Crítica: O Mundo Fora do Lugar

Direção perdida entre comédia e drama

“O Mundo Fora do Lugar”, escrito e dirigido pela alemã Margarethe von Trotta, é a história de uma família que tem seus segredos do passado revelados. O filme fica entre o drama e a comédia e talvez essa dualidade não tenha sido tão intencional assim. Von Trotta escolheu mostrar um drama intelectual de forma “light” e talvez tenha errado na mão. As talentosas atrizes Barbara Sukowa e Katja Riemann interpretam duas estranhas que possivelmente teriam algum parentesco.

Falar sobre relações entre irmãs parece ser o tema favorito da diretora já que ela vem explorando-o obsessivamente em seus filmes anteriores como “Die bleierne Zeit” e “Schwestern oder Die Balance des Glücks”. Em “O Mundo Fora do Lugar”, novamente, o foco central está entre duas irmãs: Sophie, uma cantora decadente vivida aqui por Riemann, e Caterina Fabiani, a famosa cantora de ópera, vivida por Sukowa. A história se passa entre Alemanha e Nova York e tudo começa quando o pai de Sophie fica misteriosamente nervoso depois de ver a foto da cantora de ópera. Ele convence a filha a viajar para Nova York e fazer contato com a artista. Sophie, atendendo ao desejo de seu pai, conhece a temperamental Caterina e a partir desse encontro começa a desvendar os segredos de seus pais. Assim, entre trancos e barrancos, a história começa a se desenrolar.

Ainda que o início do filme seja promissor, Margarethe von Trotta falha ao achar uma história que se sustente, apesar dos esforços do seu elenco experiente. Katja Riemann e Barbara Sukowa são duas grandes atrizes, porém seus talentos são dispersados na tela por uma direção perdida que tenta nos contar uma história, desvendando mistérios e segredos familiares para, no final, revelar algo ainda mais chocante. Porém, todos esses reencontros e o efeito de suas revelações sobre o passado não têm o resultado esperado.

A bela trilha sonora de Sven Rossenbach e Florian Van Volxem nos faz viajar entre o melhor da música clássica e do Jazz. Já Axel Block nos brinda com lindas imagens de Berlim e Nova York e passeia pela beleza das duas atrizes de meia-idade, a medida que consegue desvendar o lado humano das personagens em sua fotografia. Se o roteiro e a direção de Von Trotta se perdem no caminho entre comédia e o drama, a trilha e a fotografia porém salvam o filme e nos dão bons momentos em frente a tela, apesar de não serem suficientes para levar a obra.


Por Thiago Pach

Crítica: O Mundo Fora do Lugar
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