Em triunfo técnico e cênico, Christopher Nolan entrega a obra máxima de Homero para as plateias mundiais
Desde que “A Odisseia” foi anunciada, que o diretor Christopher Nolan entregaria um épico grandioso e digno de debate através da Universal Pictures ninguém tinha dúvidas.
Após a consagração na temporada de premiações com “Oppenheimer”, até a escalação de um elenco estelar para dar vida a uma das obras literárias mais importantes da humanidade, “A Odisseia” tem gerado enorme expectativa nas plateias mundiais.
Todos queriam descobrir o que o cineasta mais influente de sua geração preparava para desvendar os mistérios, perigos, amores, traições e outras relações complexas de personagens que habitam o imaginário popular há três milênios.
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Odisseu, o Cavalo de Troia, deuses, monstros, bruxas e guerras que moldaram a literatura de fantasia ocidental estão condensados em quase três horas de uma jornada escrita, produzida e dirigida por Nolan.
Diante da enorme responsabilidade de adaptar uma de suas histórias favoritas, coube ao estúdio da Universal Pictures abraçar a ambição do realizador e distribuir o mais novo trabalho do diretor em atividade.
O resultado técnico é espetacular, trata-se de um épico à moda antiga, filmado com câmeras na mão e focado na realidade prática do set.
O longa-metragem exibe todo o seu esplendor visual ao ser concebido inteiramente para o formato IMAX, que hoje define a imponência que uma produção desse porte exige.
A qualidade técnica se estende para as atuações bem estruturadas de nomes como Tom Holland — que em breve estreará como o protagonista do blockbuster “Homem Aranha: Um Novo Dia” —, além de Anne Hathaway, Robert Pattinson e John Leguizamo.

O melhor e o pior de “A Odisseia”
O grande destaque individual, contudo, pertence a Samantha Morton. Na pele da feiticeira Circe, a atriz entrega a performance mais marcante do projeto, rivalizando com as melhores sequências da projeção.
Por outro lado, o ponto fraco da produção reside justamente em seu protagonista, interpretado por Matt Damon. O ator, conhecido por seu carisma e dedicação, entrega uma atuação apenas correta. Para um papel com essa carga dramática, o projeto demandava um intérprete com maior alcance e presença cênica, semelhante ao impacto que Russell Crowe causou em “Gladiador”.
Faltou uma figura que projetasse autoridade inquestionável aos seus comandados.

Embora a liderança de Odisseu possa ser questionada na narrativa contemporânea, a história ancestral exigia uma imponência que não diminuísse a influência mítica do herói grego, impedindo que o público se conectasse e vibrasse com sua jornada e essa frieza se reflete ao longo de toda a narrativa.
Fiel ao estilo do diretor, o filme apresenta momentos cinéticos e dinâmicos, mas que raramente empolgam o espectador.
A maioria dos personagens secundários são distantes emocionalmente e funcionais, servindo apenas para mover a engrenagem do roteiro.
As deusas agem como conselheiras burocráticas e não há espaço para o encantamento ou para a magia da mitologia.
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O grande alívio dramático ocorre nas sequências envolvendo o Ciclope, que resgatam uma atmosfera de terror físico inédita na filmografia do cineasta.
O visual é opulento e destaca paisagens deslumbrantes de seis países visitados pela equipe na Itália, Grécia, Marrocos, Espanha, Malta e Reino Unido.
Entretanto, faltam cenas memoráveis que garantam ao longa um lugar na história da sétima arte.
Por ter sido concebido com recursos que dificilmente outro diretor obterá em Hollywood, esta deverá ser a versão definitiva de “A Odisseia” nos cinemas.

A clássica história está presente na tela, mas carece do calor necessário para se tornar inesquecível.
Resta o espetáculo técnico impecável que cumpre o papel de incentivar o público a valorizar a grandiosidade das salas de exibição, inclusive pode servir para incentivar mais pessoas a conhecer esse épico maravilhoso e atemporal sobre poder, valor e honra cada vez mais dispersos na sociedade de hoje.
Imagem Destacada: Divulgação/Universal Pictures








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