O adorável mundo animal é tema já bastante explorado dentro de filmes infantis, sobretudo em animações. Retratando cachorros, gatos ou outros bichos mais incomuns, essa produção normalmente segue uma cartilha bem convencional de características e de modo com o qual o longa se desenrola. “Corgi – Top Dog” não é exceção, sendo fiel reprodução desse tipo de obra, que inclusive mantém as crianças enquanto público alvo. Vale mencionar que muitas animações dessas, embora foquem no público mais novo, também acabam atingindo adultos e pessoas de faixas de idade distintas. “Corgi” parece jogar tanto para um lado quanto para outro, embora foque no mundo dos pequeninos.

Para explicar melhor vale vale comentar da inserção de personagens reais como Donald Trump e a Rainha Elizabeth II que aparecem durante a projeção. Esse é o tipo de aspecto majoritariamente notado por indivíduos de mais idade. Se é uma história contada sobre os cachorros de estimação da rainha da Inglaterra, nada mais justo que outras famosas figuras do mundo real constem na produção. Todas elas retratadas de forma bem cômica, cartunesca. Em alguma medida, pode-se até dizer que são caricaturas, visto que as características físicas e mesmo de personalidade são exageradas. Assim, os seres humanos do filme fazem sentido dentro do universo de “Corgi”, que é lúdico e extravagante por natureza. A psicologia dos animais e dos coadjuvantes personagens humanos é aproximada, então, dentro de ambientes sempre muito coloridos e iluminados.

Apesar da boa jogada, “Corgi” não apresenta nada de muito valoroso em seus minutos de duração. Ainda considerando que se trata de um filme infantil, não desenvolve nenhum dos personagens sejam eles vilões ou mocinhos, e tampouco os secundários. Não existe ligação do espectador para com o corgi protagonista, que mesmo fofo, é vazio e é jogado dentro de um roteiro preguiçoso e simplista demais. No fim, o que se salva é a direção de arte, que consegue criar cenários eficientes e colori-los bem, com alguma criatividade. O uso de texturas e de expressões são convincentes e dentro da proposta do filme, coerente com o que ele pede.

“Corgi” certamente não vai agradar os adultos, por mais que tente, e talvez consiga encantar as crianças mais novas. É o resultado da confusa mistura de tons dentro da obra, ao não saber equilibrar os dois existentes. Uma pena que tenhamos esse potencial desperdiçado, já que corgis são fofos e carismáticos por natureza, bem como poderiam se encaixar melhor se houvesse maior sutileza nas referências pop e ao mundo real. De toda forma, não é absolutamente ruim e consegue divertir o mínimo pelo tempo que toma do público.


Imagem e Vídeo: Divulgação/Imagem Filmes


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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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