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CríticaFilmes

Crítica: O último poema

Avatar de Fabiana Moura
Fabiana Moura
11 de junho de 2017 3 Mins Read

O último poema Cartaz“O último poema” é um filme-documentário produzido pela Besouro Filmes, do ano de 2015, e que retrata os 24 anos de correspondência entre Helena Maria Balbinot, uma jovem professora e poetisa do Rio Grande do Sul e Carlos Drummond de Andrade, grande poeta modernista brasileiro.

Um filme com direção e roteiro de Mirela Kruel (“Sobre sonhos e água”), sendo este seu primeiro longa-metragem, conta ainda com a produção de Fabiano Florez e Jéssica Luz, tendo como atores principais Janaína Kremer, interpretando a própria Helena, que também participa com seus depoimentos, e Rodrigo Fiatt como Carlos Drummond. Todos com uma belíssima participação e interpretação, tornando o filme ainda mais poético, já que a própria poetisa narra a sua história com toda sensibilidade que a viveu.

Há toques sutis na forma da diretora representar as palavras trocadas entre os dois grandes amigos em mais de duas décadas, o jeito escolhido para retratar Helena e Drummond e suas cartas impressas em tecidos mostra toda a leveza dos poemas dos autores.

Da mesma maneira, percebemos na trilha sonora de Diego Poloni, que há a presença de todo o mistério e envolvimento de sentimentos que só conseguem se traduzir nas formas mais belas de arte, como a poesia e a música, e não houve combinação melhor como a leveza da música ao piano que aqui é apresentada.

E esta combinação toda se estende na fotografia do filme que mostra as belezas e o sentimento bucólico das praias do Rio de Janeiro, tão admirada pelo artista, e não só por ele, mas tantos outros talentosos que surgiram nesta “cidade maravilhosa”. Assim, também percebe-se um contraste melancólico que se percebe no jogo de luzes, brincando com os tons escuros dos pisos e ambiente antigo do local em que foram registrados os depoimentos de Helena.

Em certo ponto, a câmera brinca com a presença de objetos antiquados e colecionáveis de Helena, mostrando a forma que ela ainda tentou “segurar” o tempo e manter viva a memória do poeta brasileiro. Outro ponto a se observar, é a forte presença dos locais por onde ele passou, e tudo de uma maneira tão intimista que leva o espectador a sentir-se parte destas vidas, desta amizade tão rica.

O último poema 1 meio

Uma produção que busca recriar os ambientes vividos por eles, mesclando passado e presente dos poetas, tentando descobrir na sua infância respostas para o que viveram nas palavras escritas. É uma verdadeira poesia que procura demonstrar todo o sentimento de poetas apaixonados pela vida e grande amizade que possuíam.

Os 24 anos de amizade correspondida por cartas e poemas foram bem retratados neste longa-metragem que evoca um sentimento saudosista de “não sei bem o quê” e que desperta uma certa paixão e vontade de poetizar também.

O roteiro seguiu uma ordem cronológica, procurando mostrar a evolução da amizade e poesia entre os dois, retratando assim a personalidade de quem foi o poeta, numa forma de entender “não entendendo” o autor. Enfim, uma produção que conseguiu traçar uma linda e diferente biografia da alma de Carlos Drummond de Andrade.

O filme evoca a importância de escrever, registrar os sentimentos, além de mostrar como as amizades eram melhores cultivadas, apesar da distância, como as cartas tinham gosto e faziam diferença na comunicação entre amigos e pessoas queridas.

Podemos resumi-lo como sendo mais um belo poema sobre uma amizade verdadeira, que te leva a querer ler cada vez mais as obras de Drummond e a conhecer profundamente sua história, e mais que isto, a cultivar uma grande amizade e a ser poeta também.

São pouco mais de 70 minutos de produção, mas que deixam um gostinho e vontade de querer mais, é pura beleza para ser degustada, um filme que vale a pena cada segundo, e para quem ama poesia então! Podemos garantir que é nota 10 e super recomendamos, valerá cada segundo assistido!

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Fabiana Moura

Ela é jornalista, mãe, esposa e muito feliz, ama ler, escrever e aprender cada vez mais, além de ser apaixonada pela Língua Portuguesa. Já fez e faz de tudo um pouco nesta vida, por isso mesmo, ela diz: "tamuaí" pra tudo!

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