Brasil sofre para vencer o Japão, Alemanha é eliminada pelo Paraguai e Mundial reforça que tradição já não garante classificação
A segunda-feira de Copa do Mundo entregou duas cenas que ajudam a explicar o momento do futebol internacional. Em Houston, o Brasil saiu atrás do Japão, empatou no segundo tempo e só garantiu a classificação aos 50 minutos da etapa final, com Gabriel Martinelli. Em Boston, a Alemanha ficou no 1 a 1 com o Paraguai e foi eliminada nos pênaltis, por 4 a 3.
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Os resultados chamam atenção pelas camisas envolvidas, mas o debate vai além do peso histórico de Brasil e Alemanha. Japão e Paraguai apresentaram organização, disciplina e clareza sobre como enfrentar adversários tecnicamente superiores. Entraram em campo sabendo
que não bastava resistir. Era preciso competir.
O Japão sustentou o resultado durante boa parte da partida e obrigou o Brasil a buscar novas soluções depois do intervalo. A Seleção Brasileira cresceu quando passou a explorar mais os cruzamentos e a presença de Casemiro na área, caminho que levou ao empate antes do gol decisivo de Martinelli.
O Paraguai seguiu uma lógica parecida contra a Alemanha. Mesmo pressionado por grande parte do jogo, manteve a defesa compacta, suportou a prorrogação e levou a decisão para um cenário em que nervosismo e preparo emocional passaram a ter o mesmo peso da qualidade técnica. O gol de Julio Enciso, a resistência defensiva e a eficiência nas cobranças transformaram a noite paraguaia em uma das grandes histórias desta Copa.
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Fim da tradição?
Isso não diminui a importância da tradição. Camisas como a do Brasil, da Alemanha, da Argentina, da França e da Itália carregam títulos, jogadores marcantes e uma pressão que poucos países conhecem. A questão é que esse passado não cria mais uma diferença automática dentro de campo.
A ausência da Itália ajuda a completar esse retrato. Quatro vezes campeã do mundo, a seleção italiana não conseguiu vaga para a Copa de 2026 e fica de fora do torneio pela terceira vez consecutiva. A eliminação nos pênaltis para a Bósnia e Herzegovina, ainda nas repescagens europeias, mostra como a história de uma camisa não protege uma seleção de crises técnicas, escolhas ruins e adversários cada vez mais preparados.

O futebol se espalhou. Jogadores de seleções antes tratadas como coadjuvantes atuam em ligas fortes, convivem com diferentes modelos de jogo e chegam a grandes torneios com mais experiência internacional. As comissões técnicas também evoluíram. Hoje, quase toda seleção chega a uma Copa com análise de vídeo, estudo detalhado dos adversários, preparação para bola parada e estratégias muito específicas para cada confronto.
A Copa de 2022 já havia mostrado esse movimento. O Japão venceu Alemanha e Espanha na fase de grupos. Marrocos eliminou Espanha e Portugal e se tornou a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal de Mundial.

A ampliação que abriu caminhos
Em 2026, a presença de 48 seleções ampliou ainda mais esse cenário. O torneio passou a ter 12 grupos, com os dois primeiros de cada chave e os oito melhores terceiros avançando ao mata-mata. A mudança abriu espaço para países que raramente chegavam ao principal palco do futebol.
Antes da Copa, o novo modelo foi recebido com desconfiança. Parte do público e de nomes ligados ao esporte temia que o aumento no número de participantes enchesse o calendário de partidas desequilibradas e com pouco apelo técnico.
Os primeiros jogos, porém, deram outros elementos para essa discussão. Cabo Verde, estreante em Copas do Mundo, conseguiu competir diante de seleções mais tradicionais e transformou sua campanha em uma das histórias do torneio. A África do Sul também encontrou espaço para surpreender e avançou ao mata-mata depois de vencer a Coreia do Sul.

Esses casos não encerram o debate sobre o formato nem eliminam as diferenças que existem entre as seleções. Eles mostram, porém, que a ampliação da Copa não colocou apenas figurantes em campo. Muitos dos países que chegaram pela primeira vez ou voltaram após longos períodos passaram a enxergar o torneio como uma oportunidade real de competir.
A camisa pesada continua existindo. Ela está na história, na confiança que um título constrói e no respeito que um adversário sente antes de a bola rolar. Dentro de campo, porém, a Copa exige respostas atuais. Quem não encontra essas respostas descobre rapidamente que reputação não segura resultado.
Imagem Detacada: Divulgação/Gerada por inteligência artificial


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