13 de dezembro de 2019

Apocalipse zumbi na Inglaterra do século XIX

“Orgulho e Preconceito”, a obra mais popular de Jane Austen, já ganhou inúmeras adaptações para o cinema, televisão, teatro, e inspirou vários outros trabalhos no meio literário. Agora, as telonas ganharam mais uma versão com um detalhe inusitado: Zumbis.

Baseado no livro homônimo de autoria creditada a Jane Austen e Seth Grahame – Smith, o longa faz uma mistura interessante, acrescentando esse tema que é bastante explorado de tempos em tempos – zumbis – a trama original de Austen.

Sob a direção de Burr Steers, “Orgulho e Preconceito e Zumbis” consegue introduzir os mortos vivos na história e ainda manter todos os elementos essenciais da trama original, centrada na vida da família Bennet, cuja mãe se dedicava obsessivamente a encontrar bons partidos para suas cinco filhas, porém uma delas, Elizabeth, deseja mais do que ser uma boa esposa, o que a torna uma mulher à frente do seu tempo. A chegada de Sr. Bingley, um novo vizinho, jovem, rico e bonito causa alvoroço nas jovens e logo acontece uma atração entre ele e Jane, uma das irmãs Bennet. Mas o amigo de Bingley, Sr. Darcy, provoca repulsa em Elizabeth devido á sua arrogância já que ele acha que ela e suas irmãs são inferiores.

Toda essa história você já conhece, ou pelo menos, ouviu falar, porém, esse algo a mais na história, apesar de inusitado, acrescenta os novos elementos no momento certo e na dose certa, sem perder a coerência, a começar pela peste negra que assolou a Europa no século XIX, que é uma explicação inteligente para o aparecimento dos zumbis. O Sr. Bennet, que sempre foi o oposto da esposa, preparou suas filhas com treinamento em artes marciais, ensinou-as a usar armas e a empunhar espadas, transformando-as em verdadeiras guerreiras. Essa situação nova na história combina bastante com Lizzie, que nunca pensou em ser uma esposa prendada que serve entretenimento usado pelo marido em compromissos sociais. É uma visão bastante agradável ver as irmãs Bennet limpando suas pistolas e espingardas ao invés de estar bordando ou tricotando e é até engraçado ouvir o Sr. Darcy falando sobre o seu ideal de esposa perfeita, que além de saber cantar, dançar, desenhar e se portar com delicadeza, também deve ser boa espadachim e lutadora.

Por falar em Darcy, o sonho de muitas mulheres até hoje, não tem como não falar da escolha do ator para o papel, uma das maiores preocupações dos fãs da obra. Sam Riley parece um pouco jovem para o papel, mas se porta muito bem como o arrogante Sr. Darcy, que na adaptação é coronel e é uma das maiores autoridades na caça aos mortos vivos, mostrando que dá conta de assumir o legado.

As escolha dos outros atores também não deixa a desejar. Lilly James assume sem dificuldades o papel de Lizzie Bennet, Bella Heathcote é uma verdadeira e adorável Jane e Sally Phillips está perfeita como Sra. Bennet. Sem falar dos atores conhecidos pelas séries mais aclamadas: Charles Dance, como Sr. Bennet, Lena Headey no papel de Lady Catherine de Bourgth (ambos de Game of Thrones) e Matt Smith como Sr. Collins (conhecido por Doctor Who) que está incrivelmente cômico no papel.

É uma comédia leve e divertida, com um pouco de sangue, lutas e explosões. Você pode não gostar muito do fato de terem mexido no clássico de Jane Austen, mas há de achar o filme no mínimo tolerável.

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Gleicy Favacho

Gleicy Favacho é uma maquiadora com alma de artista. Quando pequena sonhava em descobrir um mundo fantástico através do armário muito antes de se ouvir falar em Nárnia. Essa imaginação a levou a seguir uma profissão onde ela pudesse participar da construção de vários mundos e histórias diferentes, sendo apaixonada por cinema, teatro e outras artes. Claro que, sendo adulta, já mantém um pouco mais os pés no chão, mas sempre olha dentro de um armário ou outro, afinal, vai que… né?

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