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CríticaFilmes

Crítica: Horas de Desespero

Avatar de Paulo Olivera
Paulo Olivera
6 de outubro de 2015 3 Mins Read
A crueldade humana mais uma vez nas telas

Horas de Desespero 1Lançado em agosto deste ano, “Horas de Desespero” (No Scape) prepara-se para estrear em terras brasileiras. Mas já podemos dizer que não há muita novidade vindo por aí, não.

Ambientado em um país que faz fronteira com o Vietnã (pode ser o Laos, o Camboja ou até mesmo a China, já que não há referência clara), conta a história de uma família americana que se muda para lá em busca de um futuro melhor, uma vez que o patriarca foi contratado para um bom cargo em uma empresa local em crescimento.

A família de Jack (Owen Wilson) e Annie (Lake Bell) mal chega ao país e já se depara com um golpe de estado, a partir do qual todos os estrangeiros passam a ser perseguidos e assassinados cruelmente. Eles, então, precisam correr contra o tempo para se salvarem.

Com o roteiro assinado pelos irmãos Drew Dowdle e John Erick Dowdle, que também assinam a direção, o filme nos dá uma imensa sequência de ação e aflição mas, sem muitos diálogos interessantes sobre a realidade humana vivenciada. É como se o objetivo fosse correr e explodir tudo e, em poucos momentos, haver uns míseros diálogos para preencher lacunas e não deixar a interpretação textual tão aberta.

Ao contrário do roteiro, a direção tem momentos memoráveis com quatro planos inesquecíveis durante todo o filme. Por ter dirigido filmes de terror e suspense, como Devil (2010) e Quarentena (2008), John consegue fazer o espectador manter a concentração na narrativa e, também, sentir um pouco da loucura e frustração presentes.

Fazendo alguns leves spoylers, as melhores cenas são quando um homem corta a sua própria garganta e enxergamos apenas sua sombra através de uma cortina branca que vai ficando vermelha com seu sangue.

Outra cena memorável é quando a família se junta a outros turistas no telhado acreditando que ali estariam a salvo até a ajuda chegar. Jack, Annie e suas duas filhas no colo, são enquadrados de forma tão bem feita que chega a ser um prêmio aos nossos olhos depois de algumas cenas foras de foco no início do filme.

Horas de Desespero 3

Talvez pelo personagem principal ser o Owen, houve uma preocupação maior para que ele não fosse ele mesmo, como nos filmes de comédia e comédia romântica que o tornaram mundialmente famoso. Mas, isso não acontece.

A talentosa Lake foi um pouco esquecida e apagada no longa. Seus melhores momentos são também as duas outras cenas memoráveis do filme onde, em uma delas, ela sofre uma tentativa de estupro, tão entregue, bem dirigida e impactante que sufoca tanto quanto a realidade. Assim como quando sua personagem vê seu marido matar um homem para salvar sua família. Enquanto ela está com uma iluminação de cores quentes, uma excelente escolha para mostrar o ‘calor’ da emoção, Jack mata o homem envolvo em cores frias, demonstrando a frieza que a razão muitas vezes nos faz exercer.

Falando de cores e enquadramentos não podemos deixar de citar a fotografia colorida e sombria do filme, além das ótimas sequências em câmera lenta.

Porém, mesmo Owen Wilson estando bem no filme, o charme e a atuação de Pierce Brosnan, interpretando Hammond, rouba a cena toda vez que parece. Quando o seu personagem está bêbado é um banho de interpretação.

Sendo um filme que trata sobre racismo, xenofobia e ganância ele nos faz lembrar de conflitos vividos anteriormente (ou atualmente) ainda mascarados e, às vezes, hediondos em nosso presente, necessitando de constante avaliação e preocupação nas relações humanas.

Horas de Desespero é um bom filme mas poderia ser melhor. Com quase duas horas de duração, se tivesse 10 ou 15 minutos a menos faria uma grande diferença no resultado final.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Diamond Films

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Paulo Olivera

Paulo Olivera é mineiro, mas reside no Rio de Janeiro há mais de 10 anos. Produtor de Arte e Objetos para o audiovisual, gypsy lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, workaholic e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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