através da maestria do escritor. E a arte não fica para trás, com uma arte limpa e simplificada, colocando mais detalhes apenas onde necessário, o artista Jacen Burrows entrega uma arte competente que casa bem com a obra, principalmente em cenas em que não há diálogos ou narrações, sendo tudo passado apenas com a arte.

3 – Os Mortos Vivos (The Walking Dead)

Devo admitir que “The Walking Dead” não é desconhecido, porém essa fama toda se deve apenas por conta da série de tv. Poucos são aqueles que após assistirem à série decidiram se aventurar a ler o quadrinho. Mas garantimos, esses poucos que estão certos. O que a série tem de bom, o quadrinho tem de incrível.

Na história do quadrinho, assim como na série, acompanhamos o oficial Rick Grimes que acorda de um coma em um mundo infestado por zumbis. Rick consegue se reencontrar com sua esposa e filho e acaba liderando o grupo em que os mesmos se encontravam. Porém, diferentemente da maioria das obras sobre zumbis, o autor Robert Kirkman toma um rumo inesperado onde a história não gira em torno dos zumbis, mas sim das pessoas. Os grandes vilões nunca são os mortos, mas sim os vivos, mostrando como as pessoas agiriam dadas as situações extremas de um apocalipse zumbi.

Mas aí você nos pergunta, por que eu devo ler o quadrinho se eu já assisti a série? E respondemos não só afirmando que o quadrinho é muito superior como também muito diferente. Há mortes de personagens que acontecem antes ou depois do que na série, ou personagens que estão vivos em uma mídia e mortos na outra, bem como desenvolvimentos completamente diferentes em alguns momentos.

Os únicos defeitos que eu colocaria em relação ao quadrinho está relacionada a arte. O primeiro é o fato de que como o quadrinho é preto e branco, alguns personagens acabam sendo confundidos facilmente, mas não é nada que logo em seguida não seja percebido. Outro seria o fato de que arte tem algumas inconstâncias e incongruências, como ferimentos que mudam de tamanho de maneira grotesca ou que em situação real causaria a morte do indivíduo. Porém, apesar destes defeitos a arte é bastante competente, principalmente ao retratar hordas de zumbis, conseguindo colocar muito detalhe em cada quadro.

Definitivamente o quadrinho vale a pena ser lido e é considerado por muitos uma das melhores obras de zumbis já feitas.


Por Bruno Dias