Crítica: O Espaço Entre Nós

Romance científico ou ficção açucarada?

“O Espaço Entre Nós” é (de uma forma ou de outra) uma surpresa! Quem vai ao cinema a espera de mais um romance adolescente, encontra uma pitada de ficção científica. Quem vai aguardando um roteiro que elabore mais o tema científico, certamente se decepciona com a história de amor açucarada. O romance sci-fi é destinado ao público jovem e traz todos os clichês do gênero.

“O Espaço Entre Nós” é com certeza um filme interessante, mas o fato do roteiro focar mais no romance do que no que realmente poderia ser original, mata a finalidade da sua existência. O filme falha em entregar a trama científica, o que seria o seu ponto mais interessante.

Algumas vezes, certos filmes provam ser realmente inexplicáveis. Não por causa da sua história ou dos seus personagens, mas porque não há explicação palpável, pelo menos não por um julgamento convencional, levando em conta a ambição e a competência de sua execução.

Gardner (Asa Butterfield) é um típico nerd de 16 anos. Ele passa seus dias montando e desmontando robôs, assistindo a filmes e batendo papo na internet. Com apenas uma diferença: ele está em Marte! Ele é filho de uma astronauta e foi o primeiro humano a nascer no planeta vermelho.

Sua única ligação com o planeta Terra é sua amiga virtual Tulsa (Britt Robertson),que é uma adolescente problemática, e vive mudando de casa e de famílias adotivas. Ela e Gardner tem uma conexão profunda apesar de estarem separados pelo espaço. Gardner não pode voltar ao planeta Terra pois seu coração, grande demais, (o que é uma ótima metáfora) pode parar de funcionar na nossa atmosfera.

Mas Marte não tem garotas e essa história extremamente interessante é rapidamente desperdiçada com uma overdose de açúcar. O roteiro corre para dar todas as soluções necessárias para trazer Gardner para o planeta azul: nos primeiros 20 minutos ele passa por cirurgias, treinamentos e uma viagem interestelar somente para encontrar sua amiga que vive no Colorado. Gardner também pretende encontrar seu pai que aparentemente não sabe de sua existência. E Tulsa vai fazer o possível e o impossível para ajudá-lo nesta missão; e isso inclui até mesmo roubar carros e explodir um avião.

Logo, o casal está na estrada atrás de respostas em relação a sua família e fugindo das autoridades. A partir daí, é só protocolo. A lista de clichês vai sendo preenchida sem pudores.

Apesar disso, Asa Butterfield, dá um show na tela. Seu jovem nascido em Marte e que de repente entra em contato com uma diferente gravidade e com costumes antes desconhecidos por ele, é incrível. Do comovente ao hilário, Asa usa todo o seu carisma e timing cômico e, em poucos minutos, tem o público em suas mãos. E por falar em carisma, Britt Robertson, prova mais uma vez que esse dom ela tem de sobra e domina muito bem. Sua forte presença é ampliada pela tela. E o que falar de sua beleza hipnotizante? Este jovem casal faz nosso ingresso valer à pena.

Barry Peterson é mais do que feliz em nos mostrar tanto as imagens estratosféricas, quanto as paisagens terrestres. A fotografia é excepcional. E este é o ponto mais forte deste filme. As imagens do espaço são fascinantes e até já esperamos por isso com água na boca, pois não é sempre que somos presenteados com tais imagens. Mas e as terrestres? Nossos olhos são guiados de forma a termos a mesma sensação que Gardner tem ao ver pela primeira vez a natureza do nosso planeta. E ele é maravilhoso, não é? Barry nos confirma que sim!

Já a direção de Peter Chelsom é precisa em guiar o elenco pela ficção romântica, mas não consegue resistir aos clichês. Tudo o que esperamos ver, está lá. É claro que em certo momento vamos nos deparar com o patriotismo americano, com fuga de carros em alta velocidade, com decolagens de emergência e finalmente com beijos em gravidade zero. Mas porque resistir aos clichês, não é mesmo? Ao final da sessão, saímos com imagens lindas na memória e sorrisos nos lábios. Um bom filme para assistir com a pessoa amada num domingo à noite.


Por Thiago Pach

Crítica: O Espaço Entre Nós
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