Crítica: Churchill

O filme de Drama/Histórico, estrelado por Brian Cox realizando um trabalho excelente na pele do estadista britânico mais importante da Segunda Guerra Mundial, acompanha as apreensões, medos e responsabilidades do político nos dias que antecederam a operação Overlord, responsável por iniciar a retomada da França da mão do exército alemão, que resultou na virada de jogo da segunda grande guerra, conhecido como Dia D, quando mais de 155 mil soldados, com o apoio de mais de 600 navios de guerra e milhares de aviões, desembarcaram na costa francesa em 6 de Julho de 1944.

O filme do diretor australiano Jonathan Teplitzky, que já não é um amador em filmes com temática de guerra desde seu último trabalho, “The Railway Man”, dá foco aos dias que antecedem este grande evento histórico sob a ótica do primeiro ministro britânico Winston Churchill, que sentindo o peso da responsabilidade e do risco de enviar tantos soldados para o desembarque nas praias da Normandia, tenta impedir que as forças armadas prossigam com o plano, tendo que lidar com o medo que a operação se torne um reflexo do fiasco de Gallipoli, uma operação anfíbia que resultou em desastre em 1915, durante a primeira guerra.

A obra retrata um Churchill diferente da usual figura implacável e indômita com o que este ficou conhecido, mas sim um líder que se sente acuado e que, com medo de não se fazer presente, busca inúmeras formas de participar das decisões do momento histórico retratado no filme, em oposição ao líder das forças armadas, general Eisenhower, interpretado por John Slattery, famoso pelo seu papel épico na série de TV, Mad Men. Ele ainda trata da relação conturbada entre Winston e sua mulher, Clemmie, interpretada de forma inspiradora por Miranda Richardson, que melhor do que ninguém, nos apresenta uma primeira dama forte, determinada e controlada, sendo a dose de firmeza e de razão que acompanham o protagonista durante seus dilemas e suas grosserias durante o enredo, sendo responsável por inúmeras das melhores cenas da trama. Além do mais, podemos ver a atuação inspiradora da jovem Ella Purnell, que interpreta a secretária do primeiro ministro britânico e sofre com o estado de tensão do chefe, que grita e braveja com ela quase o tempo todo. Ela casada com Arthur, um soldado embarcado em um dos navios que irão participar da operação Overlord.

Churchill conta com um trabalho de fotografia belo e assertivo, com praticamente todos os quadros sendo um deleite aos olhos e com uma trilha sonora, de Lorne Balfe, que condiz com o andamento lento do filme e ajuda a prender a atenção do público durante a sequência de longos e repetitivos diálogos. E ainda podemos ver as atuações formidáveis de James Purefoy.

O trabalho, porém, peca em manter o público preso pelos quase 100 minutos, repleto de muitos diálogos repetitivos sobre as apreensões de Churchill e sobre o papel dele como primeiro ministro britânico durante este evento decisivo da segunda grande guerra. O filme acaba lidando sempre com a mesma questão: A necessidade de Churchill de se sentir parte deste evento tão importante na guerra em contraposto a sua inaptidão de o fazê-lo. O bom trabalho de direção de Jonathan Teplitzky sobre os atores não é o suficiente para salvar a obra de ser cansativa.

O roteiro de Alex von Tunzelmann ainda deixa a desejar ao não aproveitar a atuação de grandes atores presentes no longa, como James Purefoy (Rei George VI) e Richard Durden (General Smuts), que possuem papéis minimizados em comparação à sua importância na trama e realizam um trabalho decente.

O filme, lançado na Europa no final de Maio, tem seu lançamento previsto para 5 de outubro deste ano nos cinemas brasileiros. Demorou um pouco, mas os espectadores brasileiros já já poderão conferir essa obra.


Por Yuri de Melo

Crítica: Churchill
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