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CríticaFilmes

CRÍTICA: ELENA, de Petra Costa

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Convidado Especial
17 de novembro de 2016 2 Mins Read

elena-1000ELENA (2012) é um documentário brasileiro forte e emocionante, desses inesquecíveis que temos vontade de indicar para todos; uma história pessoal, sobre amor e perda, transportada para a tela de forma delicada e corajosa.  Mas, não é uma obra para qualquer espectador;  parafraseando Clarice Lispector,  ficaria feliz  se   este filme fosse visto apenas por pessoas de alma já formada. Aquelas que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente—atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar.

82 minutos de poesia, de sonhos, de prazer, de dor, de memória latente, de tristeza, de força poética, de vida e de morte, assim podemos descrever ELENA, dirigido por Petra Costa  e produzido pela Busca Vida Filmes.

No elenco, três mulheres ( Li an, Petra Costa e Elena Andrade). Através de vídeos caseiros feitos por Elena–guardados desde 1980–  , Petra nos apresenta  a infância ao lado da irmã  e da mãe ( Li an); o brincar de ser atriz, e o momento da partida.

No filme, somos guiados pelas vozes  e  olhares, de Petra Costa e Li an, uma espécie de camera-eye que captura a tristeza  ao mesmo tempo narra a história de Elena Andrade  , uma jovem brasileira que viaja para Nova York aos 20 anos, e cujo maior sonho era ser atriz de cinema.   Somado aos vídeos caseiros, temos o diário de Elena, as reportagens  e os depoimentos emocionantes  (de familiares e de amigos)  que serviram de memória viva para compor o roteiro  singular, assinado por Petra e  Carolina Ziskind.  O enredo não segue uma sequência cronológica, assim temos  uma mistura dos espaços ( interior e exterior), acentuando uma narrativa psicológica que traz à tona  flashs memorialísticos.

elena-2

A fotografia criou  uma atmosfera extremamente poética e adequada ao filme:   as cores e luzes da cidade de Nova York,   os movimentos aos poucos revelados ,  a forma como a paisagem é apresentada–   ora borrões ( como o esforço de lembrar), ora claríssima ( como as águas dum rio translúcido) merecem destaque.  ELENA foi exibido em diversos festivais, no Brasil e no exterior, recebendo importantes prêmios em onze, entre os quais o de melhor filme no Arlington International Film Festival (AIFF) – Estados Unidos ,  melhor documentário no Los Angeles Brazilian Film Festival e no Films de Femmes 2013.

O filme não se trata apenas de um documentário autobiográfico e de uma homenagem à memória da irmã mais velha, e sim da coragem de doar-se, de reviver uma tragédia pessoal e de colocar em cheque um assunto tabu em nossa sociedade: o suicídio. Dessa forma, elas, personagens reais, são para a obra o que o coração é para o corpo. As batidas são fortes, e aceleradas, a procura de um espectador sensível e corajoso para escutá-las.

Por Renata Ferreira

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