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CríticaFilmes

Crítica: No Intenso Agora

Avatar de Fabiana Moura
Fabiana Moura
27 de abril de 2017 3 Mins Read

No Intenso Agora Cartaz“No Intenso Agora” é um documentário político que retrata as manifestações, greves e reivindicações que ocorreram por volta do final dos anos 60, mais especificamente em maio de 1968, na China, fazendo um comparativo com o que ocorreu por lá e também no Brasil.

Trata-se de um compilado de imagens e filmagens realizadas pela mãe do diretor em uma viagem ao país, no qual consegue traçar um fio condutor, contrapondo as imagens e seu contexto com a política da época.

Com roteiro, texto e direção de Joaquim Moreira Sales (“Santiago”), esta obra cinematográfica estreou no “67º Festival Internacional de Cinema de Berlim”, em fevereiro deste ano.

É interessante perceber que, toda a narrativa construída em torno das cenas captadas, procura analisar o sentido profundo por trás de cada uma delas, falando sobre quem fez, como fez e porque as realizou.

São 127 minutos de narrativa em primeira pessoa, mostrando o olhar do autor que, na época ainda era criança, numa tentativa de entender e compreender a “felicidade” experimentada por sua mãe ao viajar à China e filmar as cenas. Todo o texto foi muito bem construído com palavras fortes e coerentes com as imagens, tornando-se quase uma poesia.

O que mais impressiona dentro deste documentário é a extensa e rica pesquisa histórica de fotos, videos, áudios e montagem de todo o material, que levam o espectador a realizar uma correlação quase que automática entre o passado histórico e o presente.

Em muitos momentos percebe-se uma repetição de imagens, porém, não à toa, tendo como objetivo dar explicações de detalhes imperceptíveis, como a percepção de diferenças de classes em pequenos detalhes.

Quanto à fotografia, predomina o preto e o branco, já que se trata de filmagens antigas, e as partes que trazem cores predomina a vermelha, demonstrando a luta do povo nas manifestações. A técnica do slow-motion foi um recurso muito bem utilizado para frisar alguns momentos, assim como a ausência de imagens e longas pausas, com um silêncio proposital, traduzindo muito mais do que se tivesse uma música, texto ou cena.

A trilha sonora constitui-se basicamente não só de sons de músicas hispânicas, com forte uso de violões e piano, como também o tango, que dá ênfase ao momento mostrado e torna impactante a cena apresentada.

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Mais que um documentário político, chega também a ser um protesto que nos leva à reflexão sobre a forma que estamos conduzindo a história, como ela tem se repetido e onde estamos errando, principalmente através das manifestações e protestos. E é por esse motivo mesmo que se torna tão atual.

Os cartazes e os “pixos” que são apresentados não diferem muito do que vemos hoje, por isso o autor faz questão de comparar o que era feito na França e seus protestos, e o que houve na China despercebidamente gravado por sua mãe em um momento de lazer.

Em determinado instante é trazido a reflexão sobre como um movimento de resistência pode se deixar vender pela mídia, transformando a luta e revolta em um espetáculo midiático. E vendo tudo isso, podemos lembrar e citar a música do Engenheiros do Hawaii que nos diz: “A história se repete, mas a coisa deixa a história mal contada…”, bem como nos questionar sobre como estamos reivindicando o que é nosso por direito.

É impossível não assistir este documentário sem enxergar o cenário político atual, e é mais impossível ainda não se indagar: Qual o registro estamos deixando para a história? A verdade que podemos captar com nossas lentes ou a mentira imposta pela lente distorcida da mídia?

Enfim, “No Intenso Agora” é um documentário um pouco longo e cansativo para quem não tem muita paciência, porém, feito em um tempo necessário para todo o seu extenso e rico conteúdo, que faz valer a pena cada minuto investido em assisti-lo.

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Tags:

protestoResistência

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Fabiana Moura

Ela é jornalista, mãe, esposa e muito feliz, ama ler, escrever e aprender cada vez mais, além de ser apaixonada pela Língua Portuguesa. Já fez e faz de tudo um pouco nesta vida, por isso mesmo, ela diz: "tamuaí" pra tudo!

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