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CríticaFilmes

Crítica: Expresso do Amanhã

Avatar de Paulo Olivera
Paulo Olivera
1 de setembro de 2015 3 Mins Read
Quando o fim justifica os meios. Será?

Expresso do AmanhãDepois de quase 2 anos de espera o filme “Expresso do Amanhã (Snowpierce)” estreou nos cinemas brasileiros. Produzido em 2013 (Supostamente seria lançado no Brasil em 2014), mas só agora o filme desembarcou em terras brasileiras e mesmo assim em poucas salas. Com direção de Joon-ho Bong, tem no elenco Chris Evans, Jamie Bell, Tilda Swinton, John Hurt e outros grandes atores.

Quando cientistas criaram uma alternativa, que eles juravam que daria certo, para acabar com o aquecimento global, o experimento não funcionou e o planeta passou a viver em uma era glacial extremamente inabitável. Os poucos humanos existentes passaram a viver dentro de um trem que rodava todos os dias do ano, sem parar, por toda a terra e com pessoas que falam diversas línguas. Porém, como nem tudo são flores, dentro do próprio trem há classes sociais diferentes, que vivem de formas distintas dentro dele (das condições mais precárias às mais luxuosas). Então, um dos sobreviventes da classe pobre resolve comandar uma revolução para melhorar a sua vida e a dos demais que dividem o fundo do trem, o que acaba desencadeando uma série de acontecimentos letais e descobrindo a beleza e os mistérios de cada vagão.

Com uma direção sem muitas novidades, mas muito bem aplicada, Joon-ho consegue nos contar a história de forma prática e faz algumas cenas serem tão boas de assistir que são como um copo de água gelada no deserto (Você precisa tanto que não quer nem piscar enquanto absorve as informações).

Alguns efeitos deixam a desejar mas, passam despercebidos. A trilha, é simples e bem executada, colocada com perfeição em seus momentos ajuda a dar narrativa ao que é mostrado. A direção de arte e o figurino são bem desenvolvidos, esse último deixou um pouco a desejar, ao exagerar, na escolha de vestimentas para os ricos pois os mesmos ficaram escandalosos demais comparado ao dos personagens de maior importância na trama. Contudo, é compreensível a intensidade dada a essas figuras representativas.

Mas vamos falar das atuações. Quanto ao elenco, sinceramente, espero, ansiosamente, o dia em que o Chris Evans não será o “gostosão”, o “certinho”, o “par perfeito”. Mesmo ele estando imundo, maltrapilho, com cicatrizes, ainda consegue ser o herói seguido por muitos. Embora possa existir, é difícil compreender. Mas ainda acredito nele e um dia quero vê-lo ser cruel, ter uma redenção, sofrer de uma doença terminal, sei lá. Em um personagem que possamos falar: “O Chris Evans tá tão bom, como eu nunca vi antes!”. Mas no filme, ele passa. Diferentemente do que acontece com Tilda Swinton que, embora só apareça até a metade do filme, mantém uma interpretação mesclada entre algo bizarro, sombrio e brilhante. Se existe alguma atuação ruim dessa mulher, eu desconheço!

A caracterização, a voz, a postura, o jeito de olhar e falar, a ironia… Sensacional! E, ela só faz a porta voz/primeira ministra do expresso. Mais uma prova que um personagem pequeno pode ser maior do que um protagonista, quando bem feito.

Em um filme repleto de questões econômicas e sociais apresentadas nesse “tal” futuro pós-apocalíptico, é possível fazermos uma reflexão sobre tudo que vivemos no dia-a-dia. É inevitável não perceber a força e a influência pessoal do ser humano na vida dos outros, onde normalmente só enxergamos a nossa situação e tentamos nos ajudar, antes de ajudar ou pensarmos no próximo. Muitas atitudes tomadas são voltadas para a escolha particular de cada personagem que para manter sua fé acredita que isso é para um bem maior e será bom para todos. O que nos remete ao nosso título: O fim justifica os meios?

Engraçado, irônico, bem dirigido, questionador, com ótimas cenas de ação e com uma instigante história, o filme “Expresso do Amanhã” vale à pena ser assistido, para passar o tempo e/ou levantar questões pessoais de conduta. Se ainda não conhece o filme, confira o trailer e corra para o cinema mais próximo.


Imagens e video: Divulgação/Playarte

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Paulo Olivera

Paulo Olivera é mineiro, mas reside no Rio de Janeiro há mais de 10 anos. Produtor de Arte e Objetos para o audiovisual, gypsy lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, workaholic e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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