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CríticaFilmes

Crítica: A Freira

Avatar de Deivid R. Purificação
Deivid R. Purificação
6 de setembro de 2018 3 Mins Read

a freira 1

É interessante ver como a ideia de se manter um universo coeso de filmes dominou Hollywood e mais interessante ainda, é ver suas diferentes abordagens e como as mesmas beneficiam ou prejudicam cada franquia. “A Freira” é um excelente estudo de caso, já que compartilha o mesmo universo de filmes como “Invocação do Mal 2” e “Annabelle”, mesmo assim isso não faz quase nenhuma diferença para o filme, além das pessoas poderem apontá-lo e dizerem: “ah esse filme é do mesmo mundo que ‘Invocação do Mal”.

Presa em um convento na Romênia, uma freira comete suicídio. Para investigar o caso, o Vaticano envia um padre assombrado e uma noviça prestes a se tornar freira. Arriscando suas vidas, a fé e até suas almas, os dois descobrem um segredo profano e se confrontam com uma força do mal que toma a forma de uma freira demoníaca e transforma o convento em um campo de batalha.

Um dos grandes desafios que um universo expandido leva para um filme de terror, é  trazer de volta recursos já usados e outros novos sem soar repetitivo ou desrespeitoso com o que já foi pré-estabelecido. Algo que o diretor Corin Hardy faz muito bem, trazendo um uso eficiente de reflexos, desfoque (o qual ele usa magistralmente para criar dúvida de que freira estamos vendo) e um criativo trabalho de  movimentação de câmera, que faz um movimento de vai e volta em torno das personagens e soa quase como um alarme visual para os Jump Scares. Só é uma pena que os mesmos sejam dolorosamente telegrafados (isso é visível já nos seus primeiros cinco minutos).

a freiraE se os Jump scares são previsíveis, o roteiro não ajuda muito com suas situações tão previsíveis quanto, e falta de consequências das mesmas. Chega a ser cômico a quantidade de vezes que as personagens do filme passam por uma situação de quase vida ou morte, mas na cena seguinte estão não só intactos fisicamente, mas também psicologicamente. Isso não só quebra parte da tensão em dados momentos (afinal se não há consequências, nem perigo real tem) como também acaba por prejudicar o arco de alguns personagens. Isso pode ser facilmente notado no arco do Padre Burke, que apesar de estar constantemente sendo assombrado pelo grande trauma de sua vida, não tem nenhuma mudança significativa, o arco só existe para que o  filme tenha outros jeitos de nos assustar.

O elenco, apesar de sofrer dos problemas citados acima, é bem funcional, Taissa Farmiga consegue passar bem o ar de inocência e um grande senso de interesse, algo que aliás é muito bem estabelecido visualmente pela direção, no qual, na sua primeira aparição, ela está coberta pelo sol enquanto questiona a alguns aspectos da religião, enquanto uma freira mais velha a observa  coberta por sombras. Jonas Bloquet é o melhor integrante do elenco, seu arco apesar de superficial, se torna interesse pela sua interpretação, que consegue variar do cômico ao “galã”, sempre na dosagem correta. Já Demián Bichir, sempre parece estar calado demais para um homem com a sua suposta experiência.

Mas apesar de seu roteiro fraco e de seus Jump Scares previsíveis, “A Freira” funciona bem visualmente e tem uma boa atmosfera de terror, que somado a um elenco carismático, faz o filme não só fugir do status de  “mais um genérico da sua franquia”, como também ganhar um brilho próprio, para que o público possa apontar com ânimo e dizer “ah!! esse filme é do mesmo mundo que Invocação do Mal”.

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filme de terrorhorrorInvocação do MalJames Wan

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Deivid R. Purificação

Cinéfilo assíduo desde que se conhece por gente,e um amante da nona arte. É da linha de David Lynch que acredita no potencial onírico das artes.

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