Uma larga quantidade de filmes foram e ainda vem sendo lançados abordando o atual cenário político do Brasil, sobretudo em formato de documentário. Se a maioria deles, porém, investigava as altas cúpulas políticas ou movimentos sociais, “Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha” nos conta a história pelo viés do jornalismo alternativo. Ao fazer isso, não apenas coloca essa vertente do jornalismo enquanto protagonista como também acaba fazendo uma história do jornalismo dentro do contexto da Nova República. Seu foco é nos anos mais recentes, começando em 2013, mas tece comentários sólidos sobre os meios de comunicação no período de redemocratização e nos anos de governo do PT. Vale mencionar que os debates levantados pelo longa, ainda que motivados por inúmeros episódios ocorridos na história recente do Brasil, mostram-se suscitados pela eleição do presidente Jair Bolsonaro. É a figura dele que é atacada e que é vista aqui como o ápice de uma série de problemáticas envolvendo os veículos de comunicação ao longo dos anos.

Grande mérito do filme, fundamental dizer, é construir bem os argumentos que sustentam seu discurso, e isso se dá não só por vários entrevistados que possuem bastante experiência dentro do jornalismo como também pela presença de nomes famosos. O filósofo Noam Chomsky e o jornalista Glenn Greenwald são os dois maiores exemplos, elevando o nível de credibilidade daquilo que é falado durante a projeção. O uso de imagens e vídeos de arquivo, para ilustrar a imagem da mídia tradicional que é posta, também é muito eficaz e conta desde trechos do Jornal Nacional acerca das manifestações de 2013 até manchetes de jornais impressos defendendo o golpe de 1964 na época do ocorrido. Embora o roteiro venha da inquietude motivada pela eleição de Bolsonaro, há toda uma ideia do que é o jornalismo tradicional no Brasil e quais suas implicações para nossa realidade. Tal concepção transforma “Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha” em obra mais completa e de menor caráter simplesmente panfletário.

 

 

Mesmo assim, a montagem acaba sendo inconsistente na medida em que é eficiente em muitos momentos, principalmente quando aliada com a direção, mas fraca em outros. Quando ela articula material de arquivo e cria uma narrativa linear a partir deles, temos os melhores momentos do filme, já que eles são a base de sustentação do que é comentado em todo momento. Infelizmente, também, há transições feitas sem força nenhuma que se resumem a fade outs e telas pretas.

Desse modo, “Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha” carrega consigo importante narrativa para entender o Brasil contemporâneo. Mais importante ainda para os que entendem a importância da carreira jornalística, ou mesmo para aqueles que insistem em não entender. Sua mensagem é poderosa e seus argumentos idem, ainda que sua execução seja irregular por vez ou outra.


Imagens e vídeo: Divulgação/Salamanca Filmes

Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha

3.3
Bom

​O filme mostra a luta dos jornalistas independentes no Brasil para romper o embargo informativo imposto por seis famílias que dominam o sistema de informação do país. Entre 2013 e 2018, os “seis Berlusconis” foram responsáveis por uma manipulação em massa que destruiu a confiança da população na imprensa tradicional e jogou o país em direção ao fascismo. Ao examinar a influência da imprensa nos eventos sociopolíticos recentes, o filme responde uma pergunta que está intrigando o mundo: Quem é Jair Bolsonaro e como ele se tornou o presidente do sexto país mais populoso do mundo?​

Direção
Montagem
Roteiro
Pros
  • Agilidade na narrativa estabelecida
  • Ótima retrospectiva da história da imprensa
Cons
  • Montagem irregular
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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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