Recentemente, comecei a assistir essa série como quem não quer nada e à pedidos de uma amiga. Primeiro episódio achei sem noção, segundo foi “meio que engraçadinho”, terceiro foi ficando interessante e eu não queria assumir, até que chegou em um ponto em que eu não pude mais me enganar: QUE-SÉRIE-MARAVILHOSA.

“Crazy Ex-Girlfriend” conta a história de Rebecca Bunch, interpretada pela sensacional e hilária Rachel Bloom (que eu desconhecia até então), uma advogada inteligentíssima e de sucesso que esbarra com um ex-peguete da infância de passagem em Nova York e decide largar toda a sua vida e carreira para se mudar para uma cidade pequena da Califórnia – onde o dito cujo mora, lógico. Ela então arranja um emprego na sua área que paga bem menos e passa seus dias com sua nova melhor amiga Paula bolando mil e uma maneiras de reconquistar esse boy magia que, obviamente, já tem namorada. Enfim, já viu né.

É tosco? Óbvio que é. Foi exatamente o que eu pensei ao ler a sinopse e ver os primeiros episódios, porque a ideia é tão absurda que você realmente acha sem noção de cara. Mas quando você compreende a genialidade da série, é aí que o vício começa.A série é nada mais nada menos que uma sátira de absolutamente todas as comédias românticas já vistas e sonhadas por nós. Ela tem a incrível capacidade de ironizar cada pequeno aspecto desses clichés tradicionais de uma forma tão sutil que você consegue enxergar o quão ridículo são algumas situações que esses filmes nos propõem.

E o melhor de tudo: a série é musical! Ah, mas não é qualquer musical não. Cada letra e melodia foi muito bem pensada, pois elas representam exatamente o que as músicas realmente querem dizer, como se fossem as entrelinhas jogadas na sua cara sem dó nem piedade.

A produção traz excelentes atores (a maioria hilária, por sinal), um ótimo timing de piadas e, de fato, uma história muito boa a partir do momento em que você compreende e aceita a ideia no seu coração.

Óbvio que não é todo mundo que vai curtir, mas eu realmente super recomendo e estou aguardando ansiosamente a próxima temporada no Netflix.

Por Júlia Bockmann