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CríticaFilmes

Crítica: O Último Virgem

Paulo Olivera
29 de novembro de 2016 4 Mins Read
O clichê não deu certo
 

o-ultimo-virgem-cartazO cinema nacional tem tido bons lançamentos e aos poucos começa a cativar o público brasileiro. Embora que grande parte das produções que chegam em várias salas no país, sejam comédias e dramas com globais no elenco, outros gêneros, como o suspense e o terror, estão dando as caras abrindo possibilidades para a abordagem de novos títulos que antes eram descartados. Um desses exemplos é do longa “O Último Virgem”, um besteirol sexual, que estreia no dia 1º de dezembro.

A trama gira em torno de Dudu (Guilherme Prates), um tímido estereótipo de nerd, que está no último ano do Ensino Médio, e ainda é virgem. Constantemente alvo das piadas de seus amigos, Escova (Lipy Adler), Borges (Éverlley Santos) e Gonzo (Christian Villegas), um dia, ele é convidado pela professora Débora (Fiorella Mattheis) à ter aulas extras na casa dela. Tal situação faz com que ele e seus amigos pensem que a professora, “mais gata do colégio”, esteja dando em cima dele e queira algo a mais que só ajudá-lo a estudar. Dudu passa a se preocupar com sua inexperiência sexual e parte em busca de ajuda para resolver esse problema, e conseguir realizar sua “fantasia sexual”. Ele e seus amigos acabam passando pelas mais improváveis situações, durante sua saga sexual, para tentar conseguir o que quer.

Ao captar a mensagem exposta na pequena sinopse escrita acima, o que se pode esperar é muitas confusões e situações engraçadas, mas não é exatamente o que acontece com a história criada por Lipy Adler. A narrativa que já foi um espetáculo teatral antes de ser roteirizada pelo próprio Adler, em conjunto com L.G. Bayão, pode até ter funcionado nos palcos, mas na telona temos um emaranhado de piadas sem graça, dentro de uma proposta incrível, para o cinema nacional, mesmo que já tenha sido realizada milhões de vezes pelo mercado hollywoodiano.

Inegavelmente vemos a tentativa, meio frustrada, que a direção de Rilson Baco e Felipe Bretas faz para que a narrativa visual agrade e sopresaia o roteiro, por acreditarem numa nova vertente para o mercado nacional. Porém, dificilmente uma boa direção é capaz de segurar o rojão de um roteiro meia boca. Além disso tiveram a dificuldade de rodar um longa, com um grande número de atores, em várias locações e com pouco dinheiro, que é outro grande problema nacional há décadas. Ainda que tenha uma linguagem interessante, os estreantes não podem dizer que entraram no mercado com o pé direito.

o-ultimo-virgem-01Com nomes relativamente conhecidos do mercado audiovisual, as participações não rendem muito. Fiorella Mattheis não esboça um pingo de interpretação para viver a professora de química, Débora, tento o mesmo tom de outros personagens que já fez. Marco Gimenez, vem como o namorado da melhor amiga do protagonista, Deco, que, descaradamente, nos remete ao “Urubu”, personagem que fez na novela “Malhação”. André Ramiro, mesmo bem em cena, com seu traficante, Luizão, não diz em momento algum para o que veio. O delegado vivido por Márcio Kieling tem uma das cenas mais nosense de todo o filme, e olha que ser sem noção por lá não foi difícil, afinal a Lisandra Souto, como a mãe de Dudu, aparece só no início do filme para outra cena do tipo.

Outras figuras aparecem para completar o elenco, mas nada que mereça citações por aqui. No núcleo central da trama temos o amigo maconheiro, Gonzo, vivido por Christian Villegas e o gordinho que só come, Borges, vivido por Éverlley Santos. Ambos só servem de papagaio de pirata, para completarem as cenas e o grupo de amigos do protagonista.

É visível que “O Último Virgem” é o bebê cinematográfico de Lipy Adler. A história é dele, que também assina o roteiro, vive o personagem Escova e ainda insere um single que lançou como cantor anos atrás nas falas e nos créditos. Bom Adler, as vezes é preciso saber a hora de parar com a autopromoção. A tentativa frustrada de ser uma versão nacional do Stifler, interpretado pelo Seann William Scott na franquia American Pie, foi um pouco demais e os holofotes que queria se voltaram contra você. Não nos apegamos ao personagem, as deixas cômicas que poderiam ter sido compartilhadas com os outros meninos, os papagaios, ficaram com o Escova para ele ser o engraçadão repetente. Por sorte tínhamos um protagonismo competente vindo de Guilherme Prates e uma participação experiente que em pouquíssimos minutos em cena, sem ser engraçada, verdadeiramente roubou a cena. Então, intensas palmas Camila Rodrigues que fez a melhor puta caricata dos últimos anos.

Já que citamos o protagonista, o Dudu, de Prates, é o clichê que deu certo, desde o tipo físico a sua composição visual e gestual. Olhar para uma figura como ele está no filme, felizmente ou infelizmente, é enxergar um pré-conceito estabelecido sobre a imagem de um garoto virgem. Junto a ele, não poderíamos deixar de falar da leveza e facilidade Bia Arantes em viver a amável Julia, que talvez seja o, junto ao Dudu, personagem com melhor construção ideológica de todo o processo.

“O Último Virgem” veio com uma proposta que poderia dar certo, recheado de clichês vendáveis para nossa brasilidade, mas infelizmente isso não aconteceu. O grande mérito do filme é a superação de obstáculos e a união dos envolvidos que, sem dúvida alguma, fizeram as gravações serem mais divertidas e engraçadas do que o resultado que vemos na tela.

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Tags:

Cinema NacionalClichêComédia

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Me siga Escrito por

Paulo Olivera

Paulo Olivera é mineiro, mas reside no Rio de Janeiro há mais de 10 anos. Produtor de Arte e Objetos para o audiovisual, gypsy lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, workaholic e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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