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CríticaFilmes

Crítica: Belo Monte – Um Mundo Onde Tudo É Possível

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Convidado Especial
13 de abril de 2017 2 Mins Read

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Coração da Amazônia, riqueza natural, extensa biodiversidade. Foi nesse “cenário perfeito” que a obra mais polêmica do Brasil ocorreu. A construção da terceira maior  hidrelétrica do mundo (atrás apenas de, Três Gargantas – China e Itaipu -Brasil/Paraguai ), dividiu opiniões e devastou milhares de famílias que ali viviam, desmatando grandes equitares.

O projeto foi idealizado em 1975, com o nome Kararaô (depois mudado para Belo Monte em “respeito” aos índios) e, após muitos anos, foi concretizado. Sua inauguração ocorreu em maio de 2016, sob muita revolta.

A região escolhida foi o Norte do Pará, próximo à cidade de Altamira, no Rio Xingú, fronteira das maiores terras indígenas do Planeta. A missão era construir o que viria a produzir uma parte da energia que o país necessita. O grande detalhe, que não gerou grande importância para os idealizadores do projeto, é que a floresta deu lugar a diversas máquinas, gigantes canteiros de obras e inundou uma enorme área, fazendo uma grande barreira de cimento que parou o curso do Rio Xingú.

O impacto da costrução de Belo Monte teve proporções enormes, no documentário “Belo Monte – Um Mundo Onde Tudo é Possível”, o retrato de moradores despejados, tendo suas casas demolidas, índios perdendo seu habitat natural, árvores desmatadas, animais estressados com o barulho das obras, e o rio, que acabou sendo poluído, mostra a pouca importância que as autoridades tem com o meio ambiente, acreditando que as obras são necessárias e trarão benefícios.

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Mais de 200 mil pessoas foram afetadas pelas obras de Belo Monte. Muitas, migraram para o local em busca de trabalho, o que ocasionou um aumento muito rápido da população e, com isso, mais violência, tráfico e consumo de drogas. Índios, que tiravam seu sustendo das matas e do rio, se viram obrigados a buscar emprego e viver uma rotina completamente diferente de seus costumes.

O roteiro conta com diversos depoimentos de moradores, do padre da região (que acabou sendo jurado de morte), ouve a opinião de jornalistas sobre o caso, mostra a resistência de aldeias indígenas e a pouca importância de engenheiros que “tocam” a obra, para a destruição da floresta.

A belíssima fotografia, em maior parte, engrandece a natureza da região, com incríveis imagens da floresta amazônia. Mas também mostra o gigante desmatamento do local. A trilha sonora ajuda a enaltecer as imagens, com arranjos instrumentais que acompanham cada cena, seja durante o confronto dos índios com responsáveis pela obra, seja em momentos mais leves, com imagens da natureza antes do desmatamento.

O diretor Alexandre Bouchet, procurou abordar no documentário, através de depoimentos dos próprios moradores da cidade de Altamira e de parte do Rio Xingu, onde viviam indígenas e ribeirinhos, o grande impacto que a hidrelétrica de Belo Monte causou, deixando uma reflexão para quem o assiste, de tamanha destruição, e da ganância da vida moderna.

O documentário chega hoje nos cinemas.

Por Bruna Tinoco

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