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CríticaFilmes

Crítica: Jumanji: Bem-vindo à Selva

Avatar de Rodrigo Chinchio
Rodrigo Chinchio
4 de janeiro de 2018 3 Mins Read

imagesNunca é fácil tentar injetar nova vida em uma produção já popular e bem estabelecida, especialmente quando essa produção é Jumanji. Muitos fãs já estão olhando para “Jumanji: Bem-vindo à Selva” – a sequência da amada adaptação cinematográfica de 1995 do livro infantil de Chris Van Allsburg, com o saudoso Robin Williams – com olhos céticos. Felizmente, bem-vindo à selva consegue (principalmente) manter o humor peculiar e a diversão do filme anterior, enquanto restabelece a história para a nova geração.

O filme começa com um toque inesperadamente divertido, já que o perigoso jogo de tabuleiro Jumanji se transforma em um videogame, de modo que as crianças e os adultos ​​de hoje podem ser mais facilmente atraídos para o mundo. Uma estratégia que prova ser bem-sucedida quando um grupo de alunos infelizes é sugado para dentro do jogo enquanto estão de detenção. Eles assumem as formas físicas dos avatares que escolheram cada um no menu de abertura de Jumanji. Com estrelas como Dwayne “The Rock” Johnson, Jack Black, Kevin Hart e Karen Gillan interpretando avatares, o filme ganha uma boa dose de diversão. Com destaque para The Rock que faz um nerd e Jack Black uma menina superficial e popular. A maior parte dos momentos engraçados do filme vem desses tipos de contradições, e enquanto as piadas podem parecer óbvias ou baratas no papel – como Jack Black constantemente perguntando por seu celular – o carisma dos próprios atores ajuda a fazer a maioria delas funcionar. Isso é mais evidente quando The Rock e Kevin Hart compartilham uma cena. Tendo trabalhado juntos anteriormente, Hart e Johnson conquistaram algumas das maiores risadas do filme, já que a rivalidade entre eles na escola secundária se transferiu para o mundo do videogame de Jumanji, muitas vezes de maneira fisicamente cômica e ultrajante.

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Com apenas três vidas dadas a cada um deles, os quatro adolescentes devem tentar trabalhar juntos para vencer o jogo se quiserem voltar ao mundo real. E com esse simples ponto de partida, Jumanji passa a reverenciar atrevidamente os tipos de videogames e clichês de filmes e seus respectivos gêneros, como os “personagens não jogáveis” que não respondem ou as forças e fraquezas específicas dos personagens, muitas vezes com um grande efeito cômico. Mesmo que, ao mesmo tempo, pareça que o filme pode estar usando essa autoconsciência para tentar compensar suas reviravoltas menos interessantes e alguns de seus personagens de apoio mal desenvolvidos. Infelizmente, “Jumanji: Bem-vindo à Selva” também se afasta frequentemente de seus momentos mais divertidos, mais leves e de ação para se concentrar no desenvolvimento lento das relações entre seus personagens principais, a maioria dos quais se sente tão sem graça quanto imaginável. Algumas tentativas de romance que o roteiro traça para alguns dos personagens também se mostram vagas já que fogem totalmente do tom que o filme traça desde o início.

Isso, juntamente com o vilão de videogame chato e infatigável de Bobby Cannavale, mantém Jumanji como um bom espetáculo, mas não da forma como os realizadores podem ter desejado e esperavam. A arrecadação pode ser prejudicada considerando a feroz competição que vai enfrentar nas bilheterias. Mas, para aqueles que esperavam que fosse a ridícula e banal comédia que os trailers prometeram, é bom informar que “Jumanji: Bem-vindo à Selva”, consegue alguns pontos a seu favor. O longa traz o público de volta ao seu clássico mundo de ficção e fantasia  com um novo e divertido toque atualizado sobre uma história bem trabalhada. Portanto, mesmo que algumas das suas subtramas e linhas emocionais não convençam, a diversão e o humor repletos de ação ainda devem fazer com que valha a pena uma ida ao cinema.

 

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Rodrigo Chinchio

Rodrigo Chinchio é colaborador da Woo! Magazine, onde escreve sobre cinema com a autoridade de quem se formou cinéfilo garimpando pérolas nas videolocadoras. Especialista em encontrar filmes que o algoritmo jamais recomendaria, mantém em seu quarto uma coleção de Blu-rays e DVDs que rivaliza com qualquer acervo físico do país, e que ainda o impede de ver a própria cama.

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