7 de dezembro de 2019
 Eu não falos a línguas dos anjos mas costumo exorcizar meus demônios. Eles não possuem asas, porém, muitas vezes, sua imaginação é um passáro morto tentando nos levar para um mundo insólito cheio de sonhos secos e delirantes. E é nesse mundo que últimante eu vivo, rastejando meus pensamentos mais verdadeiros através de becos vazios que infiltram-se como memórias melancólicas e/ou espasmos de um corpo despedaçado fazendo de tudo para enganar o mais fraco dos humanos “caídos”.

Mas eu vejo através dos olhos destes desgarrados e percebo que nem mesmo eles são soldados competentes para derrubar-me, do contrário, sopram em minha direção o vento frio da conquista, que me faz olhar para trás e dizer sem falsa modéstia: Deixe estar.

Mergulho nestas águas tristes que tornaram-se o rio e analiso meu futuro, descobrindo que minhas lágrimas do passado colaboram para formar a mágica que ajuda-me a prever o futuro o qual pertenço. Triste?! Não, deixe estar! A tristeza passou por mim e degolou minha depressão, após cruelmente arrancar-me as vísceras que formavam minha própria pena. O medo podou os espinhos da roseira negra que cortava meu caminho, minha exatidão forneceu uma breve intolerância para minhas amargas atitudes e uma tolerância eterna para meus inimigos internos, porque os externos, deixe estar. Eles já estavam perdidos nesse redemoinho sem volta, tentar ajudar não adianta, serão sempre um passado merecedor de seu próprio sal, e suas amarguras o colar de diamantes que carrega o seu majestoso ego. Se ainda fossem verdadeiras as lembranças que incham esse ego mas, não, são apenas… deixe estar.

Isso, deixem estar e acreditem em mim, as sombras nasceram para estar sempre em segundo lugar, entretanto o abismo é mundano e sedutor, por tantas vezes silencioso. Se um dia perceberem que o caminho que se encontra segue essa direção, na qual o fascínio contraria a luz de seus olhos, deixem estar, o destino está lhe enviando uma mensagem e essa você não pode deixar.

 
(Fragmentos da peça “Memórias de uma vida cotidiana” de DS. Gravelli).
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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelos universos da escrita e da atuação, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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