Crítica: Os Campos Voltarão

Um filme capaz de mudar pensamentos

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Se há algum lucro na guerra, sem dúvida, é o homem sair dela com algo mais que a vida, com a integridade da sua esperança e os seus valores renovados. Assim aconteceu com os vitoriosos de Os campos voltarão.  

O homem que almeja vencer uma guerra, precisa, antes, vencer a si mesmo. Além da luta pela vida, há também um constante combate com os seus valores, a certeza de que morte não é o sonho da humanidade,  sendo a vida o seu maior prêmio.  

Soldados italianos presos em trincheira, envoltos pela neve, sofrendo a angustia da incerteza e a mercê dos seus temores – os inimigos estavam por perto, o fim parecia iminente – , viviam a cada dia o desafio: como viver uma guerra sem parar de sonhar?  

As cartas dos familiares era a único modo de ir além da trincheira.  

O filme de Ermanno Olmi é uma daquelas tramas onde os verdadeiros protagonistas são abstratos. A saudade, a solidão, o medo, a dor, a desesperança, o desapego, entre outros, são personagens que aparecem o tempo todo em cada palavra ou cada gesto.  

A cena mais chocante, ao meu ver, foi  a de um soldado que, ao receber um missão de alto risco, optou por tirar a própria vida, mostrando o quanto é importante sabermos ler as pessoas, o quanto é necessário ouvir o outro e quanto precisamos ser capazes de encarar a nossa nudez emocional. A morte do soldado obrigou os superiores a passar por cima de suas patentes para manter a força da tropa.  

Os campos voltarão. Quando a neve acabar, talvez a guerra tenha chegado ao fim. Os soldados abraçarão seus entes queridos, compartilharão o doce sabor da vida com os seus companheiros. É um filme para refletirmos sobre nossos valores. Uma fotografia com o tom da guerra, que traz uma luz sobre as nossas mazelas e expondo nossas fraquezas. Quem assiste este filme não levanta da poltrona, pensando da mesma maneira. 

Por Ivo Crifar

Crítica: Os Campos Voltarão
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