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Crítica: Mogli – Entre Dois Mundos

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D'Andrade
18 de janeiro de 2019 3 Mins Read

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Uma história muito conhecida e já contada alguma vezes ganha uma roupagem mais sombria e, pela primeira vez, longe de ser infantil. Mogli, o famoso menino criado por lobos, agora possui traços mais reais de personalidade em uma história que se aproxima da realidade mesmo – com cargas místicas e fantasiosas de uma fábula – entretanto falta ritmo e recursos avançados para que o filme seja mais do que é.

Criado por uma alcateia em meio às florestas da Índia, Mogli vive com os animais da selva e se sente um deles. O menino conta com a amizade do urso Baloo e da pantera Bagheera, além do seu inseparável amigo e irmão lobo Albino. Ele é aceito por todos os animais, exceto pelo temido tigre Shere Khan. Quando Mogli se depara com suas origens humanas, perigos maiores do que a rixa com Shere Khan surgem para mudar toda situação. 

O longa, dirigido pelo excelente Andy Serkis, peca bastante em relação ao ritmo da história. “Mogli – Entre dois mundos” é pouco fluido, principalmente na primeira metade na qual o filme precisa ter suas bases solidificadas através dos diálogos e acontecimentos que moldam os personagens dentro do âmbito de suas ações. As transições entre as cenas são bruscas e a sensação que fica é de que a ação, assim como os diálogos, não se desenvolve por inteiro de uma cena para a outra. 

O CGI dispõe de trechos muito bem trabalhados, principalmente quando tratamos do pantera negra Bagheera e dos cenários criados de forma impecável – os quais conseguem passar uma sensação perfeita de floresta. Entretanto, nem os melhores efeitos são capazes de disfarçar as cenas em que a computação gráfica é tão palpável quanto um jogo de vídeo game, o que atrapalha a magia tendo em vista o realismo que o filme busca passar.

Todavia, o problema do CGI é amenizado com as boas escolhas dos enquadramentos. A fotografia, juntamente com a direção, opta por quadros que valorizam a selva e os animais em cena, bem como  as cores sempre contrastam de forma interessante, combinando com os momentos da história. 

mogli entre dois mundos

A história em si tenta passar uma mensagem de respeito entre as criaturas, deixando mais explícito em certos momentos enquanto em outros nem tanto, mas sendo num todo sempre confusa dentro da mente do protagonista e dos que o rodeiam – esses nunca tomam uma posição contundente na história. Além da pouca certeza dos personagens temos a sub utilização de alguns deles, como Baloo que poderia ter um espaço maior na trama e não apenas como uma bengala de diálogos vagos. O caçador é outro personagem interessante que aparenta ser instigante, mas não desenvolve sequer uma cena realmente contundente para ser lembrado.

Por fim, o principal problema do filme está no final genérico e que emana pouca emoção. Nele, temos o conjunto de todos os problemas, os efeitos são fracos, os personagens são desperdiçados, e não mostram de forma verdadeira para vieram, e existe uma tentativa de passar emoção em seu ápice que não convence e, por mais que tente, não consegue ser impactante.

“Mogli: Entre Dois Mundos” é apenas uma releitura mais adulta, entretanto inferior às outras que já assistimos do menino lobo,  erra ao tentar construir emoção e em tempo ritmo, mas salva-se um pouco pela boa atuação do protagonista. 


Fotos e Vídeo: Divulgação/Netflix

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Tags:

Cinema

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D'Andrade

Cria da Baixada Fluminense e apaixonado por cinema desde sempre. Hoje escrevo roteiros, atuo na produção audiovisual, vou dirigir meu primeiro filme e me dedico a cada dia mais a aprender sobre o cinema. Fã de Steven Spielberg e louco por Jurassic Park, me encontro melhor quando estou perto de sucessos populares, de Titanic a Minha Mãe é uma Peça.

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