Crítica: O Farol

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Após a boa estreia com o já cultA Bruxa”, Robert Eggers se tornou um dos cineastas mais promissores da nova geração. Todos aguardavam ansiosamente pelo seu novo projeto, que poderia ter sido o remake de “Nosferatu”, mas que, por motivos não divulgados, não aconteceu. Coube ao produtor brasileiro Rodrigo Teixeira por meio de sua RT Features, dar os passos necessários para a realização do segundo longa de Eggers, que foi feito nos moldes do cinema independente, só que com um pouco mais de orçamento. Com isso, “O Farol” ganhou as telas impressionando plateias em festivais e ganhando prêmios, como o de melhor filme, entregue pela critica durante a quinzena dos realizadores em Cannes.

As láureas são justas, pois o filme goza de um apuro estético e dramático fabuloso. Os quesitos cinematográficos são irretocáveis, principalmente na direção, na fotografia e nas atuações, que se complementam para contar a história sobre a loucura e a solidão de dois homens. Os homens em questão são Thomas Wake (Willem Dafoe) e Ephraim Winslow (Robert Pattinson), que são incumbidos de cuidar de um farol em uma ilha afastada da civilização. Wake é um faroleiro experiente e contrata o jovem Wake como uma espécie de empregado doméstico. A dupla convive em constante tensão por causa do péssimo temperamento de Wake, que trata o companheiro com desdém e crueldade, e o manda fazer todos os tipos de trabalho, mesmo os não inclusos no contrato. A situação piora quando eles começam a se embebedar e a receber a visita de uma sereia.

Nesse clima tenso e de quase terror, a fotografia pensada em uma razão de aspecto reduzida (as bordas da tela são cortadas) e em preto e branco granulado, serve para construir um ambiente opressor e pessimista, remetendo ao expressionismo alemão. Além disso, há o constante som de uma espécie de alarme que auxilia na condução dos navios, e que causa ainda mais insegurança ao deixar os personagens e o espectador em alerta, como se algo de ruim fosse acontecer a qualquer momento. O fato de, no inicio, não ficar claro se o som é diegético ou não, proporciona ainda mais estranhamento. A situação só piora quando a assustadora sereia e as gaivotas agressivas são adicionadas à história – há clara, porém boa referência ao filme “Os Pássaros” de Hitchock, em uma cena envolvendo as aves. Eggers, seja no roteiro (o texto é dele e de seu irmão Max Eggers) ou na direção, não entrega facilmente se os homens sofrem de alucinações ou se o seu filme é um terror de monstros, o que é bem vindo, já que assim pode brincar com as expectativas até o final.

Sim, é com mão firme que o cineasta leva sua obra e consegue novamente agradar os olhos mais atentos e julgadores dos críticos e dos cinéfilos. Talvez, “O Farol” não agrade um público mais afeito a filmes comerciais, mas atrairá todos os olhos por causa dos astros de seu elenco. Pattinson pela aura de galã adolescente que ainda perdura, mesmo tendo mudado de ares e trabalhado com cineastas consagrados e em filmes elogiados, e Dafoe, por ser um dos rostos mais frequentes e conhecidos de Hollywood, que costuma participar de produções diversas. Será uma pena se o público for ao cinema apenas por esse fator “celebridade” dos dois nomes e não conseguir captar a excelência das atuações de Dafoe, que constrói seu personagem no limite entre a sanidade e a loucura, com variações de humor entre um take e outro, e de Pattinson, que começa mais sóbrio, e vai se transformando de forma gradativa, chegando ao nível máximo de delírio no terceiro ato. As boas atuações em “O Farol” servem para elevar a qualidade do filme e não deixar a excelência da concepção estética levar todos os aplausos.

* Este filme foi visto durante a 43ª Mostra de Cinema de São Paulo.

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