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Crítica

Crítica (2): Suprema

As mulheres lutam por igualdade desde o início da sociedade dita desenvolvida. Em uma batalha constante por reconhecimento e manutenção de seus direitos – não querem mais direitos, apenas equiparação – as derrotas são diversas, mas as vitórias são grandiosas, devido à dificuldade dos obstáculos que enfrentam no caminho. Quantas histórias já foram contadas sobre ícones femininos que quebraram paradigmas, que mudaram a história? De fato, são diversas, porém, parece que a grande revolução nunca chega, e o machismo, o sexismo e a misoginia sempre saem vitoriosos. Felizmente, elas nunca param de lutar, e de pouco em pouco subvertem regras que teimam em perdurar. Por isso, cada uma daquelas histórias serve para a geração do presente e para a do futuro, e o futuro, com certeza, se apropriara da vida de Ruth Bader Ginsburg.

Em Suprema, Ginsburg (Felicity Jones) é uma brilhante estudante que consegue uma das primeiras vagas para mulheres na prestigiada faculdade de direito de Harvard. Ela segue os passos do marido, Martin D. Ginsburg (Armie Hammer), um veterano no curso. O ano é 1956 e os EUA está em ebulição devido ao início da guerra do Vietnã. Há inúmeros protestos contra o conflito, basicamente liderados por jovens que veem um país quebrado ideologicamente e que não respeita os direitos civis de seus cidadãos. As mulheres naquele ano representam – de acordo com dados apresentados no filme – 51% da população, no entanto, são tratadas como se fossem uma minoria relegada a trabalhos de empregadas domésticas, secretarias ou donas de casa. Esse é o caso de Ruth, que, mesmo estando no mesmo patamar do marido ou até em nível superior em relação ao conhecimento do direito, não consegue trabalho em um grande escritório após se formar. Na verdade, ela não consegue em nenhum escritório, tendo que dar aula em uma universidade, enquanto ele desfruta de grande prestigio na área.O marido não é o problema no filme dirigido por Mimi Leder, já que se trata de um homem que entende a igualdade entre os gêneros e que luta para que sua mulher tenha o destaque que merece. Outros, como o reitor Erwin Griswold (Sam Waterston) e o professor Brown (Stephen Root), tentam pressionar Ruth para que ela largue o curso e devolva a vaga para algum aluno do sexo masculino que não conseguiu passar no processo. Essa pressão é bem desenvolvida por Leder em sua direção e mise-en-scène. Basta notar a primeira sequência, onde Ruth caminha com sua roupa azul no meio de uma multidão de homens de preto, ou quando ela é cercada por vários deles em um elevador. Os homens estão em toda a parte, tirando o seu espaço. Mesmo a altura do marido é um fator de opressão quando os dois são enquadrados frente a frente. Ela pequenina e ele um gigante.

Se a direção apresenta conceitos interessares, o roteiro não sai do comum, mesmo que seja emocionante ver todo o trajeto de vitória de um ícone da justiça norte americana. Há o básico arco de aprendizagem da personagem com seus obstáculos, derrotas e vitórias. A conclusão é evidente por se tratar de uma história baseada em fatos, o que não tira o prazer de presenciá-la em sua importante mensagem feminista. Se antes os homens perseguiam Ruth, agora eles a seguem em uma bela cena onde ela sobe as escadarias da suprema corte olhando determinada para cima, em direção à câmera em plongée. Em seu discurso final, seu rosto enche a tela, e a fabulosa Felicity Jones pode usar todo o seu talento para fazer com que a plateia segure o folego e escute com a atenção o que aquela poderosa mulher tem a dizer.

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Fotos e Vídeo: Divulgação/Diamond Films

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Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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