Um Suspense Para Ser Clássico

No dia 15 de outubro, os cinemas nacionais receberão mais um possível clássico assinado pelo aclamado diretor Guillermo del Toro. “A Colina Escarlate” (Crimson Peak), marcará o retorno do diretor aos filmes de multigêneros (suspense, drama, fantasia) desde “O Labirinto do Fauno”, em 2006.

Custando cerca de 70 milhões de dólares, del Toro mais uma vez nos surpreende com a qualidade de sua produção, focada não só no grandioso, mas nos pequenos detalhes estéticos que deram uma atmosfera fabulosa ao resultado final. O diretor, mais uma vez, prova que é um excepcional criador e profissional e, mesmo não sendo uma história diretamente sobre fantasmas, consegue unir o drama pessoal dos personagens com o sobrenatural.

No filme, a família Sharpe, Thomas (Tom Hiddleston) e Lucille Sharpe (Jessica Chastain) vão aos Estados Unidos em busca de investidores para a produção de uma máquina capaz de recolher uma gosma vermelha encontrada na Colina Escarlate, onde moram. Nessa viagem, eles conhecem Edith Cushing (Mia Wasikowska), uma jovem escritora, que quer publicar seu livro sobre fantasmas. Ela se apaixona por Thomas e casa-se com ele, com isso a família Sharpe volta à sua casa com o dinheiro necessário para continuar seus planos.

Indo aos fatos, “A Colina Escarlate” é um bom filme mas, o Design de Produção junto com a direção de del Toro supera as atuações que são promissoras, porém, a beleza do horror fala mais alto.

A mansão construída para o filme é tão rica em detalhes que até um espectador leigo ficará impressionado. Sem fazer tomadas externas da locação, é possível ver a mudança do clima, uma vez que parte do teto da mesma desabou. A destreza e qualidade com que é apresentado o cenário, e também o próprio figurino, lembra muito a essência apresentada em “O Labirinto do Fauno”, e isso são quase 10 anos.

Antes de falar das atuações, vamos esclarecer a nossa surpresa e inquietude ao ver os fade-outs utilizados pelo diretor. Utilizando sempre um ponto especifico, tela vai escurecendo em foco como em antigos clássicos do horror/terror.

Imagem: Divulgação/Universal Pictures

Tom Hiddleston, como Thomas, nos convence com sua sombria sedução, e isso vem desde quando fez “Loki” em Thor (2011). A possibilidade de frieza e emoção, associadas à uma ótima presença, faz Tom se destacar, mas inevitavelmente a imagem do outro personagem citado pode vir em mente. Mia Wasikowska tem uma capacidade de fazer a mocinha perdida de forma impressionante, tão vulnerável que você pode ficar em dúvida se torce ou não por ela. Afinal, nem todo mundo gosta de personagens assim. Talvez o destaque do filme fique com Jessica Chastain, com seu olhar e seu silêncio e perturbador. Ela dá vida a um personagem tão frio e sexual, com traços de sociopatia de forma leve e bem pontuada. O elenco conta ainda com nomes como Charlie Hunnam e Jim Beaver.

“A Colina Escarlate” não é um filme de muitos sustos e alguns espectadores podem não se assustar nenhuma vez, mas se ocorrer é o resultado do casamento perfeito entre direção, edição e da delicada e potente trilha composta por Fernando Vélazquez.

Agora, o que particularmente esperamos é que del Toro continue fazendo trabalhos com esse estilo peculiar e em menos tempo, onde um blockbuster supera sua posição e adquire a marca de arte cinematográfica.


Imagens e vídeo: Divulgação/Universal Pictures


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Paulo Olivera

Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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