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CríticaFilmes

Crítica: Maze Runner – A Cura Mortal

Mauro Machado
24 de janeiro de 2018 3 Mins Read

Maze Runner 5Houve, alguns anos atrás, um aumento significativo da quantidade de lançamentos literários de universos distópicos. Diferentemente de clássicos como “Admirável Mundo Novo” ou “1984”, tais livros tinham o público infanto-juvenil como alvo. É dessa leva que sagas como “Divergente”, “Jogos Vorazes” e “Maze Runner” surgem, compartilhando grande lista de semelhanças entre si. “Maze Runner – A Cura Mortal” é então o terceiro filme de uma saga que vem sendo lançada nos cinemas desde 2014 e conclui a jornada iniciada em seus antecessores.

Acompanhamos a missão que Thomas toma para si ao invadir, junto com seus amigos, a última grande cidade que resta naquele universo. Eles deverão salvar seus amigos e lutar contra os ameaçadores planos da CRUEL, que trarão graves consequências para a humanidade. Parece e é, de fato, clichê. Se temos um mundo que já não é muito original por natureza, tornam-se inevitáveis as consequências para o seu desenvolvimento. Dessa forma, o roteiro aposta em momentos e viradas dramáticas que quase nunca funcionam, dependendo de uma prévia construção eficiente da narrativa que não aconteceu. Tampouco existem personagens com muitas camadas, sendo quase todos fracos e sendo, muitas vezes, atrapalhados pelas atuações do elenco.

Importante colocar que há alguns atores talentosos no longa, mas que por fatores externos a eles próprios, acabam por sofrer com isso. Aidan Gillen, de “Game of Thrones” talvez seja a personificação disso. Mau desenvolvimento e pouco tempo de tela é um pouco do que ocorre aqui, fora os personagens que servem praticamente como figuração. Não há coesão nos grupos apresentados, sejam eles de heróis ou de vilões.

Maze Runner 1

 

Os cenários e ambientação são, no máximo, funcionais. O CGI incomoda quando é usado, mas felizmente não é extrapolado em quantidade, enquanto o resto do que tange a esses aspectos passa longe de ser inventivo. Ainda assim, boas referências como a de “Mad Max” são claramente notadas. A primeira cena, por exemplo, se monstra com inspiração forte nessa franquia, e é uma boa abertura para o filme. Parte dele se passa em ambiente urbano, com forte apelo tecnológico, o que pode remeter a “Blade Runner”, inclusive também pela sonoridade do nome de ambas obras. É lamentável, portanto, que mesmo as boas referências não consigam trazer alguma originalidade e qualidade ao que “Maze Runner” se propõe, preferindo optar pelo básico, pelo convencional.

Há de se dizer, no entanto, que a ação do filme flui de forma razoável. Várias grandes cenas de proporção épica são entregues, e são bem filmadas por mais que se encontrem em quantidade excessiva aqui. O caos e a noção de que a destruição se instaura são perceptíveis, mas nada que chegue a chamar atenção para si. Os tons avermelhados e fortes que a projeção ganha em seu clímax são particularmente bonitos e refletem isso.

“Maze Runner – A Corrida Mortal” não é um filme que carrega problemas por responsabilidade própria. Eles existem, mas vêm daquilo que já existia da franquia no cinema e também de seu material fonte. É um bom exemplo da má qualidade que essas obras literárias genéricas de ficção fazem, e fizeram no que diz respeito às distopias. Seu maior erro é subestimar quem a consumirá, como se crianças e adolescentes fossem apenas capazes de receber produtos com qualidade menor ou complexidade reduzida.

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Tags:

Adaptação LiteráriadistopiaTrilogia

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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