Suspense, substantivo masculino, cujo significado, segundo o dicionário, é ser uma técnica pela qual a ação, nesses casos, é levada a se retardar ou parar em momentos cruciais, para suscitar a ansiedade do espectador. Por mais que o filme “ O garoto da casa ao lado”, de Barbara Curry, seja classificado dessa forma, a obra é tudo, menos algo que te deixa ansioso, a não ser pelo fim da tortura.
Caso comparar com comida ajude o processo, assim será feito: o biscoito cream cracker nunca foi um campeão de vendas pelo seu sabor único e original, certo? O longa dirigido por Rob Cohen também tende a ser considerado sem graça. Pelo menos, nos primeiros instantes. Porém, o setor técnico – que poderia ser considerado como os ajudantes do chef –, dá a ideia de colocar o rosto e corpo de Ryan Guzman para dar um paladar diferente, talvez sendo uma geléia de morango ou algo do gênero. Como se não bastasse, há outras opções como ricota, vulgo Jennifer Lopez, famosa pela sua atuação, assim como o queijo, como acompanhamento de algo, visto que pega o gosto do que está do lado. Além disso, há a alternativa da manteiga, sendo John Corbett, conhecido e já amado pela população no geral, principalmente as românticas e fãs de “Casamento Grego”.
Agora, com as analogias feitas, é possível proceder e contar a pobre história do filme. Não se preocupe se achar que já ouviu algo similar antes. Não é um deja vù, nem nada. Faz parte da essência do filme mesmo. A narrativa conta a história de Claire Peterson (Jennifer Lopez), uma professora de Literatura Clássica, que está prestes a se divorciar do marido Garrett (John Corbett), após ser traída e abandonada por 9 meses. Fruto de seu casamento há Kevin (Ian Nelson), que vive com a mãe e vira amigo de seu mais novo vizinho de 19 anos, chamado Noah Sandborn (Ryan Guzman). O novato veio morar com seu único parente vivo, depois de seus pais morrerem em um acidente de carro. Quer dizer, isso é o que o personagem sedutor de Guzman conta. Logo no início, ele se mostra prestativo e oferece ajuda nas tarefas de casa da família Peterson, tornando-se, inclusive, o melhor amigo de Kevin.
Tentando atrair a mãe de seu amigo e vizinho, Noah consegue fazer com que Claire aparecesse em sua casa e acaba tendo uma noite de amor com a amada. O único problema, ou, talvez, o começo dos que estão por vir, seja que o garoto fica obcecado pela professora e faz de tudo para que ela lhe dê mais uma chance. Como todo e qualquer filme em que há um louco querendo provar do seu amor, temos as tentativas de se livrar da concorrência. Noah, ao longo dos noventa minutos, planeja desde ameaças com fotos, vídeos e intrigas até situações mais sérias, como sabotar um carro e agredir fisicamente a vice-diretora e amiga de Claire, Vick Lansing (Kristin Chenoweth).Quanto a parte técnica do filme, se é que ouve alguma grande preocupação com isso, teve, como trilha sonora, uma única música e que gerava certa agonia, seja por ser irritante ou por ainda existir um pingo de esperança do filme engrenar e dar uma revira volta. Outro aspecto importante de ser apontado é o uso desleixado e amador das maquiagens, não demonstrando nenhum conhecimento em como se aparenta uma pessoa ensanguentada nos lugares certos e, principalmente, quando o olho é brutalmente atingido.
Ainda segurando o fôlego, para ser solto quando os créditos subirem, é viável assumir que há cerca de 3 sustos na obra. Contudo, se foi um espasmo ou uma tentativa de não se decepcionar por reações desse tipo terem ocorrido com baixa frequência, já não é possível dizer. Nos últimos minutos, é nítida a tentativa de conquistar o tempo perdido, todavia, acarretando em mais lambança no enredo, deixando a obra ainda mais rasa.
“O garoto da casa ao lado” está disponível na plataforma Netflix. Confira o trailer abaixo:
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