Crítica: Os 3 Infernais

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“Os Três Infernais” é um filme de terror, e não há como ter dúvida disso. No entanto, não é apenas um filme de terror, é um filme que engloba clichês de muitos subgêneros desse tipo de cinema e que tem aspecto escancarado de trash. Rob Zombie, diretor do longa, parece um enorme fã de produções desse estilo e seu mais novo lançamento é composto de quase duas horas de referências à obras que o influenciaram e/ou tentativas de homenageá-las. O realizador, contudo, não alcançou o que esperava.

Acompanhando três figuras principais, todas criminosas, “Os Três Infernais” é repleto de violência, chegando até ao gore em alguns momentos, e nudez. Não são tais elementos que tornam a obra fraca, mas sim o vazio com o qual eles aparecem. Não é raro o espectador se questionar da necessidade de uma ou outra sequência ou dos exageros presentes. Diferente de Tarantino, que consegue articular sangue e violência de forma catártica, prestando boas homenagens ao cinema, Zombie parece um tanto deslumbrado com sua própria proposta. Parece seguir seus três protagonistas sem trajetória forte para eles, sem química entre eles e sem muita noção de arco dramático. Dessa forma, não é de se estranhar que episódios tão aleatórios e sem cabimento percorram todo o roteiro, tornando-o muito oco e insólito.

A estética fica bastante evidente através das cores granuladas e contraste muito forte, o que por vezes faz parecer que assistimos um vhs vindo diretamente dos anos 90. Ademais, os cenários e locais apresentados são quase sempre estereotipados e parecem ter vindo de cidades cenográficas quaisquer. O que piora tudo é a falta de originalidade com que esses elementos são tratados, parecendo estar ali sem muito propósito para além de remeter o público aos filmes que Zombie referencia em seu novo trabalho.

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Não adianta de nada ter interessantes inspirações, como o diretor parece ter, para apresentar um projeto novo com base neles que é extremamente reciclado e sem nenhum bom gosto. A pretensão é do nível que o clímax do terceiro ato poderia até mesmo ser definido como um western. O problema maior aqui é como isso não é feito de forma orgânica, natural. Além de parecer esquisito e de não fazer muito sentido, só corrobora para a hipótese de que “Os Três Infernais” nada mais é que referências sem nenhuma coerência ou coesão batidas no liquidificador. Muito parecido com comer um sanduíche com ingredientes improvisados e que não combinam entre si.

Por fim, “Os Três Infernais” se faz tão esquecível que parece uma grande colagem de cenas sem muita ligação entre si, mas que acabam culminando dentro de um mesmo clímax e uma mesma resolução. Ser trash ou parecer um filme b não é um problema, visto a quantidade de clássicos desses tipo de cinema que existe. A questão maior é o quanto que o filme é fraco fazendo aquilo que se propõe. Se não há um tema bem consolidado, alma do longa-metragem, não existe muito o que fazer para salvá-lo.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Paris Filmes

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