Quem nunca usou uma música pra estudar história não sabe a riqueza que está perdendo. Temos um vasto acervo de canções que nos contam como alguma guerra, por exemplo, aconteceu. Além disso, servem para mostrar a emoção do artista no momento do acontecimento.

E para que essa discografia não seja perdida, segue uma lista de músicas que são trilhas sonoras de algumas dos principais momentos da história do Brasil e do mundo.

1 – Mestre Sala dos Mares – Elis Regina

De João Bosco e Aldir Blanc, mas imortalizada na voz da grande Elis Regina, a música retrata a Revolta da Chibata que ocorreu em 1910. Sob o comando de um marujo negro e analfabeto chamado João Cândido, os marinheiros de Minas Gerais e São Paulo, insatisfeitos com as condições de trabalho da época, se revoltaram contra o governo e organizaram um protesto.

“Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como navegante negro
Tinha dignidade de um mestre sala..”

– Trecho de “Mestre Sala dos Mares”

Devido a gravidade do problema o governo decidiu ceder, mas houve uma nova revolta e desta vez eles mandam tropas extremamente violentas, aqueles que sobreviveram ao episódio foram deportados para a Amazônia e forçados a trabalhar nos seringais da região. João Cândido foi inocentado e internado em um sanatório que podia ser pior que a prisão.

2- Cálice – Chico Buarque

Composta por Chico Buarque e Gilberto Gil, foi uma das canções mais censuradas pela ditadura militar brasileira. Certa vez, no show Phono 73 em São Paulo, sabendo que a música havia sido proibida, os dois cantores decidiram cantá-la apenas no instrumental e com palavras desconexas. Logo que começaram, Chico teve seu microfone desligado e em seguida Gil. Ambos foram procurando outros meios de se expressar, até que se renderam e o show seguiu com o que podia.

A música surgiu de maneira bem informal, enquanto ambos bebiam uma “bebida amarga”, literalmente. Relacionaram, então, as duas palavras “Cálice” e “Cale-se”, a primeira relacionando com a data, sábado de aleluia, e a segunda com a ditadura militar. Cada um compôs duas estrofes da canção que atravessa gerações. É uma bela e inteligente crítica a esse período de chumbo do Brasil.

No vídeo abaixo você pode conferir o show de Phone 73, onde Chico estava ao lado do músico Gilberto Gil.

3- Sunday Bloody Sunday – U2

Da banda irlandesa U2, a letra descreve o horror do “Domingo Sangrento” em Derry, na Irlanda do Norte, ocorrido no dia 30 de janeiro de 1972, quando tropas britânicas atiraram e mataram manifestantes de direitos civis.

O movimento foi uma crítica a política britânica de prender, sem julgamento, qualquer suspeito de fazer parte do IRA (Exército Republicano Irlandês), grupo terrorista que queria a independência da Irlanda do Norte. Deixou 14 ativistas católicos mortos e 26 feridos. Após o “Domingo Sangrento”, o IRA ganhou um número enorme de jovens voluntários, dando força ainda maior a esse grupo guerrilheiro.

4- A rosa de Hiroshima – Secos e Molhados

Com grande destaque a voz inconfundível de Ney Matogrosso, a música é um poema escrito por Vinícius de Moraes, musicado por Gerson Conrad, lançado em 1973 no álbum de estreia dos “Secos & Molhados”.

Como o nome já sugere, o tema da música  remete a destruição causada pela bomba atômica na cidade de Hiroshima, no Japão,  em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial; sendo uma grande crítica as atrocidades cometidas pelo uso das armas de destruição em massa pelos Estados Unidos.

Pode ser considerado o maior atentado terrorista da história da humanidade, já que o objetivo do governo e do exército dos Estados Unidos era aterrorizar a população japonesa e, assim, evitar uma invasão ao país para por fim à guerra. De tão poderosa, deixou milhares de mortos e a população da cidade possui sequelas até hoje, mas de 70 anos depois.

5-  Brasil – Cazuza

A música foi composta na transição da ditadura para o regime democrático, com a eleição do presidente Tancredo Neves pela via indireta. O cantor era contra a esse sistema eleitoral, mesmo o povo pedindo pelas “Diretas já”, não foram atendidos. A“festa pobre” a que ele se refere na canção é aquilo que a mídia batizou de “festa da democracia”, ou melhor, à eleição que aconteceu sem a participação das pessoas, por isso não fomos convidados.

No trecho “Confia em mim” ele pede que a nação constituída e organizada confie em seu povo para resolver os seus problemas. E ainda, faz uma crítica aos corruptos que não param de roubar, pedindo que eles mostrem suas caras quando a música diz “Mostra a tua cara”.

Há muitas outras canções por aí que retratam a história do Brasil e do mundo, basta pesquisar e saber um pouquinho de história para que elas fiquem de forma clara. E, então, quantas dessas músicas ainda contam algum momento da história?


Por Carolina Gomes


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