Connect with us

Hi, what are you looking for?

Crítica

Crítica: Aspirantes

Em uma narrativa singular – ainda que deixe a desejar em certos pontos – “Aspirantes” de Ives Rosenfeld aporta também no Festival do Rio. Trazendo a inveja como temática desse drama, Rosenfeld narra através das agruras da vida de Júnior (Ariclenes Barroso), como alguém pode ir ladeira abaixo quando se deixa levar por um sentimento tão ruim.

Júnior e Bento (Sérgio Malheiros) são melhores amigos e jogam pelo Bacaxá Futebol Clube. Residentes na pequena cidade de Saquarema, ambos têm uma vida bem diferente, mas são unidos no amor pelo clube. Sendo, quase sempre o aporte um do outro.

No entanto, Bento é a estrela do time e foi convidado para participar de um clube grande. Está com os dias contados para sair de Saquarema e mudar de vida. Ao passo que Júnior mora com um tio que é alcóolatra, trabalha descarregando caminhões em um mercado, e para piorar toda a situação, ainda tem que lidar com o fato da namorada, Karine (Júlia Bernat), estar grávida.

Advertisement. Scroll to continue reading.

Vivendo sob uma enorme pressão interna, nosso protagonista começa a mudar seu comportamento. Antes, visto como um cara amigo e companheiro. O tipo “pau pra toda obra”; Júnior mostra em cada nova atitude que não consegue lidar com o sucesso alheio. Não, quando cada vez mais sua vida parece piorar.

Ives Rosenfeld é carioca e graduado em cinema pela Universidade Federal Fluminense. Passou mais de dez anos dedicando-se à captação de som direto, até que resolveu engendrar-se de vez na vida como roteirista. E foi Aspirantes, seu primeiro longa, que lhe rendeu o prêmio de melhor direção no Festival do Rio de 2015.

Rosenfeld usou de recursos simples para a produção do longa. Gravado mesmo com o time de Bacaxá em Saquarema, podemos ver um cenário simplista e real. A fotografia é feita com as cores da cidade. O que deixa a película com certo ar de documentário e ao mesmo tempo aproxima o público do lugar comum.

Advertisement. Scroll to continue reading.

Os personagens estão sempre em primeiro plano. O faz com que o plano de fundo esteja sempre desfocado. Assim, vemos as reais mudanças de expressão no rosto de Júnior. Aliás, essa jogada com a câmera foi magnânima, porque são tantas as transformações – internas – de dito personagem, que em determinado momento achamos que é outra pessoa. O que – salientando desde já – fez da atuação de Ariclenes Barroso um verdadeiro marco nessa narrativa.

No entanto, algumas coisas não casaram bem. Certos diálogos ou situações parecem forçados. Às vezes éramos pegos com aquela sensação de que está faltando alguma coisa. Ou que algo ficou no ar e nós não captamos, ou até mesmo, foi feito às pressas para acabar logo. O que, óbvio, pode ser até proposital. Mas mesmo assim não colou.

O figurino é o mais simples e normal possível. Mas alguns detalhes nos chamam atenção. Tanto Bento, quanto Júnior carregam um cordão de prata (ou prateado, já que não é a mesma coisa) no pescoço. Entretanto, apenas Bento ostenta aquele brinco bem comum aos jogadores dos grandes times.

Advertisement. Scroll to continue reading.

E segue assim: Bento, o cara das noitadas nas boates e Júnior, o cara que vai resgatar o amigo completamente bêbado. Enquanto a estrela do time é sempre vista com roupas limpas e de marca, e tênis no pé; todo patrimônio de Júnior cabe apenas em uma mochila.

Outro ponto que talvez tenha deixado a desejar é que a obra não tem uma válvula de escape. Não tem um ponto cômico no qual expectador e plateia possam ter aqueles dois segundos de relaxamento. Então, a obra acaba por seu um pouco claustrofóbica. Mas como já mencionamos antes, isso pode ter sido meramente proposital.

Sendo o Brasil, conhecido como o país do futebol, quiçá esperássemos mais da obra. Que não é de todo ruim, mas que falha em alguns momentos que poderia ser cruciais. No entanto, o diretor sai detrás do grandes jogos e clássicos futebolescos e faz um excelente trabalho quando o assunto é retratar as verdadeiras faces dos bastidores do futebol. É uma boa pedida para quem deseja ver o que pode fazer a falta de perspectiva na vida de uma pessoa.

Advertisement. Scroll to continue reading.

Reader Rating0 Votes
0
6
Advertisement. Scroll to continue reading.
Written By

Érica nasceu no subúrbio do Rio de Janeiro, mas deveria ter nascido nesses lugares onde se conversa com plantas, energiza-se cristais e incenso não é só pra dar cheirinho na casa. Letrista na alma, e essa bem... é grande demais por corpinho de 1,55 que a abriga. Pisciana com ascendente E lua em câncer. Chora quando está feliz, triste, com raiva e até mesmo com dúvida. Ah! É uma nefelibata sem cura.

Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode ler...

Listas

Consideramos filmes que estrearam no Brasil em 2021 e não os seus anos de produção Não é uma tarefa fácil fazer uma lista de...

Crítica

A primeira adaptação da obra de Mauricio de Sousa em live-action com “Turma da Mônica: Laços” foi uma grata surpresa para os fãs dos...

Filmes

Confira abaixo uma lista com produções que falam sobre professores que foram muito alem da sala de aula. Outubro é um mês com várias...

Filmes

O thriller “O Silêncio da Chuva”, filme de Daniel Filho inspirado no romance policial de Luiz Alfredo Garcia-Roza, ganha data de estreia: dia 23...

Advertisement