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CríticaFilmes

Crítica: Other People

Avatar de Convidado Especial
Convidado Especial
31 de dezembro de 2016 3 Mins Read
Até o fim

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A vida, inquestionavelmente, é um mistério. Nunca sabemos como e quando irá terminar. No entanto, sabemos que um dia ela acaba, e evitar pensar sobre o assunto não impede que isso aconteça.

“Other people” começa com o ponto final na vida de Joanne (Molly Shannon), rodeada pelo marido e filhos. O som do telefone e um recado gravado na secretária eletrônica, enquanto a família chora, abre bem o filme causando um clima absurdo e patético ao mesmo tempo. Se você já está pensando em desistir, não faça isso: não é só sofrimento, bons momentos – cômicos, inclusive – aguardam o espectador.

David (Jesse Plemons), roteirista em Nova York, volta a Sacramento para cuidar da mãe que está prestes a iniciar a quimioterapia. Tendo saído do armário há dez anos, ainda não tem sua orientação sexual aceita pelo pai, Norman (Bradley Whitford). Este nem mesmo conhece Paul (Zach Woods), seu parceiro há cinco anos. Aliás, ex-parceiro – o relacionamento acabou há pouco tempo, mas David prefere não contar à mãe para não fazê-la sofrer. As oportunidades de trabalho também não são muito promissoras no momento e durante um ano David passa pela solidão e a angústia de quem vive exclusivamente na função de cuidar de um ente querido enfermo. Momento de excelente atuação de Plemons ao desmoronar emocionalmente no supermercado “apenas” por não encontrar os laxantes na seção de remédios.otherpeople3O filme é a estreia de Chris Kelly na direção (ele também assina o roteiro) e baseia-se em suas próprias experiências. Sua narrativa em flashback é bem construída e o roteiro dosa bem as cenas mais pesadas e comoventes com momentos de humor.

Um dos destaques cômicos é o ator adolescente J.J. Totah. Sua personagem, Justin, é irmão adotivo de Gabe (John Early), o único amigo com quem David tem contato em Sacramento. Justin é gay, cheio de atitude e personalidade, seguríssimo de si e faz uma performance numa reunião familiar que constrange todos os presentes, mas que dá vontade de rever incessantemente.

Paul Dooley (Ronnie) e June Squib (Ruth-Anne), no papel dos avós de David, tem uma participação pequena, mas marcante por conta de uma cena com pinceladas de humor negro. O fato de não saber lidar com a morte da filha faz Ronnie contar histórias bizarras e fazer comentários inapropriados, o que sua esposa parece achar muito normal.

O filme tem outros momentos que causam uma certa estranheza ou embaraço nos personagens – simplesmente a inabilidade do ser humano em encarar a morte quando ela mostra sua cara de forma inegável.

Molly Shannon e Jesse Plemons têm belos momentos juntos, ambos numa atuação bastante sincera. Já Maude Apatow (Alexandra) e Madisen Beaty (Rebeccah) como irmãs de David, não vão muito além do eficiente, sem maior destaque tanto na trama como na interpretação.

Há quem fuja de filmes com temática de doenças e morte, mas “Other People” merece a chance de ser visto: nem superficial nem “cabeça”, diverte e faz pensar. Assim como a vida, é feito de risos e lágrimas.


Neuza Rodrigues

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9.5

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