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Crítica

Crítica: Midway – Batalha em Alto Mar

Após dirigir filmes como “Independence Day” e “O Dia Depois de Amanhã”, Roland Emmerich se tornou, para Hollywood e para os cinéfilos, sinônimo de filmes catástrofe. Com sua pegada grandiloquente, Emmerich se acostumou a destruir cidades, ou mesmo toda a civilização por meio de efeitos em CGI. Quem procura lógica e significado nas sequências orquestradas pelo cineasta alemão acaba se frustrando. Por isso, é preciso deixar-se levar pela pirotecnia das cenas de ação e de destruição em massa, até porque, não é possível raciocinar entre os inúmeros cortes e o som estrondoso que saí das caixas de som do cinema.

Bom, para os fãs dos shows perpetrados pelo cineasta, ele lança “Midway – Batalha em Alto Mar”, que conta, mais uma vez, os feitos heroicos dos militares americanos durante uma batalha contra tropas japonesas no Oceano Pacífico, em 1942. Nem é preciso dizer que o patriotismo estadunidense exala em cada frame do longa ao acompanhar a revanche dos EUA depois do ataque a Pearl Harbor, já durante a segunda grande guerra mundial. Aviões e embarcações são colocados em ação em um evento que durou três dias e que custou centenas de mortes. Mas, nada disso importa, o que vale é a beleza estética do balé apresentado pelos aviões em manobras quase impossíveis, e banhados pelo brilho intenso do sol.

O roteiro de Wes Tooke realmente não se preocupou em descrever as agruras da guerra, e sim em mostrar toda a testosterona de homens fardados a bordo de brinquedos mortais. O que se vê a partir daí são cenas que reforçam o quão surreal é o texto, já que há inúmeros marmanjos comemorando todas as vezes que derrubam um avião inimigo, sem se importar com a vida perdida no processo ou com a gravidade dos acontecimentos em geral. Claro que, na realidade, os soldados que conseguiram sobreviver à barbárie não tinham nada o que comemorar ao saírem vencedores de um banho de sangue em escala global.

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Entretanto, Emmerich não busca conscientizar ao alertar, e sim divertir, mesmo apoiando-se em algo tão trágico. Para tanto, ele usa de um elenco com os nomes de Woody Harrelson, Dennis Quaid, Aaron Eckhart, Nick Jonas, Patrick Wilson e Luke Evans nos letreiros iniciais, apesar de ser o desconhecido do grande público Ed Skrein e seu Dick Best o protagonista. Mandy Moore como Ann, a esposa de Best, até poderia ser citada, porém, seu personagem é tão insignificante que apaga a presença da atriz e de qualquer representação feminina no meio desse mundo de super machos. Será que não era possível escrever algo melhor além do estereótipo da esposa perfeita que fica em casa se preocupando com seu amado, lindo e corajoso marido piloto? Provavelmente não em “Midway – Batalha em Alto Mar” e sua efemeridade comercial.  Para terminar, basta dize que, ao ir corajosamente ao cinema, o espectador encontrará uma história vazia, com boas cenas de batalhas, digna de um jogo de vídeo game de última geração. O problema é que não haverá na sala de exibição um Joystick para que a diversão seja ainda mais descompromissada.


Imagens e Vídeo: Divulgação/ Diamond Films Brasil

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Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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