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Crítica

Crítica: A Lei da Noite

De tantos filmes que esse tema já rendeu, sobre Gangsters, que podem ser considerados um gênero específico. Até porque algumas das maiores obras-primas do cinema, e os mais aclamados diretores, são justamente desse gênero.

“A Lei da Noite” se inicia logo pós a I Guerra Mundial com seu protagonista Joe Coughlin (Ben Affleck), fazendo um breve relato de sua participação como soldado e em seu regresso aos EUA para se tornar um assaltante. Inicialmente, o cenário da máfia que disputava o tráfico de bebidas proibidas pela Lei Seca é o pano de fundo que irá mudar a vida de Joe.

Em paralelo à sua vida de crime, ele está envolvido com Emma Gould (Sienna Miller), a amante do Chefão Albert White (Robert Glenister). Apesar de seu discurso de que não quer se envolver com os gangsters de Boston, Joe é reconhecido por suas habilidades e acaba sendo convidado a aderir às “famílias”, tanto de Albert, quanto do Chefão italiano Pescatore. Ao dar as costas a ambos o jovem se vê em maus lençóis, pois sua relação com Emma é dedurada fazendo com que Albert lhe dê uma surra e o deixe para ser preso pelo assassinato de policiais.

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Sua pena é atenuada pelo pai Thomas Coughlin (Brendan Gleeson), que faz parte do alto escalão da polícia de Boston. Ao sair da prisão, decide se vingar de White, e para isso vai se aliar ao Chefão inimigo. Graças a uma oportunidade que o leva a comandar os negócios de Pescatore na distante e ensolarada Flórida, Joe consegue reconstruir sua vida com o apoio do Chefe de Polícia Figgis (Chris Cooper). Mas as coisas vão começar a dar errado quando a Ku Klux Klan passa a intervir nos negócios e Loretta Figgis (Elle Fanning) se converte em uma religiosa fanática que prega contra as obra de Joe na construção de um cassino.

“A Lei da Noite” foi adaptado do livro escrito por Dennis Lehane, e teve o roteiro escrito pelo próprio Ben Affleck. A trama é complexa, composta de diversos personagens que vão e vem. De modo geral a narrativa é bem estruturada e foi valorizada pela boa montagem do filme, mas o roteiro tem alguns problemas. Primeiramente porque, apesar de muitos personagens importantes, tem um protagonista egocêntrico demais. Joe domina a tela e não deixa espaço para os demais personagens evoluírem. Esse problema é potencializado quando se constata que Ben Affleck não tem a capacidade de absorver um personagem tão forte e carregar o filme nas costas.

Outro problema do roteiro é que alguns plot twists são um tanto óbvios, perdendo o impacto que poderiam ter sobre os telespectadores. Por fim, o filme vai bem durante o início e meio, mas se perde no III Ato quando se descaminha para situações melodramáticas e discursos moralistas que soam desconectados. Ah, o personagem Digger ficou um pastiche mal acabado do Joe Pesci.

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A direção, também de Affleck, é boa e consegue contar a complexa história de forma dinâmica e atrativa na maior parte do tempo, sem se perder em meio a tantos personagens. A fotografia de Robert Richardson, tem bons momentos como a bela iluminação alaranjada da Flórida, criativos takes em clima noir e ótimos enquadramentos em cenas de tensão. A direção de arte é caprichada tanto na construção dos cenários quanto dos figurinos da década de 1920, compondo uma ótima construção com a fotografia que mostra muitos ambientes internos e externos. A trilha sonora se arrisca com algumas canções de Jazz e Blues nos momentos certos e se vale de orquestração nas cenas dramáticas.

Tecnicamente “A Lei da Noite” é um filme bem intencionado e bem construído, diria até bem ousado da parte de Affleck. Mas, na prática, ele não empolga. Falta alma. Ou até mesmo um Michael Corleone,  Sam Rothstein, Al Capone e Tony Montana. Em um gênero que entregou algumas das maiores obras-primas do cinema, é impossível não fazer comparações com os mestres Copolla, Scorcese e De Palma. Os personagens deles se tornaram icônicos, não só porque foram interpretados por grandes atores, mas, porque os respectivos roteiros lhes deram profundidade e personalidade, algo que está em falta atualmente em Hollywood.

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Tercio Strutzel ama ler, escrever e desenhar histórias em quadrinhos. Foi editor do fanzine Paralelo, mas hoje quase não consegue tempo pra desenhar. Se especializou em Presença Digital, mas tem diversos projetos fervilhando na mente. Está sempre em busca de atividades culturais por São Paulo. Também é serial reader de Ficção, Fantasia e Terror e viciado em séries.

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