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CríticaFilmes

Crítica: Han Solo: Uma História Star Wars

Avatar de Rodrigo Chinchio
Rodrigo Chinchio
16 de maio de 2018 4 Mins Read

32631021 1813132442080136 3320498268042952704 nO universo Star Wars possui um grande número de personagens que são extremamente amados pelos fãs, não se limitando apenas aos que aparecem nos filmes. No entanto, a grande unanimidade entre os aficionados da franquia espacial é Han Solo, que leva junto no pacote Chewbacca, Lando Calrissian e a lendária Millennium Falcon. Devido à grande habilidade de Harrison Ford em construir um personagem que é ao mesmo tempo charmoso e canastrão, Solo se tornou naquele coadjuvante que toma para si muitos momentos dos filmes e se sobrepõe aos protagonistas. O trapaceiro e contrabandista entrou para o panteão do cinema pop, e por isso Hollywood não poderia perder a oportunidade de contar a sua origem, mostrando o que antes só estava na imaginação coletiva (será que não seria melhor ficar só na imaginação?). Afinal, Star Wars começou sua reconstrução para a nova geração, a geração que não acompanhou as batalhas espaciais feitas em maquetes porGeorge Lucas.

Quando foi anunciado, “Han Solo: Uma História Star Wars”, deixou muitos sem dormir por causa da pergunta que martelava em suas cabeças: quem seria capaz de substituir ou, no mínimo, emular Harrison Ford? Talvez isso não fosse possível. A situação só piorou com os problemas que a produção enfrentou quando a Disney decidiu afastar os diretores Phil Lord e Chris Miller pelas famosas “diferenças criativas”, colocando em seus lugares o discreto Ron Howard. Outro percalço foi levantado quando rumores apontavam que o ator escolhido para a empreitada Alden Ehrenreich não conseguia atuar, sendo necessário a contratação de professores para ajudá-lo no set. Profissionais da indústria informaram que a contratação de professores é relativamente comum em grandes produções, para que ajudem os atores a acharem o tom pretendido pelos diretores e não por falta de capacidade profissional. Essa informação e o aparente suporte de Ford amenizaram a pressão sobre o jovem Ehrenreich.

Depois de todo o falatório, chegou a hora de conferir o resultado, em aproximadamente duas horas e meia de projeção. Pode parecer um filme longo, mas o tempo nem se faz notar nos momentos de ação encabeçados por Ehrenreich; que dá conta do recado na pele do herói, assim como Ron Howard também o faz na direção de um dos filmes de origem mais contestados dos últimos anos.32894472 1813132468746800 5821212009424748544 oHoward constrói sua narrativa jogando seus personagens na lama dos lugares mais asquerosos do universo. Sua câmera passeia nos becos escuros, em meio a criaturas que superam em estranheza todas que já foram mostradas na franquia. Miséria e escravidão são normais nesses mundos dominados pelo império, que ainda a não tem a oposição dos rebeldes e seu senso de justiça.   Solo Vive nesse caos e só pensa em ganhar dinheiro para comprar uma nave e fugir com a sua amada Qi’ra (a competente e bela Emilia Clarke). Para isso ele irá a o front de batalha, depois que se alista no império – onde achava que poderia realizar seu sonho de virar piloto – e se aliará a um bando de ladrões liderados por Beckett (do sempre ótimo Woody Harrelson). A iluminação escassa em alguns momentos aliada a escolha de cores como o cinza e o preto dão um ar de melancolia ao longa, o que não tira dele a atmosfera aventuresca  em sequências bem executadas por Howard, que tem a ajuda  na  edição do experiente Pietro Scalia para  não deixar o espectador se perder nos cortes rápidos em meio aos  tiroteios de blasters.

Como dito, Ehrenreich convence como protagonista e consegue dar alma a um Solo com ainda pouca experiência na vida de pirata. Acertadamente o ator não copia bruscamente os trejeitos ou a forma de falar de Harrison Ford. Ele constrói a sua persona gradualmente até o final do filme, deixando transparecer uma característica de cada vez. Claro que as frases clássicas dão as caras, mas não gratuitamente. O encontro com o inseparável Chewie é emocionante, assim como a disputa pela recém-saída da fábrica Millennium Falcon com Lando Calrissian (Donald Glover, apenas fazendo o que pode com suas linhas de roteiro). Um ponto que pode afastar muitos do cinema é a ausência de Jedi. Para aqueles que gostam exclusivamente de Star Wars por causa das emocionantes lutas de sabres de luz, será estranho não os vê-las na tela.

Independente de tudo que foi noticiado ou da reação futura dos fãs mais xiitas, é preciso dar o braço a torcer e louvar a Disney por ter criado uma história humana e sensível de um ícone que antes era intocável e que pertencia a um grande astro. Claro que não se trata de uma obra prima, mas é bem acima das expectativas dos mais pessimistas. Com certeza uma continuação foi planejada, pelo rumo dos personagens mostrado no ato final, só irá depender da recepção nas bilheterias. Possivelmente fará sucesso e convencerá a todos que essa é sim uma história relevante, mesmo não tendo Darth Vader, Leia e Luke Skywalker.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Walt Disney Studios/Lucas Film

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Rodrigo Chinchio

Rodrigo Chinchio é colaborador da Woo! Magazine, onde escreve sobre cinema com a autoridade de quem se formou cinéfilo garimpando pérolas nas videolocadoras. Especialista em encontrar filmes que o algoritmo jamais recomendaria, mantém em seu quarto uma coleção de Blu-rays e DVDs que rivaliza com qualquer acervo físico do país, e que ainda o impede de ver a própria cama.

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