Crítica: Jovens, Loucos e Mais Rebeldes

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Jovens, Loucos e Mais Rebeldes 01Depois do lançamento de “Boyhood – Da Infância a Juventude”, em 2014, indicado a 6 categorias no Oscar, incluindo Melhor Direção, o mundo passou a ter olhos mais atentos para a filmografia do já reconhecido e premiado diretor Richard Linklater. Para seu novo filme, “Jovens, Loucos e Mais Rebeldes”, criou-se uma expectativa e obviamente ele usou do marketing para promover sua obra dizendo que ela era uma continuidade espiritual do filme, com quase o mesmo nome no brasil, dirigido por ele em 1993.

Em “Dazed and Confused” – Atordoado e Confuso, em tradução livre – os personagens centrais estão em seu último dia de High School e querem curtir a vida, na ânsia de extravasar ao máximo a juventude irresponsável, onde futuros calouros e sádicos veteranos aprontam, organizam festas, brigam, transam, se drogam e bebem como se não houvesse amanhã, criando memórias inesquecíveis das quais nenhum deles conseguirá sequer lembrar.

Em “Everybody Wants Some” – Todos Querem Um Pouco, também em tradução livre – não muda muito a proposta, porém se passa no final de semana antes do inicio das aulas na faculdade. Nele acompanhamos Jake (Blake Jenner), que consegue uma vaga na equipe local de baseball, passando a morar na casa que serve de alojamento para o time. Lá, ele faz vários novos amigos, entre novatos e veteranos, que o ajudam a se enturmar neste ambiente repleto de diversão, experiências e camaradagem.

O elenco, composto de rostos relativamente novos no mercado, consegue até certo ponto passar por garotos de faculdade, mesmo que muitos estão abeira ou já chegaram aos trinta. Não há destaque entre eles, todos se mantêm em um tom único e é possível reconhecer que os tralhados de interpretação seguem exatamente o estilo do diretor. Ainda que não se destaque, Zoey Deutch, vem como um pequeno frescor num elenco predominantemente masculino.

E se é para ser másculo, as vezes meio louco e esquisito, tal tarefa foi executada com maestria não só pelo elenco, mas principalmente pelo roteirista que também é o diretor. Nesse cinema praticamente autoral, e pensando que a história se passa nos anos 80, comentários machistas e ideologias masculinas de irmandade e competitividade estão presentes em todo o filme, mas não de forma pejorativa, mas divertida e bem humorada.

Jovens, Loucos e Mais Rebeldesxx

Se algo faltou no roteiro foi a rebeldia, afinal poucas regras foram quebradas e existem poucos momentos de imposições ideológicas, e até mesmo discussões. A juventude é pungente e reconhecível à qualquer pessoa, até à quem não tenha tido experiências iguais aos dos personagens ou vivido na época. A loucura é intrínseca, bem estabelecida e exposta pelo característico humor americano com figuras caricatas que não caem em desgosto para o público e engrandecem a ambientação, mas rebeldia ficou em falta.

Com o máximo de naturalismo Richard Linklater, deixa as cenas muito confortáveis, bem estruturadas e limpas, usando a fotografia típica de filmes da década de 70/80 para exemplificar e nos inserir nesse universo particular que ele resgata após vinte anos desde o lançamento do filme anterior.

O departamento de arte é um brilho à parte, principalmente o figurino. Além de apresentar um mix de tendências utilizadas, que hoje podemos considerar popularmente brega, é impossível não ver o quanto a sociedade “regrediu” em alguns sentidos. Usando alguns exemplos aleatórios, todos os homens eram muito vaidosos de alguma maneira e shorts curtos eram usados por homens super viris, enquanto hoje, um pouco mais de vaidade ou até mesmo um short dois dedos acima do joelho, se tornou um comportamento/estilo “gay”.

Absurdos sociais a parte, “Jovens, Loucos e Mais Rebeldes” conseguiu sim, ser a continuação espiritual de 93. A obra segue um clima mais calmo e maduro, mesmo sendo juvenil, valendo a pena assisti-lo.

Crítica: Jovens, Loucos e Mais Rebeldes
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