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CríticaFilmes

Crítica: Festa da Salsicha

Paulo Olivera
6 de outubro de 2016 3 Mins Read

“Porque filme ruim é bom pra caralho!”

Festa da Salsicha 01Se você tem costume de fazer download de filmes pela internet, provavelmente já viu em alguma legenda o título de nossa crítica. Até assistir “A Festa da Salsicha” (Sausage Party) a frase não fazia muito sentido, afinal filme ruim é ruim e ponto. Mas a animação para adultos prova o quão errados podemos estar.
 
A história criada por Seth Rogen, Evan Goldberg e Jonah Hill, numa brisa sinistra que preferimos nem saber de onde veio, foi roteirizada por Seth, Evan, Kyle Hunter e Ariel Shaffir. Em uma proposta além do surreal, porém, muito divertida, os alimentos veem os humanos como deuses, seres superiores, são escolhidos por eles e ir embora da prateleira do supermercado é o mesmo que ir para o paraíso, mas rapidamente eles descobrem que isso é uma mentira e que estão indo para a morte.
 
Com traços bem próximos de animações tridimensionais russas, o filme, com direção da dupla Greg Tiernan e Conrad Vernon, segue um certo padrão quando falamos de enquadramento. O maior enfoque é para planos mais fechados, uma vez que as histórias são de pequenos alimentos e dali era necessário extrair uma essência humanoide para eles, seja sendo dramático, cômico e/ou muitas vezes erótico.
 
É exatamente nesses traços que se torna visível uma relação de sexualidade ligada aos órgãos masculinos e femininos. Tal escolha é exageradamente trabalhada trazendo um texto sexualmente livre de qualquer “pré-conceito”, ainda que em determinados momentos isso possa se esgotar, para alguns espectadores.
 
Seth Rogen, que há algum tempo vem se destacando em comédias nonsense, se superou dessa vez de uma forma extremamente positiva, fazendo um filme ruim, mas estupidamente ousado, ser um dos melhores lançamentos para maiores dos últimos anos nesse gênero. Além de abusar de palavrões e expressões chulas, a proposta também faz pensar sobre a realidade ao seu redor.
t-exclusive-sausage-party
O primeiro fato é a liberdade sexual: O quão libertos somos sexualmente se uma das coisas que mais pensamos é literalmente em sexo? O segundo, é a eterna luta entre árabes e judeus, que brigam por não aceitarem conviver em harmonia, uma vez que suas culturas pregam coisas diferentes. E o terceiro, mas não menos importante: A nossa fé. Assim como os personagens acreditavam que o paraíso é o caminho, muitos de nós nos jogamos na vida esperando a “bondade” de Deus nos conduzir à um lugar melhor, sem pensarmos em fazer, no presente, o melhor para nós mesmos.
 
Com tanto humor e questões do gênero presentes no filme, para a versão brasileira, o elenco do Porta dos Fundos foi convidado para adaptar o texto e dublar alguns dos personagens ao lado de outros dubladores já tarimbados no mercado nacional, como Guilherme Briggs. O resultado não poderia ter sido melhor e até surpreendente. A adaptação ficou bem coerente com a proposta americana, dando a ela um humor bem baixo e brasileiro como muita gente gosta.
 
Bom, nem todo mundo. “A Festa da Salsicha” possui tantas piadas de mal gosto, mas que são engraçadas para alguém como que vos escreve, que pode sim fazer com que algumas pessoas se sintam ofendidas. Se você não gosta de coisas politicamente incorretas, talvez essa animação para maiores não seja o filme mais indicado. Porém, há tempos não se via um uma linha tênue tão perfeitamente trabalhada entre o que é esdrúxulo e engraçado. Eu ri.

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7.8
8.1

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Tags:

AnimaçãoComédia

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Me siga Escrito por

Paulo Olivera

Paulo Olivera é mineiro, mas reside no Rio de Janeiro há mais de 10 anos. Produtor de Arte e Objetos para o audiovisual, gypsy lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, workaholic e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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