De Félix, em Amor à Vida, a Bianca, em Caras & Bocas, relembre os 7 maiores bordões que saíram da televisão e passaram a fazer parte do dia a dia dos brasileiros
Bordões são apenas uma das marcas deixadas pelas novelas brasileiras, que sempre lançaram moda, revelaram personagens inesquecíveis e emocionaram milhões de telespectadores. Mas algumas produções foram além da audiência e transformaram frases de seus personagens em verdadeiros fenômenos da cultura popular.
Repetidos nas ruas, nas escolas, no trabalho e, mais recentemente, nas redes sociais, essas frases ajudaram a eternizar personagens e continuam vivos na memória do público mesmo anos após o fim das novelas.
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1. Félix transformou bordões em uma marca registrada de Amor à Vida
Poucos personagens da teledramaturgia brasileira conseguiram transformar a forma de falar em um fenômeno cultural como Félix, interpretado por Mateus Solano em “Amor à Vida” (2013). Criado por Walcyr Carrasco, o vilão chamava atenção pela inteligência, pelo sarcasmo e, principalmente, pelas referências bíblicas e históricas que usava em seus comentários irônicos.
O primeiro grande sucesso foi a frase “Será que eu salguei a Santa Ceia?”, repetida sempre que algo dava errado. A repercussão foi tão grande que os roteiristas passaram a criar novas variações para o personagem ao longo da novela, transformando esse recurso em uma de suas principais características.
Entre os bordões mais lembrados de Félix estão:
- “Será que eu salguei a Santa Ceia?”
- “Pelas rugas de Matusalém!”
- “Pelos cachos de Sansão!”
- “Pelas contas do rosário!”
- “Será que piquei salsinha na tábua dos Dez Mandamentos?”
- “Será que eu surfei no Mar Vermelho?”
- “Será que dancei pole dance na cruz?”
- “Lavei minha cueca na manjedoura.”
- “Vou trocar minha aura por um esplendor de purpurina.”
- “Você é ruim, mas eu sou muito pior.”
- “Bofe bom é bofe burro.”
- “Que toda sua inveja vire gordura.”
As frases ultrapassaram a novela e passaram a ser reproduzidas diariamente nas redes sociais, em memes e até em conversas informais. O sucesso foi tão grande que a Globo criou uma seção exclusiva com as “Frases do Félix”, enquanto páginas de fãs surgiram para reunir as tiradas do personagem.
O próprio Mateus Solano reconheceu que os bordões aproximavam o público do personagem.
Em entrevista durante a exibição da novela, o ator explicou:
“As pessoas querem abordar os artistas, mas ficam envergonhadas e não sabem como chegar. Então, o bordão é um facilitador porque você já chega com uma frase engraçada e divertida do personagem.”
Em outra entrevista, Solano revelou qual era sua frase favorita de Félix:
“A frase que eu achei mais divertida foi: ‘Lavei minha cueca na manjedoura” afirmou o ator.
Na mesma conversa, o ator afirmou ter muito orgulho do vilão e resumiu sua relação com ele dizendo: “Ele é meu filho.”
Mesmo mais de uma década após sua estreia, “Amor à Vida” continua sendo lembrada como uma das novelas mais marcantes dos anos 2010, e grande parte desse sucesso passa pelo inesquecível “Félix”. Com uma interpretação que equilibrava humor, sarcasmo, emoção e vulnerabilidade, Mateus Solano transformou o personagem em um dos vilões mais carismáticos da teledramaturgia brasileira. Seus bordões atravessaram a tela da televisão, ganharam as redes sociais, viraram memes e seguem sendo lembrados pelos fãs até hoje, consolidando Félix como um dos personagens mais icônicos da carreira do ator e da história recente das novelas.
O sucesso do personagem permanece vivo também na televisão. Desde 23 de março de 2026, “Amor à Vida” integra a programação do Globoplay Novelas, permitindo que uma nova geração conheça a trama de Walcyr Carrasco, enquanto os fãs revivem momentos marcantes da novela. A exibição acontece de segunda a sábado, às 22h40, com reapresentação às 16h15, além de maratonas aos domingos, a partir das 20h50, reforçando a força de uma obra que continua relevante mais de dez anos após sua estreia.

Caras & Bocas: a novela que transformou bordões em um fenômeno nacional
Escrita por Walcyr Carrasco e exibida entre 2009 e 2010, “Caras & Bocas” foi um dos maiores sucessos da faixa das 19h da TV Globo. Além do romance entre Dafne e Gabriel e do carismático macaco “Xico”, a novela ficou marcada pela quantidade de bordões que conquistaram o público. O próprio Walcyr Carrasco revelou que gosta desse recurso porque ele ajuda a construir a identidade dos personagens e torna suas falas inesquecíveis. Segundo o autor, muitas expressões surgiam naturalmente durante o processo de escrita e acabavam ganhando vida própria entre os telespectadores.
2. Bianca e o inesquecível “É a treva!”
Nenhum bordão fez tanto sucesso quanto “É a treva!”, repetido por Bianca, personagem de Isabelle Drummond. Sempre que enfrentava uma situação complicada, frustrante ou absurda, a adolescente soltava a frase, que rapidamente saiu da televisão e passou a fazer parte do vocabulário dos brasileiros.
O impacto foi tão grande que a própria Isabelle Drummond contou, em entrevista à jornalista Patrícia Kogut, que percebeu a dimensão do sucesso durante uma gravação externa da novela.
“Todo mundo vinha me contar que ouvia os adolescentes falando, mas um dia estávamos gravando num parque, quando chegou um ônibus escolar e todas as crianças desceram gritando: ‘É a treva, é a treva’. Achei engraçado.”
Em outra entrevista, a atriz afirmou que o bordão realmente havia conquistado o público:
“As pessoas olham para mim e falam: ‘É a treva’. Mesmo sendo um pouco má, acho que a Bianca conquistou o público.”
O sucesso foi tamanho que, anos depois, o Memória Globo dedicou um vídeo especial apenas ao bordão da personagem, reconhecendo-o como um dos mais marcantes da história das novelas da emissora.
3. Cássio: “Tô rosa chiclete!” e “Choquei!”
Outro destaque da novela foi Cássio, interpretado por Marco Pigossi. O personagem divertia o público com seu jeito extravagante e popularizou as expressões “Tô rosa chiclete!” e “Choquei!”, repetidas sempre que ficava impressionado ou emocionado com alguma situação.
O próprio Walcyr Carrasco revelou que a expressão nasceu a partir do já conhecido “fiquei bege”. O autor resolveu trocar a cor por “rosa chiclete”, criando uma frase mais divertida e original. A mudança deu certo: os bordões se espalharam rapidamente e passaram a ser repetidos pelos telespectadores.
4. Ivonete e o irreverente “Não me absorva!”
Vivida por Suzana Pires, Ivonete com seu sotaque baiano também entrou para a lista dos personagens mais lembrados da novela graças ao bordão “Não me absorva!”. A frase era usada sempre que a personagem queria fugir de problemas ou interromper conversas inconvenientes, tornando-se mais uma marca registrada de Caras & Bocas.
O sucesso foi tanto que “Não me absorva!”, ao lado de “É a treva!”, “Choquei!” e “Tô rosa chiclete!”, figura entre os bordões mais lembrados da produção até hoje.
Mais de 15 anos após sua estreia, “Caras & Bocas” continua sendo lembrada como uma das novelas mais divertidas da faixa das 19h. Grande parte desse legado está justamente na força de seus personagens e de seus bordões, que ultrapassaram a ficção e se transformaram em expressões populares repetidas até hoje pelos fãs da teledramaturgia brasileira.

O Clone: os bordões que atravessaram gerações
Exibida originalmente entre 2001 e 2002, “O Clone”, de Glória Perez, tornou-se um dos maiores sucessos da televisão brasileira. A novela conquistou o público por abordar temas como clonagem humana, dependência química e diferenças culturais, mas também ficou marcada por personagens carismáticos que popularizaram expressões repetidas até hoje. Entre elas, destacam-se “Não é brinquedo, não!”, de Dona Jura, e “Cada mergulho é um flash!”, de Odete.
5. Dona Jura e o inesquecível “Não é brinquedo, não!”
Interpretada por Solange Couto, Dona Jura era dona do bar mais famoso do bairro e rapidamente conquistou os telespectadores com seu jeito espontâneo. Seu bordão “Não é brinquedo, não!” tornou-se um dos mais populares da história das novelas brasileiras e passou a ser utilizado nas mais diversas situações do cotidiano.
Curiosamente, a frase não estava prevista originalmente no roteiro. Em entrevistas, Solange Couto revelou que o bordão surgiu de forma espontânea durante uma conversa consigo mesma enquanto dirigia após deixar os Estúdios Globo. Segundo a atriz, ela pedia a Deus um personagem que tivesse grande repercussão quando, de repente, pronunciou a expressão.
“Eu queria um trabalho maior. Quando eu pedi isso, Papai do Céu colocou o ‘Não é brinquedo, não’ na minha boca.”
A atriz contou ainda que percebeu que a frase servia para praticamente qualquer situação, desde elogios até momentos de irritação, e passou a incorporá-la naturalmente à personagem. Décadas depois, o bordão continua sendo associado à sua carreira e até chegou a ser registrado como marca antes de ser transferido para a TV Globo.
6. Odete e o eterno “Cada mergulho é um flash!”
Outro fenômeno de “O Clone” foi Odete, interpretada por Mara Manzan. Frequentadora assídua do Piscinão de Ramos, a personagem divertia o público com seu jeito irreverente e eternizou a expressão:
“Cada mergulho é um flash!”
A frase rapidamente extrapolou a novela e passou a ser usada para descrever situações chamativas, inesperadas ou curiosas. Mais de vinte anos após a exibição original, ela continua presente no vocabulário popular e é constantemente lembrada em programas de televisão, memes e redes sociais.
Mara Manzan nunca chegou a conceder uma entrevista específica explicando a criação do bordão. No entanto, sua interpretação transformou Odete em um dos personagens mais lembrados da carreira da atriz. Após sua morte, em 2009, “Cada mergulho é um flash!” permaneceu como um dos maiores legados de sua trajetória artística e um dos bordões mais icônicos da teledramaturgia brasileira.
7. Sinhozinho Malta e o eterno “Tô certo ou tô errado?”
Entre os inúmeros bordões da teledramaturgia brasileira, poucos alcançaram o impacto de “Tô certo ou tô errado?”, eternizado por Sinhozinho Malta, personagem de Lima Duarte em “Roque Santeiro” (1985). A frase ultrapassou a novela e se transformou em uma das mais conhecidas da história da televisão brasileira, sendo repetida até hoje por diferentes gerações.
O mais curioso é que o bordão nasceu de forma espontânea. Em entrevista ao Gshow, Lima Duarte contou que tudo começou quando um operador de áudio reclamou que ele gesticulava demais durante as gravações.
“O rapaz do som falou: ‘Seu Lima, você fala muito com a mão e faz muito barulho’.”
Naquele momento, o ator teve uma ideia que mudaria a história do personagem.
“Falei: ‘Vamos incorporar’.”
A partir daí, Lima passou a usar o gesto de balançar as pulseiras e relógios de ouro enquanto dizia a frase que se tornaria marca registrada de Sinhozinho Malta. O próprio ator explicou a lógica por trás da criação:
“Quando você me propuser uma coisa, eu falo: ‘Tô certo ou tô errado?’. E sacudo o ouro na sua cara.”
Na mesma entrevista, ele completou, em tom bem-humorado:
“O homem que sacudir uma pulseira de ouro na sua cara, você vai dizer que ele está certo.”
A combinação entre a interpretação de Lima Duarte, o movimento das joias e a frase de efeito transformou Sinhozinho Malta em um dos personagens mais icônicos da televisão brasileira. Quase 40 anos depois, o bordão continua vivo no imaginário popular e é constantemente lembrado em programas de TV, memes e redes sociais, comprovando a força de “Roque Santeiro” como um dos maiores clássicos da teledramaturgia nacional.
Os bordões das novelas são muito mais do que frases engraçadas ou marcantes. Eles representam a essência de personagens que emocionaram, divertiram e conquistaram milhões de brasileiros ao longo das décadas. Quando alguém diz “É a treva!”, “Não é brinquedo, não!” ou “Tô certo ou tô errado?”, dificilmente lembra apenas da frase: a memória também resgata cenas, histórias e personagens que fizeram parte da rotina de diferentes gerações.
Esse talvez seja um dos maiores méritos da teledramaturgia brasileira. Em poucas palavras, autores e atores conseguiram criar expressões que atravessaram a televisão, ganharam as ruas, as escolas, os ambientes de trabalho e, mais recentemente, as redes sociais. Muitos desses bordões continuam sendo usados até hoje por pessoas que sequer acompanharam as novelas em suas exibições originais, prova de que essas produções deixaram uma marca permanente na cultura popular brasileira.
Enquanto novas novelas chegam à televisão e aos serviços de streaming, personagens como Félix, Bianca, Cássio, Ivonete, Dona Jura, Odete e Sinhozinho Malta seguem vivos na memória do público. Afinal, uma grande novela pode terminar, mas um bom bordão permanece por décadas sendo repetido, reinventado e passado de geração em geração, como parte da história da televisão brasileira.
Imagem Destacada: Divulgação/Memória Globo


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