Um urso ainda mais caricato

O que difere uma pessoa de outra? O que um ser tem de melhor que o outro nunca terá? Cabe a quem decidir sobre raça, credo, cor ou opção sexual? – Perguntas como essas são indagadas todos os dias pela sociedade e a falta de respostas acaba causando muitos problemas em todo mundo.

Abusando um pouco dessa premissa, chega aos cinemas brasileiros este mês de agosto uma das continuações mais esperadas pelo público: “Ted 2”. A hilária história do ursinho de pelúcia que ganha vida graças ao pedido de seu dono retorna com quase todos os personagens que fizeram dela um sucesso absoluto porém, deixa a desejar em comparação ao seu antecessor.

O enredo aborda a vida de Ted, um ursinho viciado e desbocado (Ele adora fumar maconha e falar palavrões) que convive com seu melhor amigo John e sua noiva Tami-Lynn com quem pretende se casar. Logo após o casamento, percebe que a vida de casado não é nada parecido com o que esperava e o relacionamento entra em crise. Afim de não perder sua grande paixão ele decide ter um filho com ela mas, como não pode fazer sexo, eles precisam encontrar o doador perfeito ou optarem pela adoção. Porém, a mesma não é bem vista pelo governo que o considera uma propriedade. Em busca de seus direitos como cidadão, Ted e John se unem a uma advogada recém formada para provarem sua existência como de uma outra pessoa qualquer.

Com uma produção bem elaborada e auxilio de diferentes efeitos especiais, o filme tinha tudo para ser melhor que o primeiro mas fica a desejar por conta dos excessos de situações desnecessárias que fazem o filme perder o brilho e a comicidade.

O roteiro é fraco e exagera nos momentos emotivos, construindo uma narrativa clichê e sem essência. Os diálogos são repetitivos e maçantes, até mesmo para esse tipo de comédia. As cenas, muitas vezes, desconexas buscam engrandecer as personagens mas acaba transformando-os em figuras extremamente caricatas.

Seth Macfarlane assume, outra vez, o comando do filme como diretor e aqui ele mais acerta do que erra, em relação ao seu trabalho como também roteirista do filme. Alguns ótimos enquadramentos escolhidos por ele estabelecem uma relação perfeita com o publico em especificas cenas, como: o surto do personagem de Mark Walhberg ao consumir drogas (Talvez uma das melhores cenas do filme) e a outra belíssima na qual vemos Ted discutir com os vizinhos se debruçando na janela do apartamento.

O elenco retorna quase todo completo, tendo apenas a substituição de Mila Kunis por Amanda Seyfried que aporta um carisma muito maior para produção, criando uma excelente química com os outros personagens. Já Mark Walhberg se encaixa melhor nessa continuação, embora temos a sensação dele ficar menos tempo em cena e a produção perder com isso também. Seth Macfarlane dá voz ao urso Ted, pela segunda vez, trazendo segurança e veracidade a personagem.

“Ted 2” não é um filme excelente, mas também não é a pior comédia de todos os tempos. Peca pelos seus exageros e estereótipos, mas diverte como passatempo.


Imagens e vídeo: Divulgação/Universal Pictures


Apoia-se

Show Full Content

About Author View Posts

Avatar
Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelos universos da escrita e da atuação, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

Previous Pulp! com Helga Nemeczyk
Next Crítica: Expresso do Amanhã

Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close
Close
CLOSE
CLOSE