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CríticaFilmes

Crítica (2): Colossal

Avatar de Rodrigo Chinchio
Rodrigo Chinchio
4 de maio de 2017 3 Mins Read

18222063 1685984458362628 1089577899002409894 nA Hollywood de hoje está abarrotada de filmes de super-heróis, de monstros e robôs gigantes. Quase todos eles, além do entretenimento, tentam trazer ao público discussões humanas e sociais, como “King Kong” e os filmes da Marvel. O raro é o aprofundamento desses temas, ou mesmo a demonstração real das consequências deles. Talvez, em uma superprodução, eles fiquem em segundo plano ao entretenimento. O que não é o caso de produções independentes, como no recente “Colossal”.

O filme do desconhecido Nacho Vigalondo começa como uma típica produção independente. Ele mostra o relacionamento desgastado da alcoólatra Gloria (Anne Hathaway) com seu namorado Tim (Dan Stevens, de “Legion”) na cidade de Nova York. Ele, não aguentando mais as inúmeras vezes em que ela chega em casa depois de noites de bebedeira, a expulsa. Sem onde morar, Gloria volta a sua pequena cidade natal, onde vivia na infância com seus já falecidos pais. Após a chegada à cidade e o encontro com o antigo colega de escola, Oscar (Jason Sudeikis), um mostro se materializa na cidade de Seul, na Coréia do Sul, causando destruição e mortes.

A partir desse momento, o roteiro cria um paralelo entre as atitudes de Gloria com as do monstro. O que faz com que seus movimentos em um certo ponto do parque da cidade sejam copiados pelo monstro na Coréia. Ela é seguida de Oscar, que tem seus movimentos associados a um robô, que também se materializa na cidade asiática. A violência das atitudes de Glória é demonstrada por inteiro na figura do monstro e a responsabilidade dos seus atos ganha vigor por causa do impacto que a criatura causa.

Apesar de contar com alguns momentos de humor, o roteiro é apoiado em tensão. Os personagens passam a medir suas atitudes, com medo das consequências. Anne Hathaway entrega uma performance contida, mas que parece guardar tristeza e dor dentro de si. Já Jason Sudeikis consegue ir do encantador ao ameaçador no intervalo de algumas cenas. Como em um bom filme independente, a direção é minimalista quando se trata nas cenas na pequena cidade, sendo até mesmo acadêmica em vários momentos, só mudando o foco para o grandioso quando o monstro e o robô são mostrados. Mas, não espere grandes cenas de luta ao estilo de “Pacific Rim”, já que muitas delas ficam subentendidas, estando de acordo com o a proposta do roteiro, que é explanar condições tipicamente humanas. Também, é Claro, que grandes cenas de luta demandariam um maior orçamento, o que os produtores certamente não dispunham.

18192692 1685984715029269 1597408599222659524 o

A construção da jornada do herói é evidente e realizada com competência. O roteiro acerta em não transformar a história em um filme catástrofe e coloca seus personagens e os espectadores paradoxalmente com os pés no chão. Os efeitos visuais são econômicos mas de boa qualidade, nunca estragando a experiência de quem espera ver convincentes monstros e robôs na tela. Os efeitos são partes importantes do enredo e não apenas enfeites bonitos de serem vistos.

“Colossal” será lançado apenas em junho e precisará de uma boa campanha de marketing para levar as pessoas ao cinema, já que não é um filme de grande apelo comercial, mesmo tendo em sua história os citados monstros e robôs. Será uma pena se o filme não for bem recepcionado, já que se trata de uma pérola que usa ideias já vista em outros lugares, modificada aqui e ali para a entrega de um resultado inspirado, criativo e que possui voz própria.

O cinema precisa de sopros de criatividade e por vezes esse sopro parte dos filmes independentes, que geralmente são feitos com mais paixão do que dinheiro. Vale a pena conferir!

 

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Rodrigo Chinchio

Rodrigo Chinchio é colaborador da Woo! Magazine, onde escreve sobre cinema com a autoridade de quem se formou cinéfilo garimpando pérolas nas videolocadoras. Especialista em encontrar filmes que o algoritmo jamais recomendaria, mantém em seu quarto uma coleção de Blu-rays e DVDs que rivaliza com qualquer acervo físico do país, e que ainda o impede de ver a própria cama.

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